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Taxas de juro negativas nos empréstimos da casa até 2026

Os mercados financeiros esperam que as Euribor se mantenham negativas por mais seis anos, fruto da política de estímulos do Banco Central Europeu (BCE).

Photo by Mark Finn on Unsplash
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Autor: Redação

Estas são boas notícias para quem pediu ou está a pensar pedir dinheiro emprestado ao banco para comprar casa. As taxas Euribor, principal indexante dos contratos à habitação em Portugal, mantêm-se em terreno negativo desde 2015, em resultado da política de estímulos do Banco Central Europeu (BCE) e, apesar dos sucessivos avanços e recuos no que toca às expectativas de mercado, este cenário deverá manter-se até 2026 - essa é, pelo menos, a previsão dos especialistas. 

“O anúncio das políticas de estímulos financeiros por parte do BCE levaram a uma quebra nos valores da Euribor atingindo mesmo mínimos históricos, reforçando a expectativa do indicador se manter em valores negativos nos próximos anos, tal como aconteceu nos últimos quatro”, refere Miguel Cabrita, responsável do idealista/creditohabitação em Portugal. "Os créditos à habitação com taxa variável beneficiam com esta situação, uma vez que estão suscetíveis a variações do referido indíce”, acrescenta.

As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 57 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário. E as taxas três, a seis e a 12 meses entraram em terreno negativo em 2015, em 21 de abril, 06 de novembro e 05 de fevereiro, respetivamente.

A taxa da Euribor a três meses, a título de exemplo, tem mantido uma tendência de queda nas últimas semanas, registando inclusive mínimos históricos, ficando próxima de -0,5%. O indexante negociou, no final da semana passada, pela primeira vez, em -0,491%, de acordo com a Bloomberg. Esta quinta-feira, dia 27 de agosto de 2020, recuou 0,001 pontos face ao dia anterior para -0,477%, contra -0,161% em 23 de abril, um máximo desde pelo menos janeiro de 2015, e o atual mínimo de sempre, de -0,489%, registado em 12 de março.

Filipe Garcia, economista da IMF, citado pelo Negócios, confirma a tendência e garante que “não há qualquer tipo de expectativa de taxas positivas nos próximos anos”. “A título de referência, a curva de futuros da Euribor a três meses, que cota até 2026, mostra taxas negativas e os ‘Interest Rate Swaps’ vs. Euribor a três meses estão negativos até à maturidade de 17 anos”, acrescenta o responsável.

A expectativa dos mercados é que a política ultraexpansionista por parte do BCE de suporte ao endividamento dos Estados, das empresas e das famílias face à pandemia, se mantenha, algo que continuará a ser determinante para a evolução das Euribor.

Esta tendência reflete-se inevitavelmente no valor das prestações pagas pelas famílias portuguesas, resultando numa redução que em determinadas situações tem levado os bancos a pagar às famílias pelos juros negativos, porque os valores da Euribor anulam e até ultrapassam a margem de lucro bancária.