
O impacto das alterações climáticas está a reconfigurar não só as dinâmicas sociais e ambientais, mas também a forma como os mercados financeiros e os investimentos são percecionados. Segundo alguns estudos, as elevadas temperaturas não afetam apenas o bem-estar das populações, mas também introduzem maior volatilidade nos mercados bolsistas.
De acordo com Jane Smyth, climatóloga da Man Group, as ondas de calor extremo aumentaram em média 72 pontos base a volatilidade anualizada das ações nos Estados Unidos ao longo das últimas duas décadas.
Os riscos climáticos físicos, como as temperaturas extremas e os eventos meteorológicos severos, afetam diretamente setores como a indústria, as matérias-primas e as infraestruturas digitais, com impacto nas operações e avaliações de mercado, segundo Matt Goldklang, climatólogo da Man Numeric. Esta maior volatilidade exige, por parte dos investidores de longo prazo, uma revisão das estratégias de gestão de risco e dos modelos de alocação de ativos, recomenda.

Simultaneamente, o impacto das alterações climáticas é já uma realidade dramática para países como Tuvalu, no Pacífico Sul, onde a subida do nível do mar ameaça submergir 60% do território até 2050, conforme alertou o primeiro-ministro tuvaluano, Feleti Teo, citado pelo jornal Público. Para fazer face à iminente perda de território, mais de 80% da população de Tuvalu solicitou vistos climáticos para emigrar para a Austrália, no âmbito de um acordo pioneiro de migração climática assinado em 2024.
Este tratado, considerado pela Austrália como o “primeiro do seu género no mundo”, foi uma resposta ao apelo de Tuvalu, um país sem montanhas para onde a população pudesse deslocar-se, conforme referiu Teo durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano.
A situação de Tuvalu ilustra, segundo o Público, como as alterações climáticas não são apenas uma questão ambiental, mas também uma crise humanitária e geopolítica em curso.
Para os investidores, compreender estas dinâmicas é crucial, uma vez que fenómenos como secas severas no Brasil já estão a afetar a produção de café, açúcar e cacau, sublinha ainda Matt Goldklang. A utilização de dados científicos para mapear os efeitos do clima nos ativos financeiros é, por isso, cada vez mais vital. Como conclui Jane Smyth, "o risco climático não é uma ameaça distante. Está a transformar, neste preciso momento, a forma como entendemos os investimentos e o risco financeiro".
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