Quem procurar um crédito habitação em Portugal vai deparar-se com uma Euribor próxima de 2%, taxas mistas e variáveis em valores muito próximos e poderá até sentir um ligeiro aperto nos critérios de concessão por parte da banca. Mas sem sinais para alarme. O mercado financeiro vai apenas reagindo à atual conjuntura macroeconómica e às possíveis mudanças no rumo dos juros do Banco Central Europeu (BCE). Aliás, as mais recentes perspetivas dos analistas apontam para a hipótese de o regulador europeu ter de cortar os juros num cenário de agravamento da valorização do euro face ao dólar. Haverá impacto na Euribor?
Hoje, as taxas Euribor têm-se mantido estáveis, pouco acima de 2%, o que reflete a manutenção dos juros pelo BCE decidida nas últimas cinco reuniões de política monetária, a mais recente realizada esta quinta-feira, dia 5 de fevereiro. “A Euribor parece refletir esta estabilidade permanecendo quase sem alterações, embora as taxas de longo prazo tenham subido ligeiramente nas últimas semanas. Por agora, estes aumentos parecem ser facilmente geríveis pelas famílias”, comenta Miguel Cabrita, responsável pelo idealista/crédito habitação em Portugal.
Mas algo poderá mudar num futuro próximo. Voltou a estar em cima da mesa um novo corte dos juros pelo BCE, quer pelos analistas de mercado, quer pelos próprios governadores dos bancos centrais. Isto porque o regulador europeu pode ter de agir para impedir que a inflação na zona euro desça abaixo da sua meta de 2%, se a alta valorização do euro face ao dólar persistir, num contexto de alta instabilidade geopolítica.
É sabido que qualquer projeção de mudança nos juros do BCE pode influenciar a flutuação da Euribor, que aliás desceu ligeiramente para todos os prazos em janeiro de 2026 pela primeira vez em cinco meses. Agora, a Euribor a 12 meses está em 2,245%, a Euribor a 6 meses em 2,137% e o prazo mais curto em 2,028%.
Mas, mesmo que o corte dos juros do BCE venha a ocorrer em 2026, não se vislumbram, para já, mudanças acentuadas na evolução futura da Euribor. As curvas 'forward' – que indicam a expectativa do mercado em relação à fixação das taxas futuras - mostram que as taxas Euribor nos prazos mais curtos (a 3 e a 6 meses) deverão permanecer entre 2,03% e 2,15% até ao verão de 2026, começando a subir ligeiramente a partir daí terminado o ano entre 2,1% e 2,21%.
As previsões do espanhol Painel Funcas para a Euribor a 12 meses apontam para que esta taxa desça ligeiramente para 2,19% em março, 2,17% em junho e 2,15% em setembro. No final de 2026, espera-se que volte a subir, estabilizando-se novamente em torno dos 2,17%.
Estas ligeiras flutuações da Euribor previstas têm baixo impacto nos novos créditos habitação em Portugal. É isso mesmo que mostram as simulações preparadas pelo idealista/créditohabitação, tendo em conta um novo empréstimo habitação a taxa variável com Euribor a 6 meses de 150.000 euros (com spread de 0,7% e prazo de 30 anos):
- se a Euribor a 6 meses cair dos atuais 2,137% (média mensal de janeiro) para 2,00% significa que as prestações mensais vão descer de 619 euros para 608 euros (menos 11 euros);
- e mesmo se a Euribor a 6 meses descer para 1,95%, as prestações da casa seriam de 604 euros, uma redução de 15 euros face a quem contratou o crédito em fevereiro de 2026 (que usa a taxa média mensal de janeiro).
Crédito habitação com critérios mais apertados…
Não há, portanto, expectativas de reduções significativas das prestações da casa nos novos créditos habitação a taxa variável, apesar de haver a hipótese de a Euribor descer ligeiramente. Mesmo assim, a redução da Euribor ao longo do último ano motivou uma maior contratação de taxas variáveis, que têm ganhado algum terreno às taxas mistas - estas últimas continuam a representar a maioria dos novos empréstimos para compra de casa no nosso país.
O que está a acontecer é que as taxas variáveis têm vindo a aproximar-se muito das taxas mistas nos últimos meses - ficaram em 2,85% e 2,75%, respetivamente, em dezembro de 2025, segundo os dados do Banco de Portugal (BdP). "As taxas mistas a prazos mais curtos estão a preços muito próximos das taxas variáveis, portanto a decisão passa por procurar uma estabilidade a dois ou três anos face a estar exposto à Euribor", explica Miguel Cabrita.
Isto acontece porque, recentemente, os bancos começaram “a reagir com ligeiros ajustes de preços para cima” perante leves subidas tanto na Euribor, como no custo do financiamento a 10-15 anos, esclareceu o mesmo especialista. Mas sem sinal para alarme e com baixo impacto nas prestações da casa.
O mais recente Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito do BdP confirma que está um pouco mais difícil pedir empréstimos habitação em Portugal: “As perspetivas do mercado da habitação, incluindo a expectativa de evolução de preços, contribuíram ligeiramente para critérios mais restritivos, embora sem impacto agregado” no final de 2025. E espera-se que assim continue no primeiro trimestre de 2026.
Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo.
Segue o idealista/news no canal de Whatsapp
Whatsapp idealista/news Portugal
Para poder comentar deves entrar na tua conta