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“Em 2019 os preços das casas continuarão a crescer, mas a um ritmo menor”

César Passinhas
César Passinhas

Os preços das casas dispararam, com o preço mediano do metro quadrado (m2) a subir 7%, para os 996 euros, no último trimestre do ano passado. Mas pode estar à vista uma mudança de ciclo. Em entrevista ao idealista/news, Vítor Pereira, membro da comissão executiva do Bankinter, diz que “há razões objetivas que justificam a valorização dos preços”, mas considera que o crescimento dos mesmos vai abrandar: “A nossa visão é que em 2019 os preços continuarão a crescer, mas a um ritmo menor, e em 2020 idem”.

Quando questionado sobre o porquê dos preços da habitação terem subido em flecha em Portugal, o responsável diz que o Bankinter identificou “três razões fundamentais” que explicam a subida dos preços verificada em 2017 e 2018. 

“Foram subidas do ponto de vista percentual relativamente altas, mas também é preciso medir o ponto de partida. Vínhamos de um contexto em que tinha ocorrido uma significativa desvalorização dos ativos imobiliários, e o que aconteceu foi que num reduzido espaço de tempo houve uma subida com dimensão e impacto”, analisa Vítor Pereira, explicando depois as três razões: 

  • Por um lado, a intensidade da procura. Interna, mas sobretudo externa. E há dados que apontam que o cidadão não residente que adquire, a pronto, imóveis, sobretudo em localizações prime, faz catapultar os preços. Isso é um primeiro fator de pressão sobre o mercado. Mais pessoas a comprar. E mesmo a procura interna tem vindo a aumentar, é preciso ligar isto com o comportamento da própria economia, temos uma taxa de desemprego mais baixa e as famílias têm maior rendimento disponível, por exemplo, o que cria condições de base para uma maior procura”; 
  • “O segundo fator tem a ver com a oferta, e verificamos que há uma lacuna, um ‘gap’ significativo entre a volumetria de imóveis que chegam ao mercado versus a procura existente, a maior parte das transações continua a ser de imóveis existentes. 2019 já é um ano em que haverá entrada de novo produto no mercado, 2020 e 2021 também, por isso tenderá, a prazo, a existir uma normalização, por isso este ‘gap’ existente entre os níveis de procura e os de oferta aproximar-se-ão, e quando isso acontecer vai retirar pressão que hoje existe aos ativos imobiliários”; 
  • “E depois há uma terceira dimensão, e não é por essa que os preços sobem, mas é um facilitador, que é o contexto das taxas de juro baixas, por um lado, e por outro lado o facto do sistema financeiro português ter uma capacidade adicional ou retomada que permite aos bancos concederem crédito aos consumidores, o que cria condições para a compra”.

Sobre a eventual existência de uma bolha imobiliária no país, o membro da comissão executiva do Bankinter responde de forma perentória: “Agora os preços não estão a valorizar, em percentagem e sobretudo em dispersão, a pontos que possamos dizer que há uma bolha imobiliária. Há razões objetivas que justificam a valorização dos preços, que subiram 10%, 12%, percebe-se quais foram as razões, e a nossa visão é que em 2019 os preços continuarão a crescer, mas a um ritmo menor, e em 2020 idem, e portanto tenderá para essa normalização”.