O mundo está em sobressalto depois de Donald Trump, presidente dos EUA, ter anunciado as novas tarifas para vários países (União Europeia incluída). A guerra comercial está lançada a nível internacional e terá impacto também nos EUA, enfraquecendo a economia e aumentando a inflação. Este contexto deixa a Reserva Federal (Fed) num dilema entre descer os juros de referência ou deixá-los inalterados.
A incerteza sobre o rumo da política monetária dos EUA subiu de tom depois de terem sido anunciadas as novas tarifas alfandegárias por Trump na quarta-feira, dia 2 de abril. Há analistas que admitem que a Fed liderada por Jerome Powell vai prestar mais atenção em conter a inflação mantendo os juros inalterados por um longo período. Mas também há economistas que antecipam que o banco central vai cortar os juros para estimular a economia e evitar uma estagflação, escreve o jornal norte-americano Quartz.
Os economistas do Citibank admitem que haverá um aumento da inflação nos EUA por via da aplicação das tarifas, mas este incremento será sentido uma única vez, podendo ser “ignorado”. Se assim for, “a Fed fica livre para responder a condições de crescimento económico mais brandas”, referem. Em concreto, o banco espera que a Fed avance com cortes dos juros de 125 pontos base este ano, arrancando já no início de maio.
Há também quem diga que a Fed não irá cortar os juros antes de junho, para ver como é que a economia e a inflação reagem à aplicação destas novas tarifas e à retaliação dos outros países. É o que diz Melissa Cohn, vice-presidente regional de crédito habitação na William Raveis, citada pela mesma publicação, acrescentando que, caso a economia norte-americana comece a piorar, a Fed não terá outro remédio senão descer os juros.
Na sexta-feira, dia 4 de abril, Jerome Powell admitiu que as novas tarifas do governo Trump deverão acelerar a inflação e abrandar o crescimento económico, sendo que o foco da Fed será manter os aumentos de preços temporários. "A nossa obrigação é [...] garantir que um aumento único no nível de preços não se torne um problema contínuo de inflação", disse Powell. O foco de Powell na inflação sugere que a Fed poderá manter a taxa de juro inalterada entre 4,25%-4,5% nos próximos meses, até ser possível contabilizar os impactos destes novos impostos.
Pouco antes deste discurso, Donald Trump instou o presidente da Fed a baixar as taxas de juros, numa publicação na plataforma Truth Social. “Este seria o momento perfeito para o presidente da Fed, Jerome Powell, cortar as taxas de juro”, escreveu o presidente republicano, afirmando que a inflação caiu nos EUA desde o seu regresso ao poder em janeiro.
De recordar que na reunião de março, a Fed decidiu manter os juros inalterados entre 4,25%-4,5%, perante a incerteza em torno da evolução da economia do país. E Jerome Powell admitiu mesmo que só o anúncio das tarifas de Trump já estava a ter efeitos em alta sobre a inflação nos EUA, embora fosse difícil determinar o seu impacto em concreto. Além disso, há havia alertado em fevereiro que “não tem pressa” em flexibilizar a política monetária dos EUA.
*Com Lusa
*Notícia atualizada dia 7 de abril, às 9h54, com novas declarações de Powell e Trump
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