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O que explica as diferenças da recessão entre Portugal, Espanha e Itália - segundo Bruxelas

A crise deverá afetar os países de forma diferente, nomeadamente os do sul da Europa que, por definição, partilham muitas características semelhantes.

Photo by Pedro Santos on Unsplash
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Autor: Redação

A pandemia da Covid-19 terá efeitos nefastos nos mercados de todo o mundo. E a Comissão Europeia prevê uma recessão sem precedentes que afetará, ainda assim, os países de forma diferente, nomeadamente os do Sul. Espanha e Itália deverão ver o PIB cair mais de 9% em 2020, mas para Portugal as previsões apontam para uma queda que não deverá chegar aos 7%. Afinal, o que explica estas diferenças, se estas economias têm características semelhantes?

Os números divulgados por Bruxelas mostram, desde logo, que o consumo privado vai cair quase o dobro em Espanha e Itália, em comparação com Portugal, assim como o investimento. Essa é uma explicação, segundo a análise do ECO, mas também há outras, nomeadamente a forma como a pandemia afetou cada país – Espanha e Itália foram dois dos países mais afetados – e o próprio mercado de trabalho, que será, de resto, aquilo que explica a maior diferença entre países.

De acordo com as conclusões da Comissão Europeia, citadas pela publicação, Espanha tem uma “elevada percentagem de contratos temporários” enquanto Itália “tem uma relativamente elevada proporção de trabalhadores por conta própria”. Estes dois tipos de trabalhadores estão “mais vulneráveis” e têm, por isso, maior probabilidade de verem “reduções significativas no rendimento” durante a contração económica. A análise aponta ainda para uma redução do emprego de 3,4% em Portugal, de 8,7% em Espanha, e de 7,5%  em Itália, outros números que mostram o mercado português a ser menos afetado.

No relatório, no qual Bruxelas analisa as economias, é dito, de resto, que a economia italiana vai entrar numa “profunda recessão”, que para Espanha se antecipa uma “contração sem precedentes”, e que em Portugal se antecipa e o consumo privado irá cair “a um ritmo mais baixo do que o PIB uma vez que as medidas de apoio vão compensar parcialmente a queda do rendimento dos agregados familiares”.