Boa Mistura: “Falta pedagogia para entender o graffiti como arte”

Coletivo artístico começou como crew de graffiti há 25 anos. Desde 2010, trabalha de forma profissional desde Madrid e tem obras de arte urbana pelo mundo.

No início deste século, um grupo de jovens grafiters madrilenos decidiu fundar a Boa Mistura, um coletivo artístico cujo trabalho de arte urbana pode hoje ser visto em várias partes do mundo: de Madrid a São Paulo, passando pela Cidade do México ou Berlim. Desde 2010 dedicam‑se profissionalmente ao "street art" e, atualmente, têm um atelier no bairro de Vallecas, na capital espanhola. É aí que pensam, desenham e preparam os projetos que depois levam para o espaço público.

As raízes deste coletivo de arte urbana estão no graffiti: começaram a pintar no bairro onde cresceram e isso deu‑lhes uma relação muito especial com a cidade, com o espaço público e com os vizinhos. "O graffiti é um tipo de arte que, na minha opinião, tem de existir e fazer parte do ADN urbano", defende Pablo Ferreiro, sócio‑fundador da Boa Mistura, em entrevista ao idealista/news.

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Agora, um dos projetos de Boa Mistura, “Libertá” (Liberdade em português), venceu o Prémio idealista de Arte Contemporânea 2026 e o artista explica que este trabalho premiado é especial porque representa uma mudança de paradigma. Pela primeira vez, a obra começou no interior do atelier de Madrid e terminou no exterior. Neste caso, numa casa abandonada no bairro milanês de San Siro, em Itália, onde vai nascer um centro comunitário. Lá ficará um mural em tijolo pintado com a mensagem que pretendem transmitir. 

"Com as palavras que escrevemos, tentamos também contrariar estigmas e ideias pré‑concebidas que o resto da cidade tem sobre determinadas zonas. É por isso que o nosso trabalho se situa, muitas vezes, na periferia", detalha o membro do coletivo artístico Boa Mistura.

O que é a Boa Mistura? Quando, como, quem e porque surgiu?

Somos, antes de mais, um coletivo de amigos. Éramos cinco vizinhos e fundámo-lo no bairro madrileno de Alameda de Osuna, em 2001. Desde 2010 dedicamo‑nos a isto de forma profissional, primeiro com um espaço, um atelier no centro de Madrid e, agora, aqui em Vallecas. É neste atelier que pensamos, desenhamos e preparamos todos os projetos que depois levamos para o espaço público.

Somos uma espécie de artistas urbanos, embora também façamos trabalho de atelier e muitas exposições, onde exploramos projetos híbridos que ligam o interior ao espaço público.

As nossas raízes são o graffiti. Viemos de pintar graffitis no bairro no início dos anos 2000 e isso fez‑nos criar uma relação particular com a cidade e com o espaço público. Por isso, praticamente todo o nosso trabalho se desenvolve nas cidades e no contexto urbano. Somos uma espécie de artistas urbanos, embora também façamos trabalho de atelier e muitas exposições, onde exploramos projetos híbridos que ligam o interior ao espaço público.

Boa Mistura
idealista/news

Como é trabalhar em coletivo? Como é o vosso processo criativo? É fácil ou difícil chegar a acordo?

A nossa prática é coletiva. Desde o início, desde que fundámos o coletivo em 2001 e começámos a pintar grandes murais no bairro, tivemos de nos sentar e chegar a consenso sobre tudo: da paleta de cores às composições, de uma forma muito instintiva. Com o tempo, essa prática comum deu‑nos experiência – tanto os anos de trabalho como o próprio exercício de decidir em conjunto.

A certa altura, com a bagagem de trabalhar internacionalmente, viajámos para a África do Sul. Tivemos ali uma experiência num contexto urbano periférico e muito degradado e, nesse lugar, surgiu a oportunidade de intervir num clube de ciclismo onde, felizmente, apareceu a participação da comunidade. Foi aí que passámos a integrar a participação no nosso modo de trabalhar: é outra maneira de ligar o projeto ao sítio onde é feito, porque são as próprias pessoas que tomam parte na execução.

Desde então, fomos envolvendo habitantes e vizinhos em diferentes fases dos projetos, com o objetivo de tornar cada intervenção mais completa e mais ligada à comunidade, na expectativa de gerar algum grau de empoderamento e transformar a relação que os moradores têm com o seu espaço público.

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Agora o coletivo é formado por três pessoas das cinco que o fundaram

Atualmente somos três dos cinco fundadores e, entretanto, fomos integrando mais pessoas que nos ajudam a levar os projetos até ao fim. São trabalhos complexos, que exigem muitas cabeças e muitas mãos, porque, em geral, são intervenções de grande escala que não conseguiríamos concretizar só nós os três. Precisamos dessa força humana extra para desenvolver os projetos.

Vamos envolvendo os habitantes e vizinhos em diferentes fases dos projetos, com o objetivo de tornar cada intervenção mais completa e mais ligada à comunidade, na expectativa de gerar algum grau de empoderamento e transformar a relação que os moradores têm com o seu espaço público.

E, pontualmente, quando há picos de trabalho e de produção, vamos envolvendo ainda mais gente, o que acaba por tornar os projetos mais interessantes: ganham mais vozes, são mais plurais e completos e permitem‑nos fazer coisas maiores. Há arquitetos, designers, licenciados em Belas‑Artes… um verdadeiro ecossistema criativo que enriquece o resultado final. As pessoas que vão entrando no estúdio trazem esta diversidade de perfis, todos ligados ao universo criativo, e ajudam a dar resposta às tarefas que temos pela frente.

Os vossos murais são inconfundíveis pelo uso da cor e pelos jogos de palavras. Como definiriam o vosso estilo artístico?

É difícil definir um estilo artístico. Já trabalhámos apenas a preto, apenas a branco e também com paletas de cor muito intensas. É verdade que a América Latina – e as viagens, em geral – enriqueceram muito a nossa paleta cromática e deram bastante identidade ao nosso trabalho.

Hoje, podemos dizer que parte do nosso ADN passa pela tipografia, pelas palavras, pela geometria e pela cor. Estes três pilares vão‑se combinando de formas diferentes em cada projeto, e os murais acabam quase sempre por procurar um certo grau de abstração. Partem da geometria inerente às letras, aos caracteres das palavras, e mantêm sempre esse fundo ligado ao significado do termo com que estamos a trabalhar, mas o resultado final são composições muito geométricas e cheias de cor.

Boa Mistura
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Que tipografia usam?

Fomos usando diferentes tipos de letra ao longo do nosso percurso. Mas trabalhamos sempre a tipografia que cada projeto pede. Quando queremos criar certos jogos geométricos, sobrepondo, por exemplo, letras ou palavras umas às outras, recorremos a tipos muito simples, que geram linhas limpas, puras, que se cruzam e vão criando essas geometrias, essas manchas de cor e esses planos que dão uma identidade tão própria aos murais.

Com as palavras que escrevemos, tentamos também contrariar estigmas e ideias pré‑concebidas que o resto da cidade tem sobre determinadas zonas. É por isso que o nosso trabalho se situa, muitas vezes, na periferia.

O que querem transmitir com as vossas obras? Qual é a mensagem?

Uau… Bom, como dizia antes, os projetos que fazemos estão intimamente ligados ao contexto, ao lugar onde são desenvolvidos. Os murais são pintados sobre uma parede. Essa parede não se pode mover, está ancorada a um contexto, a um bairro, a uma cidade. Por isso, para nós é importante estudar a identidade desse tecido urbano, perceber o que define aquele bairro e, de alguma forma, fazer um retrato: encontrar uma palavra ou um pequeno conjunto de palavras que funcionem como espelho da identidade desse sítio.

Muitas vezes trabalhamos em comunidades que carregam um relato construído pelas administrações ou pela sociedade em geral: um discurso de estigma, de estereótipos de marginalização. Com as palavras que escrevemos, tentamos também contrariar esses estigmas e essas ideias pré‑concebidas que o resto da cidade tem sobre determinadas zonas. É por isso que o nosso trabalho se situa, muitas vezes, na periferia.

Boa Mistura
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O graffiti é valorizado ou ainda falta muita pedagogia para se perceber este tipo de arte? Todo o graffiti é arte urbana, é arte?

O graffiti, ainda hoje, é um movimento muito vasto. Na verdade, o graffiti abrange muitas práticas diferentes, dentro do próprio graffiti e da arte urbana: vai desde um polo para o lado do vandalismo, cujo objetivo é basicamente escrever o teu nome e repeti‑lo vezes sem conta para ganhares espaço dentro do coletivo do graffiti, até intervenções mais conscientes do contexto, mais ligadas à cidade e ao resto dos cidadãos – que é, no fundo, a prática que nós desenvolvemos, porque integramos os trabalhos nas comunidades e nos bairros e dialogamos com eles.

Portanto, sim, ainda falta muita pedagogia para que a sociedade entenda o fenómeno do graffiti. Não digo “aceitar”, porque não vou ser ingénuo: há ramos do graffiti que provavelmente nunca serão aceites. Mas, para mim, é interessante que existam, porque funcionam como contraponto social e contra‑cultural ao establishment, à cultura já consensualizada com administrações e autoridades. Acho importante que estejam presentes e ofereçam outro olhar sobre a cidade.

E sim, acredito que há uma vontade artística e criativa. No fim de contas, é um miúdo ou uma miúda a escrever o seu nome de forma criativa, com vontade de criar do zero: pegar numa parede cinzenta e pôr lá o seu nome com cor ou com uma caligrafia mais ou menos elaborada. Para mim, isso é arte. Percebo que é uma forma de arte muito complexa e difícil de aceitar; por isso, também não espero que câmaras ou cidades a acolham de braços abertos. Mas é um tipo de arte que, na minha opinião, tem de existir e fazer parte do ADN urbano.

Vocês começaram já como coletivo, as vossas assinaturas eram coletivas, ou individuais?

Nós começámos individualmente. No bairro, cada um pintava o seu nome e travava a sua própria batalha, a sua guerra. Quando nos conhecemos e fizemos o primeiro mural em conjunto, houve ali uma ligação e decidimos criar uma crew de graffiti. Essa crew passou a chamar‑se Boa Mistura e foi esse o primeiro passo para nos libertarmos do ego individual, que muitas vezes pesa sobre artistas e grafiters.

Sentíamo‑nos muito mais confortáveis protegidos pela coletividade do que a colocar o nosso nome em destaque. E víamos que as obras que fazíamos juntos eram muito melhores do que aquilo que cada um de nós conseguiria fazer sozinho.

O grafitti é um tipo de arte que, na minha opinião, tem de existir e fazer parte do ADN urbano.

Sobre o que trata a vossa obra selecionada para o Prémio idealista 2026?

O projeto selecionado para o Prémio idealista chama‑se Libertá. É um trabalho que termina em Milão, mas que começou em Madrid. No nosso estúdio, aqui na Rua Monte Perdido, em Vallecas.

Ultimamente temos trabalhado sobre tijolo, um regresso às origens – afinal de contas, somos muralistas – e à essência do mural, que está justamente na unidade do tijolo como peça artística. Começámos a trabalhar murais a partir do atelier, no interior, pintando quase 900 tijolos. Criámos uma espécie de mosaico onde escrevemos a palavra “Libertá”.

Esses tijolos, pintados em estúdio, viajam depois para Milão para serem instalados numa antiga casa abandonada que será o futuro centro comunitário do bairro de San Siro. A forma de os instalar é vedando vãos: os arcos que são tapados ficam ligados entre si por essa palavra “Libertá”, escondida na composição de tijolos coloridos.

Contámos com o apoio da Fundação Terzoluogo, que será responsável por transformar essa ruína no novo espaço comunitário do bairro.

Boa Mistura
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E o que é que este prémio representa para vocês?

Para nós, este prémio representa sobretudo a oportunidade de concretizar este projeto. No fundo, deu‑nos a possibilidade de criar e de investigar esta nova linha em que estamos a trabalhar no estúdio, e de a levar até ao fim num projeto pensado de raiz, dos 0 aos 100, para ser executado e instalado no espaço público. Até agora não tínhamos tido a hipótese de o fazer desta forma, por isso é uma ocasião excelente para podermos experimentar com liberdade novas direções de trabalho. Achámos também que fazia todo o sentido usar o tijolo como matéria‑prima neste contexto específico. Foi um orgulho receber este prémio e poder desenvolvê‑lo.

E como é que isso se vai traduzir nos stands do idealista no Salão Imobiliário de Lisboa e no SIMA de Madrid?

Vamos levá‑lo sobretudo em formato de fotografia e vídeo, que mostram todo o processo de produção e execução do projeto: desde a criação, tijolo a tijolo, aqui no estúdio, até ao transporte e instalação em forma de mural, com cimento e com uma equipa de operários, lá no bairro de San Siro, em Milão.

Vamos também criar uma instalação que será uma espécie de réplica ou espelho do que foi colocado no espaço público. A ideia é ligar o bairro de San Siro ao stand do idealista através de um mural feito de tijolos. Uma dessas “janelas” ficará instalada dentro do próprio stand.

Já realizaram projetos em mais de 40 países, participaram exposições, bienais entre outros. Podem dizer‑nos alguns dos vossos trabalhos mais marcantes?

Posso falar, por exemplo, de Berlim, Alemanha. O mural que pintámos em 2009 foi uma das primeiras vezes em que ligámos a obra ao lugar de forma muito direta. Era uma parede enorme, ao lado do que restava do Muro de Berlim, e decidimos pintar um grande abraço entre duas pessoas, a simbolizar o encontro entre Leste e Oeste. Foi também em Berlim que, pela primeira vez, decidimos dedicar‑nos a isto profissionalmente: depois desse projeto abrimos o estúdio – e assim continuámos até hoje.

Quando entramos numa galeria, perdemos, de certa forma, uma parte da nossa essência. Se somos artistas urbanos e levamos o nosso trabalho para dentro de quatro paredes, o que acontece a esse lado público da obra? 

Outro projeto importante é o de São Paulo, Brasil. Luz nas Vielas é um trabalho que realizámos em 2012, no nordeste da cidade, na favela de Vila Brasilândia, na periferia. Foi uma das primeiras vezes que trabalhámos em bairros periféricos e também uma das primeiras experiências de trabalho participativo: envolvemos os moradores das ruas no processo, o que marcou muito a forma como passámos a abordar os projetos dali em diante.

Boa Mistura
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A Cidade do Cabo, África do Sul, é também um dos nossos projetos mais importantes. Diria até que foi o maior ponto de viragem que tivemos: em 2011 trabalhámos, quase por acaso, com os moradores, em especial com os miúdos que treinavam bicicleta num clube de ciclismo e, ao percebermos o sentimento de empoderamento, de orgulho que se gerou nesses jovens, foi a partir daí que começámos a estruturar a metodologia que nos tem acompanhado em muitos dos trabalhos seguintes.

Outro projeto marcante é Ubuntu, uma edição limitada de 90 impressões. É um trabalho que realizámos em 2023 e que funciona como projeto híbrido entre interior e exterior, relacionando o privado com o coletivo. No fundo, abriu uma linha de investigação quando passámos a trabalhar também em galeria.

Quando entramos numa galeria, perdemos, de certa forma, uma parte da nossa essência. Se somos artistas urbanos e levamos o nosso trabalho para dentro de quatro paredes, o que acontece a esse lado público da obra? O que acontece à nossa identidade, que passa por intervir no espaço da cidade? O que fazemos, então, são projetos que criam pontes entre interior e exterior, e o Ubuntu é um desses exemplos.

Lançámos um convite a vários colecionadores aqui no estúdio: criámos uma obra dividida em 36 sectores. Cada colecionador adquiriu um desses sectores e, no momento da compra, comprometíamo‑nos a pintar esse fragmento em algum ponto do mundo. No fim, trata‑se de uma única obra dividida em 36 partes, pintada em 36 lugares do planeta e ligada a 36 pessoas que também a têm em casa, na sua coleção privada.

E acho justo voltar a mencionar o projeto Libertá. No fim de contas, representa uma mudança de suporte muito importante: passamos de pintar em paredes exteriores para construir a nossa própria parede no atelier, para depois a desmontar e voltar a montá‑la noutra cidade europeia. É um caminho novo que se abriu e que vamos continuar a explorar, porque nos conquistou. Trabalhar sobre o tijolo prendeu‑nos mesmo, e agora vamos ver até onde é que isso nos leva no futuro.

Boa Mistura
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Onde é que têm mais obras neste momento? Concluídas e/ou em curso.

Vamos fazer um projeto interessante aqui em Madrid. Estamos em fase de desenvolvimento para o contexto de PhotoEspaña. No próximo mês de junho teremos também outro mural de grandes dimensões, que vamos realizar nos arredores de Madrid.

Para a semana seguimos para o México, para a Cidade do México, onde vamos pintar uns campos de basquetebol no bairro de Ecatepec. A verdade é que é um privilégio poder estar presente em vários sítios ao mesmo tempo, com diferentes equipas de execução.

O projeto “Libertá” (vencedor do Prémio idealista de Arte Contemporâneo 2026) representa uma mudança muito importante: passamos de pintar em paredes exteriores para construir a nossa própria parede no atelier, para depois a desmontar e voltar a montá‑la noutra cidade europeia. É um caminho novo que se abriu e que vamos continuar a explorar, porque nos conquistou. 

Isto é algo que o trabalho em coletivo nos oferece: dá‑nos a vantagem de nos podermos dividir e avançar com vários projetos em paralelo, sabendo que, enquanto estás a pintar na Cidade do México, há outra equipa aqui em Madrid, em Fuenlabrada, a desenvolver outro mural de que também te sentes “pai” e igualmente orgulhoso, mesmo que não tenhas colocado uma única gota de tinta nessa parede. Fazer parte de um coletivo é magnífico precisamente por isso: permite‑te sentir orgulho em tudo o que esse grupo cria.

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idealista/news

Onde é que se imaginam dentro de dez anos?

É uma pergunta que já nos fizeram várias vezes e é difícil de responder, porque, na verdade, vejo‑me aqui, sem uma grande “revolução”. Estamos a viver um momento fantástico. Sentimo‑nos muito confortáveis, temos um espaço onde podemos investigar, muitos projetos lá fora por concretizar e muitas cidades por descobrir.

Por isso, imagino‑me no mesmo sítio, mas com muito mais carimbos no passaporte.

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