Câmara do Porto diz que não há condições para elaborar Carta Municipal de Habitação

Legislação completar e regulamentar da Lei de bases da Habitação, já aprovada pela AR, ainda não foi publicada, justifica Pedro Baganha, vereador do Urbanismo.
Câmara do Porto diz que não há condições para elaborar Carta Municipal de Habitação
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Lusa
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O vereador do Urbanismo da Câmara Municipal do Porto (CMP), Pedro Baganha, disse que não estão reunidas as condições para a elaboração da Carta Municipal de Habitação, cuja inclusão no Plano Diretor Municipal (PDM) é defendida pela CDU.

Numa declaração de voto lida na reunião do executivo municipal realizada segunda-feira (21 de setembro de 2020), o responsável pelo pelouro explicou que, até à data, a legislação completar e regulamentar da Lei de bases da Habitação, aprovada pela Assembleia da República há mais de um ano, não foi ainda publicada, não estando por isso “reunidas as condições necessárias para a elaboração da Carta Municipal de Habitação”.

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A posição do vereador surge na sequência da proposta de recomendação da CDU que defende a inclusão da Carta Municipal de Habitação no PDM em preparação e que foi aprovada, com a abstenção do PSD e do movimento Porto, o Nosso Partido.

Pedro Baganha considera ainda que não é ao PDM que cabe a definição concreta das políticas setoriais do município, que são desenvolvidas no quadro dos instrumentos específicos que a lei determina e que, no caso desta Carta Municipal, é a Lei de Bases da Habitação.

O vereador salienta, contudo, que apesar de não estarem reunidas as condições para a elaboração da Carta Municipal de Habitação, o município do Porto tem vindo a definir a sua política municipal de habitação nos instrumentos em elaboração ou já em vigor, como é exemplo a Estratégia Local de Habitação.

Esse instrumento, explicou, “convoca o setor público, privado e cooperativo para a resolução do problema da habitação, apontando um conjunto de diversas soluções em função dos instrumentos legais e financeiros definidos pelo Estado, pese embora a exiguidade que estes acabaram por revelar até à data”.

Adiantou ainda que, no que respeita ao projeto de revisão do PDM, o mesmo tem como uma das áreas de atuação estratégica a habitação, tendo em vista a coesão social e a recuperação demográfica. Inclui, por isso, um conjunto de estudos de caracterização e diagnóstico relacionados com a habitação no município, que serviram de base à definição de instrumentos relacionados com a habitação e com a afetação do solo à função habitacional.

Segundo Pedro Baganha, esses estudos estão incluídos na proposta de revisão do PDM e servirão como um sólido ponto de partida para a definição da futura Carta Municipal de Habitação.

Reações para "todos os gostos"

Na apresentação da proposta, a vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, insistiu na necessidade se iniciar, o quanto antes, a elaboração da Carta Municipal de Habitação em articulação com o PDM, defendendo que deve ser mais que um documento, mas constituir-se como uma estratégia.

Já a vereadora do PS Fernanda Rodrigues referiu que se afigura como um instrumento útil que, em matéria de habitação, haja um cruzamento entre a Carta Municipal de Habitação e o PDM, salientando considerar vantajosa uma articulação feita o mais precocemente possível.

Pelo PSD, Álvaro Almeida, que se absteve, criticou a postura da CDU, dizendo que qualquer que seja o assunto a solução é atribuir todas as responsabilidades ao Estado, o que tem “resultado sempre em desgraça”. O social-democrata optou pela abstenção por entender que habitação é preocupação e todos e a proposta em si, excluindo os seus considerandos, é “inocula” ou mesmo “inútil”.

Já o presidente da CMP, o independente Rui Moreira, garantiu que haverá uma política integrada de habitação, reiterando que o município do Porto tem 13% de habitação social, quando o primeiro-ministro havia definido como meta a nível nacional atingir os 5%.

O autarca mostrou-se preocupado com a ideia de uma descentralização, nesta área, baseada na transferência de prédios do IHRU - Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana para os municípios. “Continuamos a não saber qual é o respetivo cheque e isso é uma bomba relógio”, afirmou, salientando que fazer leis e depois não as regulamentar não resolve o problema.

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