Desde os tempos mais remotos que as cozinhas são lugares de fusão. Quer se trate da casa do forno da quinta, da cozinha aberta da casa de campo ou da kitchenette do apartamento citadino, o mais certo é que seja aqui que se encontram as diferentes gerações para fundir histórias, sabores e saberes. Este carácter multifacetado faz da cozinha um lugar único e atualmente um dos mais valorizados nas casas. Mas será que as cozinhas sempre tiveram este papel? O que nos diz a história e como devemos projetar a cozinha para melhor servir os nossos interesses?
Nos primórdios da humanidade as cozinhas eram o epicentro da atividade doméstica. Era à volta da fogueira que a tribo se unia para partilhar histórias e confecionar os alimentos. Muito anos mais tarde, já na renascença, as cozinhas são remetidas para os “subúrbios”. Muitas vezes longe dos aposentos principais, em locais escuros, frios e com poucas condições, é onde os criados ou escravos preparam os banquetes para os senhores, tal como explica Catarina Diniz, da Staging Factory, neste artigo escrito para o idealista/news.
No entanto, e muitos cozinhados depois, a cozinha volta ao epicentro da casa. Com o avanço da urbanização e a necessidade de eficiência em escala, surge, em 1926, a chamada "cozinha de Frankfurt". Inspirada no taylorismo, a cozinha é desenhada com base na eficiência e funcionalidade: tudo o que é importante devem estar ao alcance das mãos e os eletrodomésticos otimizam o processo de trabalho. É a origem da moderna cozinha urbana (ainda assim pequena e meio escondida).
Esta cozinha tem por isso as suas limitações: segrega a cozinha do ambiente social e é muito pouco flexível: é tão pequena que não permite a presença simultânea de duas pessoas nem possibilita fazer refeições no local.
Um exemplo de uma cozinha totalmente aberta e integrada na sala de estar. Em vez de se fechar a cozinha, fechou-se e limitou-se a área privada do quarto, impossibilitando o fumo e os odores de entrar mas mantendo toda a luz natural e total integração do espaço.
Cozinhas abertas: o coração da vida social da casa
A verdadeira revolução dá-se quando surge a ideia das cozinhas abertas. Com a falta de empregados, o papel de preparar refeições passa a ser desempenhado pela dona de cada. E rapidamente surge a necessidade de integrar quem trabalha com quem se diverte. Os espaços confinados e isolados são assim substituídos por ambientes abertos que integram a cozinha na sala de estar. Estas mudança trazem também inovações a nível estético: uma atmosfera acolhedora, que promove a integração da atividade social com a culinária, promovendo um estilo de vida mais sociável.
Abandona-se a esterilidade e o isolamento em prol dos materiais mais nobres e naturais como as superfícies de pedra e madeira e o uso de cores vibrantes ou até mesmo tecidos. Estas mudanças estéticas promovem a cozinha ao coração da vida social da casa, fomentando o convívio.
MARÉ CHEIA: Uma kitchenette dentro de um armário que funciona como parede da sala e oculta totalmente o espaço de trabalho. A opção ideal para espaços pequenos e em casos em que a cozinha não é muito utilizada como no caso das casas de habitação secundária.
Como tudo, para além das vantagens, esta tendência traz alguns inconvenientes: a propagação do barulho, fumos e odores pela casa. Para solucionar esses problemas, uma das abordagens eficaz é a instalação de portas de correr. Estas portas permitem separar a cozinha do espaço social ao mesmo tempo em que possibilitam uma total integração quando abertas.
O certo é que o design das cozinhas foi evoluindo ao longo dos anos e foi-se adaptando aos diferentes interesses e estilos de vida dos proprietários e promotores imobiliários. Entre as opções mais populares, destacam-se kitchenettes (permitem otimizar o espaço de construção já que não carecem de janelas diretas para a rua), as cozinhas abertas e as totalmente fechadas. Cada uma das opções possui características distintas que podem influenciar a funcionalidade, a estética e a interação com outros ambientes. Vamos detalhar algumas das vantagens e desvantagens das cozinhas abertas, uma das tendências que melhor se adapta aos estilos de vida atuais.
Vantagens
- Integração e sociabilidade: As cozinhas abertas proporcionam uma sensação de união, permitindo interação social enquanto se preparam as refeições. É a opção que melhor facilita a socialização entre familiares e convidados, tornando-se um ponto central para encontros e eventos.
- Fluxo e circulação: Ao eliminar as barreiras físicas entre a cozinha e os espaços adjacentes, a circulação se torna mais fluida. Isso permite que as pessoas se movam livremente entre os ambientes, contribuindo para uma sensação de amplitude e conectividade.
- Iluminação e sensação de espaço: Cozinhas abertas geralmente beneficiam da luz natural proveniente das áreas adjacentes, criando uma sensação de espaço aberto e luminosidade. Isso pode ajudar a tornar o ambiente mais convidativo e agradável.
MUDA - Opção de uma cozinha semi fechada mas totalmente integrada e ligada com o espaço social.
Desvantagens
- Odores e ruídos: Uma das preocupações com as cozinhas abertas é a possibilidade de que os odores provenientes da preparação dos alimentos se espalhem pela sala de estar. Além disso, o ruído gerado durante a confeção das refeições, dos eletrodomésticos ou durante a fase de limpeza propaga-se pelos outros espaços, o que é sempre um inconveniente.
- Manutenção e organização: Uma cozinha aberta requer uma atenção especial à organização e limpeza, uma vez que está mais exposta aos outros ambientes. Manter a cozinha arrumada e organizada torna-se essencial para manter uma estética agradável e convidativa.
- Privacidade e separação: Em ocasiões em que é necessária privacidade ou separar a cozinha do restante da casa, como durante uma festa ou quando se deseja esconder o caos depois do banquete, uma cozinha aberta pode não oferecer essa opção.
- Estética: Uma cozinha aberta tem que ser desenhada para integrar os restantes ambientes. Tem que haver muito cuidado a nível estético e uma escolha criteriosa de todos os equipamentos e revestimentos para que se tenha a sensação de ter a cozinha na sala. Deve ser desenhada de forma a haver equilíbrio e fluidez entre a decoração dos diversos ambientes.
Embora as cozinhas abertas apresentem desafios, como a necessidade de organização e o controlo de odores, acreditamos que as vantagens superam as desvantagens. Esta opção oferece uma sensação de integração e sociabilidade, permitindo que a preparação das refeições se torne um momento social e de união que reforça os laços familiares e as amizades.
No entanto, a verdade é que a escolha da cozinha ideal está intrinsecamente ligada à dinâmica social que melhor responde a cada família e às necessidades, preferências e estilos de vida de cada uma. O ideal é encontrar um equilíbrio entre a funcionalidade, a dinâmica social pretendida e a estética.
À medida que avançamos em direção ao futuro, a cozinha aberta continuará a evoluir, adaptando-se às necessidades em constante mudança. Independentemente das tendências de design e layout, uma coisa é certa: a cozinha terá sempre um lugar de destaque nas nossas casas, pois as refeições são por excelência o momento onde encontramos conforto, amor e alegria.








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