Ao longo de 2023, as famílias foram sentindo os seus orçamentos esmagados com os sucessivos aumentos das prestações da casa, devido à escalada da Euribor. E, para fazer face a este agravamento das prestações, muitas optaram por renegociar os créditos habitação com os bancos ou ainda usar as poupanças para amortizar os empréstimos da casa. Esta foi uma tendência tal que as renegociações de créditos habitação subiram para um valor cinco vezes superior a 2022 e as amortizações antecipadas quase duplicaram, revela o Banco de Portugal (BdP).
Em 2023, as renegociações de crédito habitação, atingiram 8,8 mil milhões de euros, um valor cinco vezes superior ao registado em 2022 (1,6 mil milhões de euros), revelam os dados do BdP publicados esta quinta-feira, dia 1 de fevereiro. Isto apesar das taxas de juro médias dos contratos renegociados terem estado sempre a crescer até ao final do ano, atingindo 4,40% em dezembro (valor superior aos novos contratos, de 3,98%). Talvez por isso se tenha observado uma descida do montante renegociado a partir de setembro - muito embora tenha continuado bem superior face há um ano.
Importa recordar que durante o ano estiveram em vigor novas regras para renegociar os créditos habitação própria e permanente. Tratou-se de um novo Plano de Ação para o Risco de Incumprimento (PARI) para mitigação do aumento da taxa de esforço em contratos de crédito habitação. Entre as soluções usadas na renegociação ao abrigo deste regime estão o alargamento do prazo do crédito, a consolidação de créditos, a realização de um novo crédito ou a redução da taxa de juro.
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Amortizações antecipadas em alta com juros a subir
O que salta à vista é que também as amortizações antecipadas de crédito habitação quase duplicaram: passaram de 5,5 mil milhões de euros em 2022, para 10,1 mil milhões de euros em 2023. Além disso, “as amortizações antecipadas totais (que incluem os contratos finalizados por amortização da dívida do devedor, consolidação de crédito num novo contrato e as transferências de crédito para outra instituição) representaram 83% das amortizações antecipadas em 2023”, destaca ainda o BdP.
Esta foi outra reação das famílias aforradas para fazer face à atual conjuntura económica. Porque, afinal, quem usou as poupanças para amortizar o crédito totalmente, ficou sem essa despesa. E quem as usou para amortizar parte do crédito, conseguiu reduzir a sua prestação da casa. Além disso, há incentivos públicos para amortizar créditos habitação a taxa variável, como é o caso da suspensão da comissão por amortização e ainda do resgate de capital do Plano de Poupança Reforma sem quaisquer penalizações. Estas duas medidas continuam em vigor em 2024, podendo continuar a incentivar esta tendência.
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