Há já alguns anos que a impressão 3D deixou de ser uma curiosidade tecnológica para se tornar numa ferramenta comum no setor da construção. Se já tínhamos visto casas impressas e montadas em apenas alguns dias, o Japão foi mais longe: construiu uma estação de comboios completa em menos de seis horas.
Trata-se da nova estação de Hatsushima, situada em Arida, considerada pelos seus criadores como “a primeira estação ferroviária impressa em 3D do mundo”. Foi projetada pela empresa japonesa Serendix, em colaboração com o JR West Japan Group e o estúdio de arquitetura Neuob.
Imprimir, montar e inaugurar em tempo recorde
O maior desafio de construir estações junto a linhas ferroviárias ativas é o tempo disponível, já que é necessário interromper o serviço o mínimo possível. Por esse motivo, a maioria das obras tem de ser realizada durante a noite, quando os comboios não circulam.
A Serendix enfrentou esta limitação com uma solução radical: primeiro fabricou em atelier quatro grandes peças através de impressão 3D e, em seguida, montou-as no intervalo exato entre o último comboio da noite e o primeiro da manhã seguinte.
A cobertura da estação é composta por quatro elementos: um telhado arqueado, uma parede traseira e duas peças angulares que formam as paredes laterais e o chão. Estas foram impressas na vertical ao longo de sete dias, numa fábrica, utilizando um tipo especial de argamassa de secagem rápida. Posteriormente, foram reforçadas com barras de aço e betão, aumentando a sua resistência estrutural.
A grande surpresa chegou com a montagem: “A estrutura foi montada em apenas duas horas”, explica a Serendix. Este processo foi preciso e coordenado: as peças foram colocadas, inseriram-se varões metálicos nos pontos de ancoragem e fixaram-se com adesivo estrutural. O resultado: uma estação concluída antes do amanhecer, totalmente funcional, estável e construída com materiais duradouros.
A estação mede 6,3 metros de largura, 2,1 metros de profundidade e tem um telhado curvo que atinge os 2,6 metros de altura, criando um espaço compacto mas eficiente para os passageiros.
Curvas, mandarinas e peixes
Para além da rapidez na construção, o design do abrigo tira partido das possibilidades oferecidas pela impressão 3D. “Os designs arredondados são dispendiosos e difíceis de conseguir na construção em betão com cofres tradicionais”, explica Hiroshi Ota, fundador do estúdio Neuob. Por isso, a equipa optou por formas curvas suaves, que seriam impossíveis ou demasiado caras com técnicas convencionais.
Foram ainda incorporados relevos que representam dois produtos locais: as mandarinas e o peixe alfanje, símbolos característicos da cidade de Arida. “Expressámos as especialidades locais em relevo, o que é outra característica possível apenas com a impressão 3D”, sublinha Ota.
Outra inovação foi a orientação da impressão. Enquanto o habitual é gerar camadas horizontais, optou-se por imprimir as peças na vertical, o que “reduz a visibilidade das marcas de chuva e melhora as propriedades de manutenção do edifício”.
A estação abrirá ao público em julho, após a conclusão das obras exteriores e a instalação das portas de acesso. E a empresa já pensa no futuro: “Construir uma estação semelhante em betão armado levaria de um a dois meses, enquanto este método permite realizar muito mais obras em menos tempo e com menos pessoal.”
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