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Como resistem as empresas à pandemia? As que têm perfil exportador reagem melhor

INE e BdP, COVID-IREE
INE e BdP, COVID-IREE
Autor: Redação

As empresas com perfil exportador estão a resistir melhor ao impacto económico da pandemia do novo coronavírus quando comparadas com as que não têm essa vocação. Esta é uma das conclusões a retirar do inquérito semanal do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Banco de Portugal (BdP), divulgado esta terça-feira (28 de abril de 2020), que acompanha o impacto da Covid-19 nas empresas.

“A percentagem das empresas com perfil exportador que referiu diminuições do volume de negócios e do pessoal ao serviço foi ligeiramente superior à média, mas as reduções reportadas foram relativamente menores. O recurso ao layoff simplificado foi assinalado por 47% destas empresas (57% nas empresas sem perfil exportador)”, conclui o INE.

Segundo o inquérito, que abrange a semana passada (20 a 24 de abril de 2020) e inclui respostas de 5,8 mil empresas representativas do tecido empresarial, no geral, as exportadoras apresentam indicadores mais favoráveis, em comparação as outras empresas, apesar de também estarem a sofrer significativamente os efeitos da pandemia. Por exemplo, a percentagem de empresas com perfil exportador que continua em movimento é maior que as que não têm perfil exportados: 88% contra 82%.

INE e BdP, COVID-IREE
INE e BdP, COVID-IREE

Síntese de resultados do inquérido realizado na semana de 20 a 24 de abril de 2020:

  • Cerca de 83% das empresas respondentes mantinham-se em produção ou em funcionamento, mesmo que parcialmente. Por setor, esta percentagem continua a ser significativamente mais baixa no Alojamento e restauração (41%). Nas empresas com perfil exportador registou-se uma menor proporção de empresas encerradas (temporária e definitivamente);
  • Uma proporção significativa das empresas respondentes referiu ter adaptado a sua atividade devido à pandemia, através da diversificação ou modificação da produção ou através da alteração ou reforço dos canais de distribuição (27% e 20%, respetivamente);
  • 80% das empresas respondentes continuaram a referir que a pandemia implicou uma diminuição do volume de negócios (proporção igual à apurada na semana anterior), numa grande parte (39%) a redução foi superior a 50% do volume de negócios, refletindo sobretudo a ausência de encomendas/clientes e as restrições no contexto do estado de emergência;
  • 59% das empresas reportaram reduções do pessoal ao serviço efetivamente a trabalhar, sendo que 26% referiram uma redução superior a 50%. Face à semana anterior, verificou-se uma maior proporção de empresas a identificar o layoff simplificado como o principal fator para a redução do pessoal ao serviço (54% face a 52%);
  • A percentagem de empresas com perfil exportador que assinalou diminuições do volume de negócios e do pessoal ao serviço foi ligeiramente superior, mas as reduções reportadas foram relativamente menores;
  • A percentagem de empresas (em funcionamento ou temporariamente encerradas) que já beneficiou de outras medidas anunciadas pelo Governo, para além do layoff simplificado, aumentou ligeiramente face à semana anterior, mas continuou a ser reduzida. A percentagem de empresas que planeia beneficiar registou uma diminuição na última semana, enquanto a proporção de empresas que continua a não prever o recurso a medidas de apoio aumentou, atingindo proporções entre 48% e 59%, consoante a medida.