A Reserva Federal americana (Fed) decidiu esta quarta-feira, dia 28 de janeiro de 2026, manter as taxas de juro entre 3,50% e 3,75%, pausando, assim, um ciclo de descidas, numa decisão anunciada após a primeira reunião do ano. Ao mesmo tempo, o presidente da Fed, Jerome Powell, declarou-se confiante na manutenção da independência da instituição face às pressões de Donald Trump.
A Fed apontou que a “incerteza quanto às perspetivas económicas continua elevada”, referindo que está atenta “aos riscos para ambos os lados do seu duplo mandato”, ou seja, máximo emprego e uma inflação a 2%.
No ano passado, o banco central americano reduziu as taxas de juro três vezes, em setembro, outubro e dezembro.
“Os indicadores disponíveis sugerem que a atividade económica tem vindo a expandir-se a um ritmo sólido”, destacou a entidade liderada por Jerome Powell, apontando que o crescimento do emprego se tem “mantido baixo e a taxa de desemprego tem mostrado alguns sinais de estabilização”, sendo que a “inflação continua um pouco elevada”, referiu, no comunicado emitido no final da reunião de dois dias do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC).
A entidade lembrou que “procura alcançar o máximo emprego e uma inflação de 2% a longo prazo”, apontando, assim, que “a incerteza quanto às perspetivas económicas continua elevada”.
Desta forma, “decidiu manter a meta para a taxa de juros dos fundos federais entre 3,5% e 3,75%”, sendo que, “ao considerar a extensão e o momento de ajustes adicionais à meta para a taxa de juros dos fundos federais, o Comité avaliará cuidadosamente os dados recebidos, as perspetivas em evolução e o equilíbrio dos riscos”.
Na nota, segundo a Lusa, lê-se que “o Comité estará preparado para ajustar a postura da política monetária, conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir a concretização dos seus objetivos”, sendo que as suas avaliações “levarão em consideração uma ampla gama de informações, incluindo dados sobre as condições do mercado de trabalho, pressões inflacionárias e expectativas de inflação, além de desenvolvimentos financeiros e internacionais”.
Esta decisão não foi unânime, tendo votado contra Stephen I. Miran e Christopher J. Waller, que preferiram reduzir a meta para a taxa de juros dos fundos federais em 0,25 pontos percentuais nesta reunião, de acordo com o comunicado.
Powell confiante na manutenção de independência da Fed face à presidência
Numa conferência de imprensa após a decisão da Fed de manter as taxas de juro, contrariando a insistência de Trump no sentido de uma descida, Powell respondeu afirmativamente quando questionado se estava confiante de que o regulador manteria a sua independência.
“O facto de não termos controlo direto por parte de autoridades eleitas é um arranjo institucional que tem funcionado a favor do povo. Se perdermos essa independência, torna-se muito difícil restaurá-la. Não a perdemos e não acredito que isso vá acontecer”, afirmou Powell.
“Estou firmemente comprometido com isso, assim como os meus colegas”, adiantou.
A inédita tentativa de Trump de destituir um membro da Fed, recentemente analisada pelo Supremo Tribunal numa audiência em que o presidente do regulador marcou presença, é “talvez o caso jurídico mais importante nos 113 anos de história da Fed”, disse ainda Powell, confrontado com críticas do secretário do Tesouro, Scott Bessent, que classificou como um “erro” a comparência do presidente do banco central.
“Refletindo sobre o sucedido, percebi que teria dificuldades em explicar a minha ausência”, acrescentou Powell sobre a audiência de 21 de janeiro do caso de Lisa Cook.
Trump, defensor da redução das taxas de juro para estimular a economia, tem travado uma disputa de poder com Powell, insultando-o e questionando-o publicamente, além de o Departamento de Justiça ter aberto um inquérito criminal contra o presidente da Fed pelos custos, alegadamente excessivos, da renovação da sede da instituição, em Washington.
O mandato de Powell termina em maio do próximo ano e Trump sugeriu que está perto de nomear um novo presidente da Fed. Segundo a agência AP, o anúncio pode ser feito já esta semana, embora tenha sido adiado anteriormente.
Miran foi nomeado por Trump em setembro e tinha votado contra nas três reuniões anteriores, defendendo um corte de meio ponto percentual. Waller está entre os potenciais próximos presidentes da Fed avaliados pela Casa Branca.
A decisão da Fed de manter as taxas inalteradas deverá alimentar ainda mais as críticas de Trump. Na conferência de imprensa, Powell foi questionado sobre outra política de presidente dos EUA, o aumento das tarifas alfandegárias, e se esta já se tinha refletido na inflação.
“Grande parte já se refletiu”, disse Powell, acrescentando que a Fed geralmente considera os impostos sobre importações como um aumento de preços pontual.
“A expectativa é que vejamos os efeitos das tarifas a propagarem-se pelos preços das mercadorias, atingindo um pico e depois começando a cair, desde que não haja novos aumentos tarifários significativos”, adiantou. Esta, referiu, é a tendência que o banco central norte-americano espera “observar ao longo deste ano”.
*Com Lusa
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