Urbanismo de Lisboa diz, por exemplo, que teria sido um fundamental existir um período transitório de adaptação às novas regras.
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Lisboa
Foto de Alvin David no Unsplash

O novo simplex urbanístico só entrou em vigor no passado dia 4 de março, mas já está a provocar algum reboliço nas autarquias, tal como antecipavam muitos profissionais do setor. A vereadora da Câmara Municipal de Lisboa (CML), responsável pelo urbanismo, Joana Almeida, por exemplo, lamenta o pouco tempo que foi dado aos municípios para conhecerem e se adaptarem às novas regras. Fala mesmo num “estado caótico” em muitas câmaras do país.

“O simplex exige toda uma adaptação e, é uma crítica que deixo aqui ao Governo, ao definir a entrada em vigor a 4 de março e aprovando na véspera as portarias [que o regulamentam], não deu tempo às câmaras para o pôr a funcionar”, disse em entrevista ao Jornal de Negócios. Para a governante teria sido um fundamental existir um período transitório de adaptação de três a cinco meses, pelo menos, depois de toda a regulamentação ser publicada.

A vereadora da Habitação, Filipa Roseta, sublinhou as mesmas preocupações sobre o simplex numa entrevista recente ao idealista/news. A responsável pelas políticas de habitação do município da capital considerou que “tudo o que seja para combater a burocracia é positivo”, ainda que tenha sido “feito de uma maneira completamente atabalhoada”. 

“Como é que as pessoas vão aplicar portarias, minutas, que saíram três ou quatro dias antes? Mas, de resto, tudo o que seja cortar a burocracia é bem-vindo. Há dois problemas no país, a pobreza e a burocracia, e tudo o que seja para os combater é bom”, adiantou.

A verdade é que ainda há muitas dúvidas sobre a aplicação prática das novas regras do simplex, que motivou opiniões de todos os quadrantes de mercado, desde mediadores, promotores, projetistas, arquitetos ou engenheiros.

Numa entrevista publicada esta quarta-feira pelo idealista/news, Nuno Antunes, presidente da Associação dos Industriais da Construção de Edifícios, vincou, uma vez mais, “contradições legislativas que criam insegurança e sinais que vão chegando, nomeadamente os que decorrem de regulamentação entretanto publicada”, que “fazem crer que no final a simplificação poderá ser mais aparente do que real”.

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