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Bancos cortam 2.700 milhões de euros no crédito malparado

Autor: Redação

O mercado imobiliário está ao rubro em Portugal, o que acaba por “ajudar” o negócio dos bancos, que com a valorização dos preços dos imóveis têm vendido as suas carteiras de créditos tóxicos. No primeiro semestre de 2019, os bancos desfizeram-se de quase 2.700 milhões de euros de crédito malparado. 

O montante inclui vendas, recuperações e abatimentos ao ativo (‘write-offs’), escreve o Diário de Notícias, acrescentando que o valor abrange a redução de malparado pelos bancos que já divulgaram os seus resultados do primeiro semestre – CGD, Novo Banco, BCP, BPI e Santander – e também o Montepio, que vendeu uma carteira de 321 milhões de euros já neste ano.

No final de junho, cinco dos maiores bancos do mercado português tinham 17.500 milhões de euros em crédito não produtivo, menos 2.380 milhões de euros que no final de 2018. Face à carteira de crédito total, os bancos reduziram o peso do malparado para 4% a 7,3%, com o Novo Banco a destacar-se com um rácio de malparado de 21%.

“A economia portuguesa tem atravessado um bom período, que se faz sentir na redução do prémio de risco do país, no maior dinamismo do mercado imobiliário, nos menores níveis de incumprimentos e melhores níveis de recuperação dos valores dos créditos colateralizados em recuperação”, disse Mário Carvalho Fernandes, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, citado pela publicação. “Estes factos associados ao emagrecimento das estruturas de custos, que os bancos nacionais realizaram nos últimos anos, contribuem para a tendência da recuperação generalizada dos níveis de lucros”, explicou.

Para Fernando Faria de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), o sistema bancário português “está muito melhor”. “São evidentes as melhorias registadas em todos os domínios, do capital e da liquidez à qualidade dos ativos, da ‘governance’ e da ética bancária ao ajustamento dos modelos de negócio à era da digitalização e da sustentabilidade e agora também já em termos de rentabilidade, embora esta permaneça abaixo do custo de capital. Mesmo num quadro de política monetária acomodatícia e pressionante para os bancos, confiamos na continuidade deste trabalho meritório que os nossos associados vêm desenvolvendo”, acrescentou.