“Diz-me qual o nome da tua rua e dir-te-ei quem és”. É mais ao menos isto que se passa na cidade que nunca dorme. Isto porque em Nova Iorque (EUA) é possível pagar para ter tudo, até um código postal mais “pomposo”, mesmo que não corresponda à nossa verdadeira morada.
Quando jogamos monopólio pela primeira vez, mais cedo ou mais tarde, notamos que algumas ruas negoceiam mais alto do que outras. Ficar com essas artérias e sem falar em construir casas nelas, é indicativo de que não vamos ficar mal no jogo.
Todos temos a certeza de que um apartamento junto à Avenida da Liberdade, em Lisboa, nos Campos Elísios parisienses ou no bairro de Salamanca, em Madrid, implica um gasto maior. Mas quanto vale um código postal?
No livro "El callejero", de Deirdre Mask, a autora analisa diferentes cidades ao redor do mundo e conta o que os nomes das ruas revelam sobre identidade, raça, poder e riqueza.
Mask diz que, em Nova Iorque, por exemplo, a cidade-farol de um país onde tudo é negociado, até mesmo os códigos postais estão à venda. Pode parecer lógico que tenhamos o código postal da rua onde o nosso prédio está localizado, certo? Bem, não: em Nova Iorque, um construtor pode mudar a morada real de um projeto para um mais atraente, por exemplo.
Caso em questão: em 2016, um novo arranha-céus foi construído no Upper East Side. O código postal coloca-o na 520 Park Avenue, mas na realidade o acesso não é lá, mas quatorze metros a oeste da famosa avenida, na East 60th Street. Mas é claro, é muito mais glamouroso dizer que se vive na Park Avenue do que na East 60... Para conseguir essa morada, as construtoras prometeram pagar 30.000 dólares por ano a quem realmente ocupasse aquele endereço da avenida, a Christ Church.
E não só: também foram pagos 40 milhões de dólares por 6.500 metros quadrados de direitos aéreos (sim, no céu também há metros quadrados) porque os regulamentos municipais limitam a altura dos edifícios, mas permitem que se comprem os direitos aéreos. Portanto, este arranha-céus tem uma direção ornamental muito luxuosa que não corresponde à real da porta do edifício.
Certamente também ficarás surpreendido ao saber que Times Square também é uma direção ornamental que mudou de nome (antes era Longacre Square) quando o The New York Times se mudou para lá. Um apartamento na Park Avenue ou na Quinta Avenida custa 10% a mais do que nas ruas adjacentes.
Mask diz que o programa de moradas ornamentais teve o seu auge na época em que David Dinkins era presidente do distrito e, mais tarde, da câmara. Os pedidos, inúmeros, são feitos no escritório topográfico de Manhattan onde um dos seus trabalhadores reconhece à autora que, na verdade, isso permite que mais dinheiro seja retirado ao construtor mas que, às vezes, pode ter um custo muito alto: como uma ambulância não poder ir buscar-te porque não sabe que a entrada do teu prédio é em outro local. Na verdade, isso aconteceu em Chicago, que tinha um programa de endereços semelhante ao de Nova Iorque, onde uma mulher de 30 anos morreu num incêndio de escritório porque os bombeiros não sabiam que o One Illinois Center estava realmente em outra rua.
Antes do programa de endereços ornamental, os promotores nomeavam os seus edifícios quando os anunciavam. Assim, havia nomes ingleses bombásticos como Westminster, Windsor ou mesmo o Palácio de Buckingham. Além disso, nomes europeus como Versalhes, Lafayette, Madrid ou El Greco. E então, veio a moda para nomes nativos americanos: Dakota (muito famosa porque John Lennon foi assassinado à sua porta), Wyoming, Idaho.
Independentemente dos endereços, parece claro que o nome da rua pode aumentar (mas cuidado, também diminuir), o valor dos imóveis que estão nela. E não só isso: no Reino Unido, as propriedades localizadas nas ruas que terminam em Street valem menos do que as que terminam em Lane e a razão exata para isso não é conhecida. Além disso, as casas localizadas nas ruas chamadas King valem mais do que as localizadas nas ruas chamadas Queen e o mesmo acontece descendo um degrau na realeza, as princesa são mais baratas que as do príncipe. Curiosidades à parte, parece claro que ao investir numa casa a localização e condição da casa é fundamental, mas parece que também é preciso olhar para o nome da rua, um aspeto que parecia menos importante mas que, segundo os dados, não é de todo.








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