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Juros negativos até 2025 no crédito da casa? Efeitos para os clientes (novos e futuros) e para a banca

mohamed Hassan/Pixabay
mohamed Hassan/Pixabay
Autor: Redação

O regresso às taxas Euribor positivas – as mais usadas em Portugal para efeitos de concessão de crédito à habitação – parece estar distante, estimando-se que continuem em terreno negativo até 2025. Uma boa notícia para quem pediu ou está a pensar pedir dinheiro emprestado ao banco para comprar casa, com base em taxas de juro variáveis indexados à Euribor. Durante este período, os bancos devem continuar a apostar nas taxas fixas, que lhes garantem uma maior margem, explica Juan Villén, diretor do idealista/hipotecas.

Segundo o responsável, “ninguém pode garantir que os juros vão continuar em terreno negativo até 2025”, mas a política do Banco Central Europeu (BCE) e o alto nível de endividamento dos países europeus levam a pensar que as Euribor negativas se mantenham durante vários anos”, antecipa Villén ao idealista/news.

E que impacto terá esta situação para os consumidores e para os bancos? O especialista considera que, no caso dos novos contratos, “seguramente que quer as taxas fixas como as variáveis serão ‘mais económicas’, porque os juros são baixos tanto para a Euribor a 6 meses como a 12 meses”. Na prática, prevê-se que o cenário de baixas prestações da casa se mantenha, ou que pelo menos a mensalidade a pagar ao banco não aumente.

Já as entidades financeiras, perante este cenário, deverão continuar a privilegiar contratos indexados a taxas Euribor fixas, “porque lhes ‘garantem’ uma maior margem”, afirma Villén.

De recordar que as taxas Euribor estão em terreno negativo desde 2015, perspetivando-se que não voltem a negociar em terrenos positivos até 2025. Segundo o Jornal de Negócios, os contratos futuros colocam a taxa a três meses em -0,165%, quando no início de julho estes contratos antecipavam que a Euribor regressasse a níveis positivos em março de 2024.

Na semana passada, o BCE anunciou um conjunto de medidas de estímulo monetário que procuram combater o desaceleramento da economia do euro. A entidade ainda liderada por Mario Draghi, além de ter cortado a taxa de juro de depósito de -0,4% para -0,5% e de ter mantido a taxa de referência em 0%, anunciou o arranque de um novo programa de compra de ativos no valor de 20 mil milhões de euros mensais.

O facto das Euribor estarem em níveis negativos é uma boa notícia para quem se endividou para comprar casa, até porque os bancos estão obrigados, há mais de um ano, a devolver aos clientes o diferencial negativo. A Deco estima que havia no final do ano passado cerca de 30 mil contratos nesta situação, ou seja, em que a Euribor negativa superava o spread. Ao todo, a banca já devolveu cerca de 1,8 milhões de euros aos clientes, um número que perante o atual cenário poderá aumentar nos próximos meses.