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Sherlock, a proptech “detetive” do imobiliário que quer gerir 5% do mercado português em três anos
Na fotografia, os fundadores Philip Ilic, Chris Wood,James Coop e Tariq El Asad Sherlock Homes

Acabar com as comissões variáveis, pôr a tecnologia ao serviço do negócio e dizer “não” à forma tradicional de comercializar casas. Este pode ser o epílogo da história da Sherlock Homes, uma nova startup imobiliária, fundada por quatro britânicos baseados em Lisboa, que promete revolucionar o mercado português com a sua inovadora forma de transacionar imóveis. Não foi retirada de uma história de ficção, mas até podia. No seu ADN tem incorporada uma veia de “detetive”, ou como quem diz, uma ferramenta de inteligência artificial de avaliação instantânea de propriedades à distância através da qual pretende revolucionar a indústria imobiliária.

É esta a génese da Sherlock, para quem o modelo tradicional de compra e venda de casas em Portugal se mostra obsoleto e incapaz de dar resposta às necessidades do futuro. A começar, desde logo, pelas comissões baseadas em percentagens de venda. Esta proptech, em linha com outras que têm surgido no mercado nacional, propõe um novo modelo de agência imobiliária, criando uma taxa fixa de 3.999 euros, pensada para aumentar os níveis de poupança dos vendedores.

Depois, a ferramenta de inteligência artificial de avaliação, que promete poupar tempo e tornar o processo “mais transparente”- e tudo à distância de um simples “clique”. O plano para os próximos tempos prevê “upgrades” às funções tecnológicas, para que o processo de compra e venda se vá tornando cada vez mais simples e acessível a todos. O objetivo da propetch é conquistar 5% do mercado imobiliário em três anos, o que equivale a mais de oito mil transações e a uma poupança anual em comissões de mais de 37 milhões de euros.

O idealista/news entrevistou um dos fundadores do projeto, Phil Llic, para perceber de que forma a Sherlock pretende diferenciar-se no mercado, numa altura em que há cada vez mais projetos de base tecnológica a surgir, e que planos tem a empresa em marcha para concretizar os seus objetivos de expansão.

Porque escolheram Portugal (desde Lisboa) para dar impulso ao negócio?

Lisboa, pela sua força de trabalho altamente qualificada, oportunidades de financiamento, como o Fundo de 200M (criado para fomentar o coinvestimento de investidores privados nacionais e internacionais), e devido ao facto de ser a capital da Europa com mais dias de sol, está rapidamente a tornar-se num dos melhores ecossistemas de startups na Europa.

Portugal é também um grande ponto de partida para startups com planos de expansão no resto da Europa, pois é pequeno o suficiente para testar produtos, aprender rapidamente e refinar a oferta antes de distribuir os nossos serviços para outros países.

Um dos objetivos da Sherlock é “acordar” o mercado imobiliário português. O mercado precisa de ser “acordado” por que razão? De que forma pretendem fazer isso?

Queremos apenas salientar que o mercado imobiliário português, graças à tecnologia, tem outras opções para além das agências imobiliárias tradicionais. Através da taxa fixa conseguimos mostrar, de forma precisa, o quanto os agentes tradicionais têm cobrado. Poupamos muito dinheiro, simplificando o processo através do uso de tecnologia e gostamos de passar essas poupanças para os nossos clientes.

Queremos apenas salientar que o mercado imobiliário português, graças à tecnologia, tem outras opções para além das agências imobiliárias tradicionais.

Como é que a Sherlock pretende diferenciar-se de outras plataformas?

A Sherlock é a primeira e maior empresa imobiliária online em Portugal, em termos de rendimento. O setor imobiliário online aqui está apenas a começar, mas o potencial de crescimento é muito grande.

O que nos destaca é a nossa dedicação a uma experiência que muito poucos, ou nenhum dos nossos concorrentes, tanto as agências tradicionais, quanto as empresas offline, podem igualar. Estamos a construir funções que nenhuma outra empresa terá em Portugal, e que farão do processo de compra e venda imobiliária muito mais simples e acessível.

Somos a primeira agência imobiliária que oferece uma ferramenta de avaliação instantânea de inteligência artificial, disponível no nosso website, onde os vendedores podem analisar de forma precisa quanto vale a sua propriedade. São esperadas mais ferramentas tecnológicas da Sherlock nos próximos meses: desde reservas instantâneas de apartamentos em que o comprador está interessado, até pré-aprovações instantâneas de créditos.

Estas funcionalidades, que estarão disponíveis nos próximos meses, vão tornar todo o processo muito mais eficiente, transparente e justo em termos de custo. Queremos provar que o que oferecemos resulta na consistência das avaliações de 5 estrelas que as pessoas nos deixam todas as semanas.

Somos a primeira agência imobiliária que oferece uma ferramenta de avaliação instantânea de inteligência artificial, disponível no nosso website, onde os vendedores podem analisar de forma precisa quanto vale a sua propriedade.

 O que é e como funciona a ferramenta de inteligência artificial ?

É bastante simples do ponto de vista do cliente. Basta que este se dirija ao nosso website, clicar no link que diz ‘receber avaliação’, preencher alguns detalhes sobre o apartamento, e irá receber automaticamente uma avaliação instantânea e mais algumas informações interessantes sobre o imóvel no email. A ferramenta funciona melhor em áreas de alta densidade populacional, tais como Lisboa ou Porto, e é baseada em estatísticas que podem mostrar de forma precisa o valor da propriedade.

Sherlock, a proptech “detetive” do imobiliário que quer gerir 5% do mercado português em três anos
Phil Ilic, um dos co-fundadores Sherlock Homes

Onde está a concorrência? Nas outras agências digitais ou nas chamadas tradicionais?

Não vemos o modelo imobiliário tradicional como um concorrente, tendo em conta que iniciámos um novo segmento. Além disso, quanto mais concorrentes investem no marketing deste novo business model, mais interesse e confiança se gera nesta nova forma de fazer negócios, o que é bom para a Sherlock.

Quantas propriedades têm neste momento? Quantas esperam ter até ao final do ano?

Até ao momento temos 110 apartamentos e o número está a crescer rapidamente, com uma expectativa de termos 200 até ao final do ano.

A nossa procura até agora é mais do que aquela que podemos suportar, mas estamos propositadamente a aceitar apenas a quantidade de apartamentos com a qual sabemos que conseguimos oferecer uma experiência incomparável ao cliente. Estamos na fase em que estamos a construir a nossa capacidade — treinando colaboradores e construindo a tecnologia — para podermos lidar com milhares de apartamentos todos os anos, o que julgamos ser a nossa procura em 2020 para o Sherlock, em todo o país.

Até ao momento temos 110 apartamentos e o número está a crescer rapidamente, com uma expectativa de termos 200 até ao final do ano.

Que tipo de propriedades são? Qual é o seu preço médio?

Vendemos propriedades desde os 150.000 euros até os 2 milhões maioritariamente em Lisboa, Cascais e Almada, sendo que temos planos de expansão para o Porto e para o resto de Portugal até ao final do ano.

Têm sentido alguma resistência/dificuldade por parte do mercado? Quais os principais obstáculos e desafios a superar?

O feedback tem sido incrível e o principal motivo é o facto das pessoas pensarem que não estão a obter uma boa relação custo / benefício dos agentes tradicionais, que cobram muito mais do que estas novas empresas de proptech. O principal obstáculo é a confiança, as pessoas pensam que é bom demais para ser verdade, mas lentamente apercebem-se que, felizmente, não é assim.

O principal obstáculo é a confiança, as pessoas pensam que é bom demais para ser verdade (...)

A Sherlock propõe-se a cobrar, por cada transação imobiliária, uma comissão fixa de 3.999 euros. Qual é a mais-valia desta estratégia?

Esse modelo de preço é a principal diferença entre a Sherlock e os agentes imobiliários tradicionais e que está a conquistar o mundo. Esta taxa fixa mostra o quanto os agentes tradicionais têm cobrado – geralmente 5% mais IVA. Poupamos muito dinheiro simplificando o processo através do uso de tecnologia, e gostamos de passar essas poupanças para nossos clientes.

Referem que será possível poupar 2 milhões em comissões de agência. Está nos planos conseguir aumentar essa verba?

A Sherlock tenciona ganhar 5% das transações imobiliárias em Portugal por ano, nos próximos três anos. Equivale a mais de oito mil transações e poupanças para o consumidor português em mais de 37 milhões de euros por ano, algo de que iremos estar muito orgulhosos quando atingirmos esse valor. Significa que os vendedores portugueses terão mais 37 milhões de euros nos seus bolsos.

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2 Comentários:

Gomes
26 Setembro 2019, 19:07

Tive o meu imóvel com a Sherlock durante 2 meses, com o preço de venda que a Sherlock aconselhou, e nesse período tive 0 visitas ao meu imóvel. Neste período, apesar de não ter contrato de exclusividade, tinha contrato apenas com a Sherlock.
Para além de questionarem quantos imóveis têm em carteira, seria interessante também questionarem quantos já venderam, quantos perderam (angariaram e acabaram por não vender) e qual o tempo média de venda.
Lamento, mas para mim não é 5 estrelas, não adianta ser barato se não vende.

Sr. Gomes, se desejar vender o seu imóvel, terei todo o gosto em ajudá-lo através da minha experiência de mais de 15 anos de atividade ininterrupta, na mediação imobiliária.

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