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Como aumentar a liquidez das empresas e aliviar a pressão nas tesourarias

Há algumas medidas imediatas que se podem pôr em prática para fazer frente ao impacto da pandemia do Covid-19.

Photo by Amanda Jones on Unsplash
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Autor: Redação

O Governo lançou um pacote de medidas de apoio às empresas para ajudar a enfrentar os desafios e impacto da pandemia do novo coronavírus nos negócios, e assim aliviar a pressão nas tesourarias. Já foi alargada, de resto, a linha de crédito disponível a todos os setores de atividade. Ainda assim, e porque todas as ajudas são poucas, há outras coisas que as empresas podem fazer para aumentar, ou pelo menos tentar equilibrar, a sua liquidez.

Alguns especialistas e consultores de gestão ouvidos pelo Jornal de Negócios enumeraram um conjunto de linhas mestras que podem servir de fio condutor para aquilo que as empresas também podem e devem fazer por sua conta e risco. Eis algumas desta lista, que agora reproduzímos.

Necessidade de prever fluxos de entrada e saída

Dizem os especialistas que é importante prever ou simular os diversos cenários e o impacto nos fluxos de entrada e saída de 'cash' ("cash flow forecast"), de forma a evitar ruturas que possam pôr em risco o negócio.

Opções de financiamento alternativas

Para algumas algumas empresas “fará sentido repensarem a sua estratégia de financiamento, para se reorganizarem sem comprometer o negócio nem a sustentabilidade da dívida. Existem no mercado instrumentos e fundos de dívida que se podem adaptar a esta situação que estamos a viver, por terem liquidez e criatividade para desenhar soluções à medida", refere António Júlio Jorge, sócio da Deloitte.

A importância do “chash office”

Esta é, segundo os especialistas, uma das melhores práticas a adotar – pelo menos no que diz respeito aos processos de gestão de liquidez. Para isso, Carlos Barradas, diretor da BCG Portugal, aconselha que se monte uma equipa responsável por monitorizar a posição de liquidez, preparar um mapa de previsão de necessidades para o curto e médio prazo com cenários e revisão diária, definir prioridades nos pagamentos, assegurar a implementação de ações de liquidez e executar análises de variância, ao mesmo tempo que avança com ações corretivas em caso de desvios.

As ações a curto e médio prazo

Carlos Barradas disse ainda ao Negócios o que pode ser feito num curto e médio prazos. De imediato, diz, podem ser implementadas medidas como ajustes voluntários de salário ou o incentivo a cobranças e, a médio prazo, ações como a venda de ativos não críticos, a colocação agressiva ou promocional de stocks, operações de "sale & lease-back", a implementação de programas de redução de custos ou a renegociação de termos com clientes e fornecedores.

Gestão de créditos e foco na cobrança

Luís Salvaterra, diretor-geral da Intrum Portugal, incentiva as PME, por exemplo, a começarem a tratar as cobranças "de forma profissional", a "agir prontamente, tendo em conta a proporcionalidade da situação" e, por outro lado, a "fortalecer a relação com os clientes, adequando o processo de crédito com base no comportamento e capacidade de pagamento".

Pedir reembolso de IVA

Afonso Arnaldo, sócio da área fiscal da Deloitte, aconselha que as empresas ponderem o pedido de reembolso de todas as situações de crédito de IVA perante o Estado, bem como acelerar a periodicidade destes pedidos (mensais ou trimestrais) caso sejam recorrentes.

Moratória no crédito

Todas as empresas, independentemente da dimensão, sem dívidas ao Fisco e Segurança Social e que não estivessem em situação de insolvência ou já em mora ou incumprimento de prestações há mais de 90 dias podem beneficiar da prorrogação por seis meses dos créditos à banca. 

Lay-off

Uma medida que pode “ajudar” nos salários. Recorde-se que o lay-off simplificado permite suspender o contrato de trabalho ou reduzir o horário, com cortes salariais e apoios do Estado. O trabalhador tem direito a dois terços da retribuição normal bruta, com o limite mínimo de 635 euros e máximo de 1.905 euros, sendo 70% suportada pela Segurança Social e 30% pelo empregador, que não paga taxa social única.

Diferir impostos e contribuições

O Governo aprovou um conjunto de medidas que permite aliviar as empresas durante três meses, nomeadamente ao nível do cumprimento de algumas obrigações fiscais, como o pagamento especial por conta; a possibilidade de pagamento fracionado de impostos e contribuições; e o diferimento do pagamento de contribuições sociais. Também foram suspensos, por três meses, os processos de execução fiscal e contributiva.