"Casa vermelha": diálogo sem ruído entre arquitetura, memória e natureza

Chr Tomters Veg, na Noruega, foi redesenhada pelo estúdio Rever & Drage, saindo do imaginário para ganhar formas contemporâneas.
Chr Tomters Veg
Tom Auger

É à quinta‑feira que o idealista/news abre as portas de mais uma casa de sonho, e desta vez, a viagem é até às florestas do norte da Europa, onde uma cor se tornou quase sinónimo de paisagem. 

Antes de ser tendência, o vermelho profundo das fachadas era uma solução prática: pigmentos de óxido de ferro baratos, resistentes à neve, à chuva e ao frio, acabaram por ganhar um estatuto de ícone cultural. Com o tempo, esse tom passou a encarnar a imagem da clássica “casa no bosque”, perdida entre árvores e neblina. Agora, uma nova geração de arquitetos volta a pegar nesse imaginário e a atualizá‑lo com formas e materiais contemporâneos. 

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É o caso de Chr Tomters Veg, em Rælingen, na Noruega: uma casa tradicional que foi ampliada e redesenhada precisamente nesse vermelho marcante, reforçando o diálogo entre arquitetura, memória e natureza.

Chr Tomters Veg
Tom Auger

O pedido partiu de uma família em crescimento que precisava de mais área habitável, mas não queria perder o carácter da casa onde já vivia. Para responder a esse desafio, o atelier Rever & Drage desenhou um diálogo entre a construção original e dois novos volumes que se articulam em seu redor, sem apagar a identidade histórica do conjunto.

A casa existente é preservada como núcleo do projeto. Construída em madeira, pintada no típico vermelho nórdico e com caixilharias brancas, mantém‑se praticamente intacta na sua organização interior e nas proporções exteriores, funcionando como ponto de ancoragem para as novas extensões.

Chr Tomters Veg
Tom Auger

O terreno, estreito, comprido e em declive entre duas estradas, condicionou desde logo a estratégia de ampliação. Em vez de acrescentar um único volume, os arquitetos optaram por distribuir o programa em duas novas construções, a norte e a sul da casa original. O resultado é um conjunto de três corpos alinhados, todos em tons de vermelho, separados por pequenos espaços verdes.

A extensão norte foi organizada em três níveis. O piso inferior, parcialmente enterrado, acolhe a garagem. Nos pisos superiores surgem um pequeno apartamento independente e um estúdio sob a cobertura. 

Este espaço de trabalho, descrito como um “atelier doméstico”, integra uma janela no vértice do telhado inclinado e um banco corrido, de onde se observam as vistas sobre a paisagem. O acesso a este volume faz‑se a partir de um pátio exterior pavimentado, mas também através de uma passagem subterrânea iluminada por uma claraboia, criando uma transição gradual entre as diferentes partes do conjunto.

A ampliação sul segue uma lógica distinta. A entrada faz‑se através de um jardim de inverno interior, com lareira e zona de estar. Este espaço intermédio funciona como filtro climático e social, ligando interior e exterior enquanto introduz vegetação no coração da casa.

Chr Tomters Veg
Tom Auger

O uso do vermelho não se limita a copiar a cor da casa original. Nas ampliações, o atelier introduz uma variedade de materiais dentro da mesma paleta cromática: madeira pintada, tijolo, telha e até superfícies de aço tingidas de vermelho. Esta mistura cria uma continuidade visual, mas evita a imitação literal, dando personalidade própria a cada volume.

As fachadas integram ainda painéis metálicos vazados, que “acrescentam uma camada subtil à frente do edifício e servem de suporte para plantas trepadeiras, suavizando o exterior, trazendo variação sazonal e ajudando a ligar os espaços verdes entre os três corpos”, explicam os arquitetos.

Chr Tomters Veg
Tom Auger

Como se percebe neste detalhe das fachadas, a vegetação desempenha um papel central no projeto. Entre os três volumes surgem dois espaços intermédios: um pátio exterior e um jardim de inverno interior. Estes “espaços trazem luz, plantas e mudanças sazonais para o quotidiano da casa”, sublinha o estúdio.

Com isso, o conjunto procura recriar uma imagem profundamente enraizada na cultura escandinava. “O diálogo entre os edifícios vermelhos e a vegetação envolvente evoca associações nórdicas intemporais: a casa vermelha na floresta, o cultivado e o selvagem, o doméstico e o natural”, concluem os arquitetos.

Chr Tomters Veg
Tom Auger

No interior, a paleta de materiais afasta‑se do vermelho do exterior para criar ambientes mais quentes e táctis. Carvalho, freixo claro, tijolo à vista e betão combinam‑se com superfícies pintadas e papéis de parede decorativos, com o objetivo de compor um espaço acolhedor, táctil e intemporal.

“Uma tarefa importante era combinar os detalhes clássicos com uma expressão mais moderna”, explicam os autores do projeto, que cruzam referências tradicionais escandinavas com um interior mais atual e depurado.

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