Mais de um quarto da costa continental portuguesa está a recuar, com o mar a avançar vários metros por ano, principalmente nas zonas mais críticas. Um novo relatório da Greenpeace alerta que as alterações climáticas estão a acelerar a erosão, mas atribui também parte do problema à construção, à pressão turística e a décadas de mau ordenamento do litoral.
Segundo relatório Destruição a Toda a Costa — Retrato de um Litoral Português em Risco, citado pelo Público, o nível médio do mar em Cascais subiu 9,7 centímetros nos últimos 25 anos e atingiu um máximo histórico em 2024. Em Espinho, a linha costeira recuou 5,2 metros por ano entre 2010 e 2023, enquanto a praia de Viana do Castelo perdeu 30% da sua dimensão desde 1990.
O cenário é particularmente preocupante no Alentejo e no Algarve, onde 40% das praias naturais poderão desaparecer até 2100 sem medidas urgentes. Na Península de Setúbal, a ocupação de áreas sensíveis e a fragmentação de habitats expõem o conflito entre urbanização, conservação e acesso público ao litoral. Nas regiões autónomas, a Greenpeace alerta ainda para o risco de perda de infraestruturas costeiras na Madeira e para danos em ecossistemas marinhos nos Açores.
Perante este quadro, a organização ambientalista defende uma moratória à construção em zonas vulneráveis à erosão, inundação ou instabilidade de arribas. Propõe também a revisão de planos municipais, o restauro e a renaturalização da costa, a remoção de barreiras no acesso às praias e, quando necessário, a relocalização de infraestruturas que já não possam permanecer em segurança.
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