Projeto imobiliário coloca Rui Costa na “lista negra” do BdP

Presidente do Benfica está sinalizado por crédito vencido ligado ao Dream Living, condomínio de luxo em Carnaxide avaliado em 45 milhões de euros.
Rui Costa
Rui Costa, presidente do Sport Lisboa e Benfica Getty images

O atual presidente do Benfica, Rui Costa, está sinalizado na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal devido a prestações vencidas num financiamento associado ao Dream Living, condomínio de luxo em Carnaxide. O empresário é acionista da promotora 10 Invest, que contraiu junto do Banco Montepio vários empréstimos destinados à aquisição dos terrenos, à construção e ao reforço de tesouraria.

Os créditos contratados superavam inicialmente os 20 milhões de euros e o incumprimento terá começado em maio. Segundo o Observador, a empresa já terá amortizado cerca de sete milhões, mas o capital ainda em dívida ronda os 14 milhões. Somados os juros de mora e outros encargos, a responsabilidade total perante o Banco Montepio ultrapassa os 15 milhões de euros. Rui Costa terá prestado um aval pessoal, assumindo a obrigação de responder pelo pagamento do capital e dos juros.

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A 10 Invest garantiu à mesma fonte que não houve qualquer execução de hipotecas e que a relação com o banco decorre “dentro da normalidade”, no contexto da gestão de um empreendimento desta dimensão. A empresa acrescentou que as garantias prestadas ultrapassam largamente o crédito, embora não tenha desmentido o incumprimento. De acordo com o jornal, Rui Costa está a tentar renegociar a dívida e o respetivo plano de pagamento com o Montepio. Uma eventual regularização não será refletida imediatamente na Central de Responsabilidades de Crédito, uma vez que dependerá do tratamento e da comunicação dos novos dados pelo banco.

O Dream Living, avaliado em 45 milhões de euros, é composto por dois conjuntos residenciais, com seis edifícios e 90 apartamentos entre T1 e T5. As obras sofreram atrasos desde a pandemia e os dois lotes encontram-se em fases diferentes, estando um praticamente concluído e habitado, enquanto o outro ainda apresenta trabalhos por terminar. A 10 Invest assegura que o empreendimento está na fase final e será concluído “muito em breve”. As contas de 2024 mostram, contudo, faturação nula, prejuízos de 21.398 euros e 668 euros em caixa e depósitos, apesar de a sociedade deter ativos avaliados em 36,7 milhões de euros.

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