Museu do Design e da Moda reabre ao público em 2024

Obras de requalificação integral derraparam por insolvência da construtora Soares da Costa.
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Museu do Design e da Moda (MUDE), 2014 (Getty Images)
Lusa
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O Museu do Design e da Moda (MUDE), em Lisboa, encerrado desde 2016 para obras de requalificação integral, deverá reabrir ao público no segundo trimestre de 2024, indicou à agência Lusa a diretora, Bárbara Coutinho.

"Sete anos depois do início das obras de requalificação integral do edifício do MUDE, saem os telões e os andaimes que revestiam o quarteirão formado pela Rua Augusta, Rua da Prata, Rua do Comércio e Rua de São Julião", indicou a responsável num comunicado sobre o ponto da situação das obras.

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Os atuais telões tinham sido colocados há dois anos, sinalizando o início da segunda empreitada de obras, com as frases “MUDE no presente, desenhando o futuro | MUDE no futuro, desenhando o presente", e, as fachadas do edifício, restauradas e limpas, "retomam a herança pombalina", assinalou ainda.

Ainda de acordo com Bárbara Coutinho, "a presente empreitada está prevista terminar no final do corrente ano", e "neste momento, prosseguem os trabalhos de modo a que as portas [do museu] na Rua Augusta abram ao público no segundo trimestre de 2024", acrescentando que a data de reabertura "será comunicada em breve".

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"Tanto Mar", exposição MUDE (2018) / Getty Images

Dedicado a todas as expressões do design, que se espelham no seu acervo, o MUDE possui atualmente 11 coleções e mais de 1.000 peças avulsas nas áreas de produto, moda, gráfico, interiores, cenários de teatro e joalharia contemporânea.

A coleção do antigo Teatro da Cornucópia, que cessou atividade em 2016, é uma das doações que vieram ampliar o acervo do museu no ano passado, através dos seus diretores, o cofundador Luís Miguel Cintra e a cenógrafa, figurinista e ‘designer’ Cristina Reis.

O conjunto ascende a mais de 1.400 peças de núcleos muito diferentes, nomeadamente bibliográfico, acessórios e adereços, design gráfico, incluindo cartazes e maquetes de espetáculos, muitos deles concebidos por Cristina Reis.

MUDE encerrou em 2016 para obras de requalificação integral

O MUDE encerrou em maio de 2016, para obras do edifício de oito pisos, antiga sede do Banco Nacional Ultramarino, mas continuou a atividade numa programação de exposições, dentro e fora da capital, intitulada “MUDE Fora de Portas”.

Em janeiro deste ano, a diretora do MUDE, em entrevista à Lusa, tinha estimado a reabertura para o final deste ano, mas alertava para as "dificuldades nos fornecimentos dos materiais e no aumento do seu custo” na obra, interrompida durante quase três anos, por insolvência da construtora inicialmente selecionada.

As obras do edifício ficaram interrompidas, de 2018 a maio de 2021, “por um motivo totalmente alheio ao MUDE e à Câmara Municipal de Lisboa, devido à insolvência da empresa construtora Soares da Costa, encarregada de fazer a primeira empreitada”, recordou Bárbara Coutinho.

Esta situação “veio provocar atrasos muito significativos e uma necessidade de cumprir toda a legislação em vigor, com a revisão de todo o projeto e a abertura de novo concurso publico internacional, que veio a acontecer em maio de 2021, retomando a obra pela empresa Teixeira Duarte”, relatou.

Apesar de estar encerrado há seis anos, o MUDE continuou até 2022 com uma programação expositiva. Nesse ano, realizou uma exposição dedicada aos cem anos de design gráfico em Portugal através da coleção Carlos Rocha e a outra intitulou-se “Portugal Pop”, com a visão dos últimos 50 anos da história da moda no país.

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"Tanto Mar", exposição MUDE (2018) / Getty Images

Este ano não foi organizada uma programação expositiva fora de portas para que as equipas do museu se concentrassem na reabertura, tendo decorrido apenas pequenos eventos, como o lançamento de catálogos ou debates.

Outro exemplo de incorporações em 2022, além do Teatro da Cornucópia, foi o da coleção de ‘design’ gráfico de Carlos Rocha (1943-2016), com mais de seis mil unidades arquivísticas, que entrou no MUDE como depósito de longa duração.

Inaugurado em 2009, com base na Coleção Francisco Capelo, o MUDE recebeu, até à data de encerramento do edifício-sede, quase dois milhões de visitantes, em quase 60 exposições e cerca de 170 eventos relacionadas com o seu acervo.

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