ANA quer dividir construção do novo aeroporto de Lisboa em cinco lotes

Desses cinco lotes, o terminal de passageiros será o maior contrato, absorvendo 44% do orçamento previsto.
Aeroporto
Unsplash

A ANA – Aeroportos de Portugal quer dividir a construção do novo aeroporto de Lisboa em cinco lotes, permitindo abrir várias frentes de obra em simultâneo e controlar melhor riscos, prazos e custos. A concessionária estima que o investimento se situe entre 7,9 e 8,9 mil milhões de euros, a preços do final de 2024, mas avisa que a inflação na construção pode tornar a fatura mais pesada nos próximos anos.

Desses cinco lotes, o terminal de passageiros será o maior contrato, absorvendo 44% do orçamento previsto, de acordo com o Jornal de Negócios. Os restantes lotes abrangem os trabalhos preparatórios, com um peso de 8%, as infraestruturas do lado ar, com 19%, as infraestruturas do lado terra, com 11%, e as instalações auxiliares e redes técnicas, que representam 18%. A ANA considera que esta divisão permite distribuir os riscos entre diferentes contratos, aumentar a concorrência e atrair empresas portuguesas e internacionais com competências especializadas.

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O modelo em análise prevê contratos EPC (Engineering, Procurement and Construction), nos quais cada empreiteiro ou consórcio assume de forma integrada o projeto de execução, o aprovisionamento e a construção do respetivo lote. Para a concessionária, esta solução poderá dar maior previsibilidade aos custos e ao calendário, além de facilitar a mobilização de subempreiteiros e fornecedores especializados. Ainda assim, a configuração definitiva do novo Aeroporto Luís de Camoões pode mudar em função da evolução do desenho, das condições do mercado e das conversas com potenciais construtores.

Para assegurar a entrada em operação em meados de 2037, a ANA pretende iniciar os procedimentos de contratação dos lotes mais estratégicos antes da candidatura formal ao novo aeroporto, prevista para janeiro de 2028. A concessionária admite ainda que as propostas e, eventualmente, algumas adjudicações possam ocorrer antes da aprovação final do Estado, apontada para abril de 2029. Nos contratos críticos, o diálogo concorrencial surge como a solução preferida, enquanto os restantes lotes poderão seguir outros procedimentos de contratação pública.

Inflação pode agravar custo do novo aeroporto

Aeroporto de Lisboa
Sharon Hahn Darlin, CC BY 2.0 Creative commons

O intervalo de 7,9 a 8,9 mil milhões de euros inclui os custos de engenharia, aprovisionamento e construção, bem como as despesas da concessionária e as contingências já identificadas. No entanto, segundo a mesma fonte, a estimativa ainda não contempla eventuais compensações ambientais, medidas de mitigação impostas pelo licenciamento ou exigências arquitetónicas adicionais.

O teto de 8,9 mil milhões corresponde ao valor de referência calculado pela consultora AECOM, enquanto os 7,9 mil milhões representam uma redução que a ANA classifica como “ambiciosa, mas realista”.

A concessionária alerta, porém, que a inflação dos materiais e serviços de construção pode continuar a subir devido às tensões geopolíticas, aos problemas nas cadeias de abastecimento e à volatilidade dos mercados. Além do risco financeiro, persistem diferenças no calendário. 

A ANA aponta para obras entre meados de 2030 e o final de 2036, com abertura em 2037, enquanto o Estado prevê começar em 2029, concluir em 2033 e inaugurar o aeroporto a partir de 2035.

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