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Preços das casas abrandam à boleia das recomendações do BdP à concessão de crédito

Annie Spratt/Unsplash
Annie Spratt/Unsplash
Autor: Redação

As recomendações do Banco de Portugal (BdP) que visaram pôr um travão à concessão de crédito à habitação e ao consumo entraram em vigor a 1 de julho de 2018. Agora, quase um ano depois, estarão a ter impacto também na subida dos preços das casas, que parece estar a abrandar.

Com as medidas anunciadas pelo BdP, deixaram de ser dados empréstimos correspondentes a 100% do valor do imóvel, os financiamentos passaram a ter um teto de 40 anos e a taxa de esforço também foi “revista”, com o objetivo das famílias não assumirem encargos superiores a 50% do seu rendimento líquido mensal. 

E o resultado está à vista. “Entre julho de 2018 e março de 2019, a percentagem de empréstimos com perfil de risco mais elevado reduziu-se de 35% para 9%, a favor de um aumento da percentagem de crédito à habitação concedido a empréstimos com perfil de risco intermédio”, refere o regulador, no relatório “Acompanhamento da Recomendação macroprudencial sobre novos créditos a consumidores”. 

Segundo o documento, ao mesmo tempo que melhora o perfil de risco associado aos empréstimos às famílias, a entrada em vigor das recomendações do BdP também podem ter um impacto positivo no mercado imobiliário, ajudando a travar a subida dos preços. 

“(…) A recomendação [do BdP] não visa afetar a generalidade da concessão de crédito, mas sim limitar a concessão de crédito a mutuários com perfil de risco mais elevado. Adicionalmente, esta medida não pretende influenciar os desenvolvimentos do mercado imobiliário per se, podendo, no entanto, ter um efeito mitigador do potencial risco de ‘feedback loop’ entre o crédito concedido internamente e os preços do imobiliário”, lê-se no documento.