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Evergrande volta a cotizar mas caiu 13,6% - e falhou venda de unidade imobiliária

Gigante imobiliária chinesa interrompeu negócio com a Hopson que lhe podia valer 2.693 milhões de euros.

Crise da Evergrande na China
Foto de zhang kaiyv no Pexels
Autor: Redação

O grupo Evergrande, uma das maiores promotoras imobiliárias da China com subsidiárias no setor automotivo e financeiro, voltou cotizar depois de ter sido suspensa da bolsa de Hong Kong no passado dia 4 de outubro de 2021. E no seu regresso as suas ações cairam 13,6%. 

A empresa, que é a promotora imobiliária mais endividada do mundo, pediu ontem à operadora do mercado chinês para retomar as negociações das suas ações, isto depois de não ter conseguido vender a participação de 51% na Evergrande Property Service - a sua divisão imobiliária -  à rival Hopson por cerca de 2.600 milhões de euros. Foi por este negócio que a Evergrande e a sua unidade imobiliária interrompeu a negociação das suas ações em bolsa.  

Evergrande volta a estar na bolsa de Hong Kong
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“A pedido da empresa, a negociação das ações em bolsa foi suspensa a 4 de outubro de 2021. A empresa apresentou um  pedido de reintegração da negociação das ações a partir das 9h do dia 21 de outubro de 2021” , lê-se no comunicado do gigante imobiliário chinês, que tem sido assolado pelas dificuldades de liquidez que atravessa e tem colocado vários ativos no mercado na tentativa de resolver a situação.

A Evergrande explica no documento que decidiu interromper o negócio com a Hooplife Technology Group Limited (uma subsidiária da Hopson Development Holdings Limited) para vender 50,1% da Evergrande Property Services por 20.040 milhões de yuans (2.693 milhões de euros). Isto porque, segundo diz em comunicado, “tinha motivos para acreditar” que o comprador “não cumpriu o pré-requisito” para fazer a oferta pela Evergrande Property Services e, por isso, o gigante imobiliário chinês decidiu exercer o seu direito de rescisão.

Por seu turno, a Hopson Development Holdings referiu também num comunicado que estava “preparada para concluir a venda”, mas que não quis pagar diretamente pelas ações, até que as obrigações entre esta última e a Evergrande fossem liquidadas. E disse ainda que "não aceita que haja qualquer motivo para a sua rescisão" e, por isso, advertiu a reserva de todos os direitos legais.

Crise da Evergrande na China
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"O conselho lamenta anunciar que o vendedor não concluiu a venda das ações em 12 de outubro de 2021 de acordo com os termos do acordo", lê-se no comunicado da Hopson.

Nesse sentido, a Hopson afirma que no passado dia 13 de outubro emitiu um aviso para exigir ao vendedor o cumprimento das suas obrigações nos termos do acordo assinado entre ambas as partes. E acrescentou que, nesse mesmo dia, após ter emitido o aviso, recebeu a notificação do vendedor informando sobre a rescisão do contrato.

Ações de Evergrande em queda

Segundo o jornal Financial Times, as ações da Evergrande fecharam a sessão com queda de 13,6%, enquanto as ações da sua subsidiária Evergrande Property Services, também congeladas no mercado desde 4 de outubro, caíram 10,2%. Por outro lado, as ações da Hopson subiram mais de 5% no seu regresso ao mercado, mesmo após o fracasso das negociações para comprar a divisão imobiliária do grupo presidido por Hui Ka Yan.

Desde o início do ano, as ações da Evergrande caíram mais de 80%, o que a fez perder mais de 190 bilhões de dólares de capitalização de mercado, isto é, de valor de mercado. Segundo a Al Jazeera, a empresa estreou em Hong Kong em 2009. Na época, era a maior empresa privada da China e o seu fundador, Xu Jiayin, o homem mais rico do continente.

Colapso de Evergrande
Financial Times

Influência da queda da Evergrande no mercado chinês

Nos últimos dias, chegaram ao mercado todo o tipo de notícias sobre a Evergrande. Uma delas refere mesmo que a sua crise imobiliária pesou sobre o PIB da China, que mal cresceu no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores (apenas 0,2%) , sendo mesmo o aumento mais baixo até agora em 2021, apesar do aumento homólogo ser de 4,9%.

O Banco Popular da China (BPC) considera também que os potenciais riscos para o sistema financeiro decorrentes das dificuldades enfrentadas pela promotora Evergrande são "controláveis" pelo setor, segundo disse o chefe de mercados financeiros do BPC, Zou Lan. Além disso, recordou que "o banco central pediu aos credores que mantenham um fluxo de crédito estável e ordenado para o setor imobiliário".

Por outro lado, o grupo imobiliário anunciou que vai pagar ao investidores o cupão devido sem qualquer tipo de condição e com juros de 5,8%. Isto quer dizer que vai pagar o segundo vencimento que está pendente desde o início dos problemas de liquidez. Apesar de continuar a pagar os títulos aos investidores chineses, a promotora continua a ter problemas com os títulos internacionais, principalmente em dólares, e ainda não se comunicou se vai ou não pagá-los, pois está em período de carência dos devedores, para pagar esses juros.

Evergrande volta a estar na bolsa de Hong Kong
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De acordo com os últimos dados conhecidos da empresa, o passivo da Evergrande situava-se nos 263.351 milhões de euros em 30 de junho. Desse montante, 76.591 milhões de euros correspondem a créditos e 127.407 milhões a contas a pagar a fornecedores.

Nas últimas semanas, outras imobiliárias chinesas confirmaram ter também problemas em cumprir seus compromissos financeiros, como Fantasia e Sinic.

*Com Lusa