Esta empresa constrói casas modulares que se adaptam à fase de vida

Ao idealista/news, o CEO da Viva Modular explica como o seu método de construção modular pode tornar a habitação mais acessível.
casas modulares
Casa modular fabricada na Ucrânia Viva Modular

Poucas ou raras pessoas conseguem usar o próprio nome para explicar o que fazem, mas existem. Dim Beton, é assim que começou por se chamar a empresa que produz módulos de betão isolado reutilizáveis na Ucrânia. Se desenrolarmos a palavra Dim, que traduzido em ucraniano significa ‘casa’, passa a Dimitriy, e para consolidar recorreu à palavra Beton, isto é, betão.

Mas a única coisa que viajou para Portugal foram os anos de experiência, conta-nos Dimitriy Kukharev, já que em terras lusitanas, o nome da empresa que arrancou em 2016 na Ucrânia, “era de difícil pronunciação”, então passou a chamar-se Viva Modular

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Na verdade, é isto que Dimitriy faz: adaptar-se. E não o fez só com o nome da empresa quando mudou de país, é precisamente isso que propõe com o seu método de construção. Acrescenta um módulo aqui e reduz dali dependendo das necessidades de cada família.

Em entrevista ao idealista/news, o CEO da Viva Modular explicou como funciona este método de construção modular. Poderá ser este um caminho que faça parte da solução para aumentar a oferta de habitação acessível? O engenheiro civil acredita que sim, mas avisa que há ainda trabalho a fazer.

De que forma o conceito da Viva Modular pode fazer frente aos problemas habitacionais?

construção modular em betão
Construção modular feita de betão na Ucrânia Viva Modular

As casas modulares têm-lhe associadas a rapidez de fabrico, ainda que o avanço dos projetos esteja dependente dos licenciamentos por parte das autarquias. Mas, mais do que uma construção rápida, Dimitriy Kukharev, defende que a sua ideia passa por “uma adaptabilidade de acordo com as necessidades de cada cliente com uma montagem e desmontagem de módulos”. Ora, mas o que quer isto dizer?

O conceito desenvolvido pelo engenheiro baseia-se tanto na possibilidade de iniciar com uma área mínima de habitação – que pode ser expandida ao longo do tempo –, como no inverso, isto é, na redução dos metros quadrados (m2) da própria casa, sendo possível desmontar uma parte dos módulos e, de acordo com Dimitriy, vendê-los. 

“Na Ucrânia, as pessoas constroem a casa e têm filhos, mas depois estes crescem e mudam-se para outro país. Então será, como resultado, uma casa de 200 metros quadrados apenas para duas pessoas”, começou por dizer. 

Além disso, acrescentou: “na minha perspetiva, isto pode ajudar a resolver o problema da habitação em qualquer país, porque começamos com uma parte e depois aumentamos, tornando-se por isso mais acessível. Uma casa de 22 m2 pode ser expandida até 136 m2 como uma única estrutura. Com o método tradicional isso é impossível, porque tens sempre de reconstruir, o que é mais caro do que construir uma casa nova”, disse. 

casas pré-fabricadas
Casa modular fabricada na Ucrânia Viva Modular

De acordo com Dimitriy, esta é a vantagem da construção modular, e antes mesmo que se sentem à mesa as dúvidas quanto à qualidade da estrutura dos módulos, que popularmente se consideram frágeis por comparação à construção tradicional, o engenheiro reitera: 

“Nós não estamos a oferecer uma casa modular, estamos a oferecer a construção modular de casas”, distinguiu, isto porque a Viva Modular produz módulos de betão. “Não é madeira ou metal, é uma casa normal, tem isolamento e um clima interior normal, é uma casa ‘tradicional’, mas o sistema é que monta os módulos”, salientou.

Embora Dimitriy, já se tenha conformado com a “burocracia nas Câmaras Municipais”, defende, no entanto, que os períodos demorados para fazer nascer habitações se devem, sobretudo, aos “métodos tradicionais”.

Casas são feitas de betão: como é garantido o isolamento?

viva modular construção modular
Construção modular feita de betão na Ucrânia Viva Modular

O inverno rigoroso que se faz sentir na Ucrânia obriga os engenheiros civis a saber calcular corretamente o isolamento necessário para as casas, conta-nos o CEO da Viva Modular. Mas Dimitriy quis ir mais além e criou um módulo de betão isolado especial para montagem rápida de casas desde 15 metros quadrados até 5.000 m².

É o próprio que reconhece que, apesar de o betão ser estruturalmente muito resistente, é também um material “fraco em termos de isolamento”. Por este motivo combinam o betão como elemento estrutural, com camadas de isolamento acústico e proteção térmica.

Segundo o engenheiro, que está instalado no Porto, as casas antigas em território português não estão preparadas para o frio, nem para o calor, e a maioria dos portugueses está insatisfeita com o conforto térmico do seu lar. Pelo que a proposta desta empresa passa por oferecer um nível de isolamento mais elevado – o que tanto é vantajoso para o inverno, como para os dias ensolarados de verão. 

“Visitei parques como a Orbitur e perguntei quanto gastam em ar condicionado no verão, responderam-me que está sempre ligado porque o ar entra e sai facilmente”, referiu, “aqui é diferente”, frisou referindo-se ao isolamento das construções da Viva Modular.

Demonstração pode desarmar o ceticismo?

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Construção modular feita de betão na Ucrânia Viva Modular

Também Dimitriy é refém dos atrasos com licenciamentos e das desconfianças que fazem torcer o nariz. Neste momento encontra-se em diálogo com as fábricas já instaladas em solo nacional para, por um lado explorar o que já existe e, por outro, tentar produzir o seu molde numa dessas fábricas.

Questionado sobre as razões que o levam a dirigir-se a terceiros, ao invés de abrir a própria fábrica, o engenheiro esclarece: “porque abrir uma fábrica própria exige muito tempo: licenciamento, terreno, construção e eu quero mostrar o produto o mais rápido possível, por isso, visitei várias e propus uma parceria: eu ofereço conhecimento, eles oferecem produção. Uma situação de benefício mútuo”.

Mas quando e se a resposta chegar a ser positiva, terá de solucionar um outro problema: encontrar um espaço para poder colocar uma casa modelo e explicar a sua ideia que já foi posta em prática em 7 habitações na Ucrânia, as mesmas cujos proprietários até hoje lá vivem.

“Estamos a tentar resolver isso também, negociámos com várias imobiliárias, como Remax, Century 21 ou ERA, para encontrar terrenos que possamos arrendar por meio ano ou um ano, para colocar uma casa de demonstração, já que depois podemos desmontá-la. Mas infelizmente, muitos proprietários não percebem que podem arrendar o terreno e, passado um ano, a casa será removida. É uma questão de mentalidade”, comentou.

Neste bater de porta a empresas nacionais, Dimitriy chegou mesmo a conversar com a Mota Engil que lhe respondeu que “Portugal ainda não tem tanto conhecimento comparativamente a países como Itália, Alemanha ou Finlândia neste tipo de construção pré-fabricada”, contou o engenheiro, e por isso, preferem jogar pelo seguro.

Ao que o CEO da Viva Modular, pouco contundente, lhes retrucou: “sem problema, estou aqui para ajudar”, isto porque acredita que o mercado está pronto.

“Portugal já conhece a pré-fabricação industrial – colunas, vigas, lajes – mas para habitação ainda é muito básico. Em países como Itália, por exemplo, vês muitas casas modulares em betão. Gostava que Portugal evoluísse nesse sentido”, sublinhou. “Mas países com tradição levam tempo a adaptar-se, por isso quero mostrar uma casa modelo para que as pessoas vejam como funciona”, prosseguiu.

Mais tarde ou mais cedo, Dimitriy e a construção modular, terão a sua vez, ou pelo menos, é nisso que deposita a sua fé: “É como a inteligência artificial: podes rejeitar, mas ela está a avançar todos os dias. A mentalidade não é o problema, precisa apenas de tempo”, rematou.

6 Comentários:

Ferreira
29 Junho 2026, 17:14

Adoro o modelo de negocio e as pessoas são fantásticas!

Anabela Mendes
29 Junho 2026, 20:59

A construção modular está a ganhar relevância em Portugal, com várias entidades públicas a analisarem soluções rápidas e sustentáveis para responder aos desafios da habitação. O conceito da Viva Modular, baseado em módulos de betão altamente isolados e adaptáveis às diferentes fases da vida, representa uma evolução importante face aos modelos tradicionais. A combinação entre eficiência térmica, rapidez de execução e possibilidade de ampliar ou reconfigurar a casa ao longo do tempo é particularmente relevante no contexto atual. A instalação de uma casa modelo em Portugal será decisiva para demonstrar o potencial desta abordagem e acelerar a aceitação do mercado. É positivo ver empresas a trazerem inovação real para o setor.

Muito obrigado pelo seu comentário! Gostaria apenas de acrescentar que esta tecnologia não se limita a casas unifamiliares. É um sistema escalável que permite construir desde pequenas habitações até edifícios residenciais multifamiliares com quatro pisos, utilizando a mesma tecnologia construtiva.

nunormoliveira
30 Junho 2026, 13:18

Parabéns pelo artigo Dimitriy! Um abraço

Lyoka
30 Junho 2026, 15:24

O futuro passa pelas casas modulares. São soluções rápidas, energeticamente eficientes e altamente flexíveis, que permitem responder às necessidades de habitação sem obrigar as pessoas a esperar vários anos por um projeto tradicional de construção.

Este tipo de construção pode trazer mais mobilidade, maior controlo de custos e uma resposta mais ágil à procura por habitação. No entanto, seria importante que as entidades governamentais revissem e simplificassem o enquadramento legal aplicável a estes projetos.

Uma legislação mais clara, simples e adaptada à realidade das casas modulares poderia acelerar este tipo de construção e torná-la uma alternativa mais acessível, prática e sustentável para muitas famílias.

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