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Casas barco, com muito estilo e alta tecnologia, que são portuguesas e o mundo quer (com vídeo)

Autor: Tânia Ferreira

Da região centro de Portugal para o mundo estão a sair as casas barco mais modernas e bonitas do momento. A prova desse reconhecimento está a ser dada pelo mercado internacional à Go Friday, empresa nacional, saída da Universidade de Coimbra, que é responsável pelo desenvolvimento, produção e comercialização deste produto imobiliário alternativo, que se distingue pelo design e inovação

"Nas últimas semanas, após a divulgação na imprensa internacional, andamos a responder a cerca de 400 pedidos. Sendo óbvio que nem todos se transformarão em encomendas, temos entre 20 e 30 contratos já a serem preparados", revela o presidente executivo (CEO) da Go Friday, em entrevista ao idealista/news.

Fernando Seabra Santos detalha que "à parte dos EUA", a empresa tem "muitos pedidos da Europa, sobretudo de países como Holanda, Alemanha, Reino Unido, França, Itália". "E estamos a começar a ter alguma procura no Médio Oriente. Em Portugal há procura direta e também por parte de franceses, ao nível do Regime de residentes não habituais".

Muito procuradas para serem segundas habitações, como casas de férias ou de fim de semana, está a haver também um grande interesse do mercado em usar estas casas flutuantes numa perspetiva de habitação permanente. "Há um conjunto crescente de pessoas com espírito jovem, o que não significa que sejam jovens, que procura cada vez mais este tipo de experiências", diz o gestor, que é engenheiro civil de formação, especializado em hidráulica.

O turismo é outro segmento que está a deixar levar-se pelos encantos das casas barco da Go Friday e que poderá ter um grande peso nas contas da empresa, pela dimensão do negócio.

"Alguns dos contactos que temos são para empreendimentos turísticos um pouco por todo o mundo", conta o também professor académico, adiantando que a empresa está "já em negociações com um comprador com capital suiço, que põe a hipótese de comprar 15 casas da tipologia mais evoluida, precisamente para a exploração turística, considerando instalá-las nas Bahamas ou na Costa Rica".

O que distingue afinal as casas barco da Go Friday?

Estas casas flutuantes são uma peça de alta tecnologia, que associa princípios de modularidade e pré-fabricação, com design e arquitetura muito modernos, ao mesmo tempo que respondem às obrigações técnicas de um imóvel em solo e de um barco. Para quem quer comprar, "há um número praticamente inesgotável de possibilidades", promete o presidente da empresa, remetendo para o vídeo que produziram.

As casas podem ter de 10 até 18 metros de comprimento, podendo ser concebidas para ser um estúdio ou uma moradia com até seis quartos. Pode ter uma casa de banho, duas, três ou mais...

E proporcionam uma elevada autonomia energética, estimada pela empresa em 50% ou 80% do ciclo anual. Ou seja, a casa produz este intervalo de energia que consome, num nível de equipamento compatível, dependente das necessidades das pessoas.

A gama de produtos varia entre um nível mais simples que corresponde a ter uma casa atracada numa marina, até um nível mais evoluído em que a casa é basicamente autónoma durante vários meses, sem precisar de vir a terra para fazer qualquer manutenção ou substituição.

E quanto custam?

O preço varia em função da área, tipologia e nível de desenvolvimento tecnológico, podendo variar entre os 93 mil euros e 230 mil euros. 

"Procuramos incutir no nossos produtos o princípio da despreocupação com responsabilidade, e associar caraterísticas como a autonomia, liberdade, jovialidade, sustentabilidade".

Preparadas para um ciclo de vida de 50 anos, estas casas requerem uma manutenção equivalente à dos barcos. Podendo navegar, estão, porém, condicionadas a uma velocidade moderada de três nós, o que corresponde a cerca de 5,5 km por hora. A distância que percorre esta casa está limitada pelo tempo.  

"Não procuramos a velocidade, procuramos o movimento, considerando que o percurso faz parte do prazer", declara o empreendedor, explicando que "não se trata de chegar depressa a qualquer lado, trata-se de desfrutar do processo, podendo fundear em sítios diferentes, ao final da manhã, ou ao final do dia, por exemplo".

2016 em velocidade cruzeiro

As primeiras casas da empresa lançada em 2014, na sequência de um "spin-off" da Universidade de Coimbra onde Seabra Santos foi reitor, estão agora a ser construídas para serem entregues ao longo dos próximos meses. No momento, existe uma casa-modelo no Alqueva. 

A Go Friday está convencida de que 2016 vai ser o ano de entrada a sério no mercado, depois de 2015 ter sido dedicado ao desenvolvimento e apresentação do produto. "A nossa meta mais moderada passava por tentar vender 10 casas por ano, mas as expetativas que esta onda de entusiasmo criou levam-nos a pensar que esse número vai provavelmente ser muito superior", diz o responsável. 

Isso obrigará a novas soluções empresariais e a um novo nível de escala da empresa e de investimentos. "Estamos agora a tratar do business plan. É cedo para falar".