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Spreads para comprar casa custam metade que há três anos

Cristina Gottardi/Unsplash
Cristina Gottardi/Unsplash
Autor: Redação

Se estás a considerar pedir um empréstimo ao banco para comprar uma casa, fica a saber que este é um bom momento. Os spreads custam agora cerca de metade do valor cobrado no início de 2015. Além disso, podes contar com (ainda) baixas taxas Euribor. Agora, isso sim, terás de ter uma situação financeira estável e contar para com requisitos mais apertados, porque por indicação do Banco de Portugal, a banca nacional tem de ser mais restritiva e cautelosa na concessão de novo crédito à habitação.

Em média, os bancos cobram 1,34% pelo novo crédito, segundo os dados mais recentes do Banco Central Europeu (BCE) relativos a outubro, citados pelo Diário de Notícias. No início de 2015, altura em que os spreads aplicados no crédito à habitação começaram a baixar, o juro era de 2,78%.

Além da descida da margem de lucro dos bancos também a queda das taxas Euribor levou a que os juros no crédito encolhessem para mínimos. E, tal como recorda o jornal, uma vez que em Portugal a taxa variável continua a ser predominante, isso ajudou a que o custo do crédito à habitação seja dos mais baixos na zona euro. Apenas a Finlândia tem juros mais baixos, com uma taxa de 0,89%. A média do euro é de 1,80% e em Espanha o juro inicial do novo crédito é de quase 2%.

O risco dos baixos spreads 

Para conseguirem bater a concorrência, os bancos têm esmagado as margens de lucro que cobram no crédito à habitação. São, de acordo com os preçários mais recentes apontados pelo DN, de 1% a 1,5%. No ano passado, o spread médio era de 1,74%, segundo os dados mais recentes do BdP. No início de 2015 era frequente exigirem-se margens acima de 3%.

E o Banco de Portugal (BdP) está preocupado pelo facto de os spreads aplicados pelos bancos serem cada vez mais baixos.

"A restritividade de outras condições, como os spreads, permaneceu inalterada ou foi sinalizada como estando em diminuição, devido às pressões concorrenciais no mercado de crédito", observou o supervisor liderado por Carlos Costa no último Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado neste mês.

O BdP observou que desde junho de 2015 a margem dos bancos na diferença entre os juros que cobram no crédito e os que pagam pelos depósitos é mais baixa do que a média europeia. E avisou que os preços dos ativos imobiliários e "os spreads praticados no crédito à habitação e às empresas que continuam a diminuir" são as exceções no que diz respeito à "acumulação de risco sistémico cíclico". Os baixos spreads podem ser um risco para a estabilidade financeira, já que afetam a rentabilidade dos bancos numa altura em que o setor ainda está a tentar resolver problemas que foram criados durante a crise.