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Zmar: forma como imigrantes foram transferidos foi “uma falta de respeito”

A diretora do alojamento do complexo turístico considera que a transferência foi uma “invasão por forças de segurança munidos de cães”.

https://www.zmar.eu/
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Autor: Lusa

Apenas seis dias depois de o Governo ter requisitado a “totalidade dos imóveis e dos direitos a eles inerentes” do Zmar Eco Experience, em Odemira, procedeu-se à transferência de imigrantes para o complexo turístico na madrugada desta quinta-feira (6 de maio de 2021). A forma como o processo foi levado a cabo tem gerado indignação. A diretora do alojamento, Sandra Ferreira, classificou a transferência como “uma desorganização total e uma falta de respeito”.

O processo de realojamento iniciou-se às quatro da madrugada de quinta-feira, tendo sido transferidas para aquele espaço 28 pessoas, incluindo três crianças, que vivem hoje sem as devidas condições de habitabilidade. Todas estas pessoas tiveram testes negativos para o novo coronavírus SARS-Cov-2, que provoca a doença Covid-19.

Em declarações à porta do resort, Sandra Ferreira questiona: “Qual a necessidade, pela calada da noite, de fazerem a mudança de alojamento?”. E considera que a transferência foi uma “invasão por forças de segurança munidos de cães” realizada depois de ter contactado várias vezes as autoridades locais, incluindo a proteção civil municipal e a GNR, para garantir a transferência dos imigrantes, disse aos jornalistas.

Sobre o cenário que se viveu no interior do complexo turístico ao amanhecer, a responsável disse que “a manhã foi de silêncio". "As imagens que vi esta manhã [6 de maio de 2021], enquanto circulei pelo Zmar, foram de deques e varandins das casas cheios de sacos com os pertences” dos trabalhadores e “as crianças ao colo dos pais, porque estão num sítio estranho, que não lhes diz nada”, o que “é natural”, contou a diretora do alojamento.

De acordo com Sandra Ferreira, o que foi dito a quem faz parte do Zmar é que “estas pessoas têm livre-trânsito". "Eles trabalham, não estão doentes, não estão infetados, não estão em isolamento profilático e têm os seus direitos”. Apesar de todas as reivindicações, a responsável esclareceu que compreende a situação destes trabalhadores: “Acolhemos estas pessoas com todo o respeito, mas também queremos trabalhar”, vincou. 

Providência cautelar já foi colocada

O diretor do Zmar, Carlos Penim, disse “ter esperança de que o administrador da insolvência consiga resolver a situação da providência cautelar que foi colocada” e “que haja bom senso por parte do Ministério da Administração Interna”, tendo em conta “os postos de trabalho” que estão em causa.

“O Zmar está insolvente, mas foi aprovado um plano de revitalização que previa iniciar, esta semana, os trabalhos de preparação para receber os nossos clientes e, como tal, quanto mais cedo resolvermos esta situação, mais cedo podemos garantir uma boa receção e acolhimento aos nossos turistas”, frisou.

As freguesias de Longueira-Almograve e São Teotónio, no concelho de Odemira, estão em cerca sanitária desde a semana passada por causa da elevada incidência da Covid-19 entre os imigrantes que trabalham na agricultura na região.

Na sexta-feira (dia 30 de abril), o Governo determinou "a requisição temporária, por motivos de urgência e de interesse público e nacional” da “totalidade dos imóveis e dos direitos a eles inerentes” que compõem o complexo turístico Zmar Eco Experience, na freguesia de Longueira-Almograve (Odemira), para alojar pessoas em confinamento obrigatório ou permitir o seu “isolamento profilático”.

Um total de 49 imigrantes que trabalham na agricultura no concelho, que se encontravam em habitações em sobrelotação, foram realojados esta quinta-feira de madrugada, tendo 21 sido colocados na Pousada da Juventude em Almograve e os restantes no Zmar.