A antiga cidade romana de Balsa, no Parque da Ria Formosa, estava em vias de ser o palco de uma nova exploração agrícola. Mas o projeto de investimento espanhol para instalar, no concelho de Tavira, uma produção de framboesas acaba de ser embargado. A empresa que arrendava os terrenos, criada pelos donos da Surexport, tem agora um prazo de 30 dias para repor o terreno no estado em que se encontrava e remover as estruturas ilegalmente erigidas.
A exploração agrícola, segundo conta o Público, estava a ser montada na Quinta da Torre d’Aires, uma propriedade de 43 hectares localizada na freguesia da Luz, junto à Ria Formosa, onde se situou a cidade romana de Balsa e onde ainda existem abundantes vestígios arqueológicos.
O embargo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR), diz o jornal, incide apenas sobre 14,8 hectares que estão incluídos na Reserva Ecológica Nacional (REN), numa zona classificada como Faixa de Protecção ao Sistema Lagunar.
Os responsáveis pelo empreendimento - proprietários da Surexport, uma das principais empresas espanholas de produção de frutos vermelhos, com sede na província de Huelva - obtiveram no início do verão um parecer favorável do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), do qual depende o Parque Natural da Ria Formosa, mas não terão solicitado a necessária autorização de outros organismos com competências nessa área, ainda de acordo com a notícia do Público.
Citado pelo diário, o gerente da empresa, Ignacio Márquez, garante que ninguém os informou de que o projeto tinha de ser igualmente aprovado por outras entidades.
Na propriedade existem três sítios classificados como imóveis de interesse público, devido aos testemunhos físicos de Balsa que ainda não foram destruídos, e grande parte do terreno está inserido nas respetivas zonas especiais de proteção.






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