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Cidades cresceram com o turismo e estão agora em crise – pós-Covid-19 já está a ser preparado

Voltar a ter turistas é a prioridade das cidades, sendo que se antecipam alguns sinais de mudanças quando vier a recuperação.

Mark Lawson on Unsplash
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Autor: Redação

O crescimento em flecha do turismo em várias cidades mundiais, nomeadamente em Lisboa e Porto, gerou polémica em tempos de pré-pandemia da Covid-19, devido aos níveis de massificação excessivos e respetivos efeitos preversos para os habitantes. Um cenário, de eventual “excesso” de turistas, que agora não se coloca. Mas voltar a ter turistas é a prioridade das cidades, sendo que se antecipam alguns sinais de mudanças quando vier a recuperação. 

“As cidades que mais viviam de turismo são agora as primeiras a sofrer uma crise sem paralelo, tendo ao contrário as ruas desertas e a economia suspensa com a falta de visitantes”, escreve o Expresso, adiantando, citando especialistas, que vale a pena nesta fase as cidades não perderem de vista as metas de sustentabilidade e planearem estratégias mais ajustadas para o momento da recuperação, corrigindo excessos cometidos no passado.

Segundo Eduardo Abreu, sócio da Neoturis, consultora nacional especializada em turismo, “o tema da massificação excessiva de alguns destinos turísticos encontrava-se já na ordem do dia antes da pandemia, sendo que esta pode ter acelerado a reflexão sobre o tema”. O responsável refere, citado pela publicação, que “momentos disruptivos” como os que se atravessam “levam a refletir sobre estratégias de desenvolvimento futuro, nomeadamente as que dão resposta às necessidades de um turismo mais sustentável no longo prazo”. “O paradigma inverteu-se, e em bom rigor está tudo em pânico, a querer os turistas de volta, e rápido, não só em Portugal”, acrescenta.

O que estão as cidades a pensar mudar num futuro pós-Covid-19? A recuperação nas cidades prevê-se mais lenta do que em outro tipo de destinos, mesmo com a chegada de uma vacina, mas estão a ser dados alguns sinais que indicam mudança. Estas são algumas das medidas que as cidades têm em vista tomar nos próximos tempos, de acordo com o Expresso:

  • A cidade italiana de Veneza vai ter taxas de entrada aos visitantes diários que não pernoitam em hotéis a partir de 2022; 
  • Lisboa só receberá cruzeiros (navios turísticos) a atracar com energia elétrica a partir de final de 2021, na sequência de um protocolo celebrado este verão entre a câmara e o porto de Lisboa;
  • Porto reforça ciclovias para dispersar a circulação e prepara medidas para o próximo ano, medidas essas que devem ser apresentadas em janeiro ou fevereiro de 2021. Segundo o Expresso, melhorar a mobilidade e incentivar a utilização de transportes públicos em vez de carros próprios é uma das metas da autarquia;
  • A cidade espanhola de Barcelona mantém a proibição de não ter novos hotéis, sendo a preocupação num cenário pós-pandemia não ter os hotéis vazios;
  • Machu Picchu (Peru) e outros destinos, como por exemplo o Taj Mahal, na Índia, a ilha de Santorini, na Grécia, que já tinham criado limites antes da crise pandémica, vão manter as limitações no futuro.

Como será quando a pandemia terminar?

Antevê-se tempos duros até pelo menos à primavera de 2021, altura em que se prevê alguma recuperação no turismo. De acordo com Eduardo Abreu, “ninguém está a acelerar medidas de restrição”. “Está tudo muito focado em chegar a março e abril e conseguir ter turistas, com a vacina a chegar ao mercado e haver alguma alguma regularidade nos aviões”, afirma, citado pela publicação.

Nos casos de Lisboa e do Porto, “cidades onde o tema do número 'excessivo' de turistas se tem colocado”, a principal prioridade “na agenda dos decisores públicos e empresários é recuperar o fluxo de turistas perdidos”, conta. 

Estas são, segundo a Neoturis, algumas tendências que estão a ser aceleradas com a pandemia, e que poderão melhorar situações de excesso de turistas concentrados em pontos específicos das cidades:

  • Desconcentração da oferta dos centros históricos para zonas periféricas;
  • Maior investimento no espaço público e áreas ao ar livre;
  • Melhor gestão do número de visitantes nas atrações turísticas;
  • Digitalização de bilheteiras, compra presencial a tornar-se mais cara;
  • ‘Cross-selling’ de Lisboa e Porto com destinos adjacentes;
  • Princípio do utilizador-pagador a imperar no turismo;
  • Mais turistas nacionais nas cidades.