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Manual para sobreviver à greve dos combustíveis

Photo by Jose Lebron on Unsplash
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Autor: Redação

A greve dos motoristas agendada para 12 de agosto, por tempo indeterminado, mantém-se de pé - apesar de o Governo estar a tentar mediar um acordo entre sindicatos e patrões. Se a paralisação não for desconvocada, o abastecimento de combustível será afetado, tal como o fornecimento de produtos às grandes superfícies (supermercados), serviços e indústria. Como sobreviver à (possível) crise energética? A Deco dá cinco dicas sobre como o país se deve precaver.

Em resposta ao apelo do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, que avisou os portugueses para a necessidade de estarem preparados para a greve, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) preparou um “manual de sobrevivência” com dicas para ajudar os consumidores a estarem prevenidos.

  • Abastecer o carro dois ou três dias antes

    A associação de defesa do consumidor aconselha os portugueses a atestarem o carro “dois ou três dias antes no início da greve”. Depois, e com o depósito cheio, o carro deverá ser  utilizado apenas para “deslocações indispensáveis”, acrescenta ainda a Deco. Quem for de viagem deverá planear as deslocações com um GPS ou uma calculadora de rotas para “prever o gasto de combustível”.

    Durante a paralisação, e a ser declarada uma crise energética, “todos os postos de abastecimento são obrigados a afixar em local bem visível a lista de postos de emergência onde poderá encontrar combustível”. Essa lista estará disponível no site da Entidade Nacional para o Setor Energético.

  • Não utilizar jerricãs

    Há limites para transportar jerricãs num carro particular: o máximo são 60 litros por recipiente. Quem não respeitar as regras pode ser penalizado com um coima entre 750 e 2250 euros. No caso das pessoas coletivas, a coima varia entre 1500 e 4500 euros.

    No entanto, a Deco não aconselha o uso dos jerricãs para enfrentar a eventual crise dos combustíveis. “É proibido, devido ao risco de libertação de vapores e inflamação, armazenar nas arrecadações dos prédios combustíveis líquidos, tais como gasolina”.

  • Preferir os transportes públicos

    Para a Deco é “pouco provável” que os transportes públicos sejam afetados pela crise dos combustíveis, uma vez que “a proposta de serviços mínimos dos sindicatos que convocaram a greve inclui o abastecimento destes serviços”.

    Outra alternativa aconselhada pela Deco é partilhar viagens através de carpooling. “Há várias plataformas online de partilha de boleias, que põem em contacto condutores e passageiros que pretendem viajar para o mesmo destino e, assim, dividir as despesas”, refere. Carros e scooters elétricos, bicicletas e trotinetas são também opções a ter em conta.

  • Trabalho e saúde

    De acordo com a Deco, nenhuma entidade patronal está obrigada a aceitar como justificadas as faltas ao trabalho devido a uma greve. Ainda assim, a associação aconselha os portugueses a tentar “negociar com a entidade patronal a possibilidade de trabalhar em casa”. Ou então poderás “tirar alguns dias de férias ou compensar as horas daqueles dias de ausência noutras datas”, sugere ainda.

    Na área da saúde, os serviços mínimos garantem as deslocações dos casos de urgência. Mas se tiveres uma consulta marcada, o melhor será  “tentar remarcar para outra data”. Além disso, se estiveres a tomar alguma medicação cuja embalagem esteja a terminar perto da data da greve, o ideal será garantir “uma embalagem a mais do medicamento”.

  • Ir ao supermercado

    A Deco aconselha os consumidores a ir ao supermercado antes da greve, sendo fundamental apostar em “produtos com uma duração mais alargada, para evitar desperdícios”. A Deco sugere também comprar carne e legumes em quantidades acima do habitual para congelar.

Sindicato recusou cancelar a greve

O Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) recusou cancelar a greve, depois da nova ronda negocial com o Governo. “Não podemos estar a desmarcar uma greve só com a boa vontade do senhor ministro quando vemos que a Antram - Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias não aceita absolutamente nada", disse à Lusa o advogado do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques.

O representante legal do sindicato disse que, se a Antram não apresentar uma contraposta negocial até sexta-feira (9 de agosto de 2019), véspera do plenário dos filiados no sindicato, agendado para sábado, a greve irá avançar no dia 12 de agosto.

"Estamos abertos a esta nova mediação, desde que haja já uma resposta formal da Antram com uma contraproposta ou com a aceitação daquilo que estamos a propor", disse Pardal Henriques, reiterando que "esta contraproposta terá de chegar até sexta-feira”.

Marcelo deixa aviso a motoristas

Quem também já reagiu a este “impasse” foi o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que decidiu deixar um “aviso” aos motoristas. O Chefe de Estado disse que “não basta que os fins” que levam a uma greve “sejam legítimos” e defendeu ser necessário que “os meios não venham prejudicar os fins”.

“Há que ter em atenção que não basta que os fins sejam legítimos, que as aspirações sejam legítimas ou justas, é preciso depois que os meios não venham prejudicar os fins, isso obriga a uma ponderação permanente entre aquilo que se quer realizar e satisfazer e os sacrifícios impostos a outros membros da comunidade”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Referindo-se ao assunto “em abstrato”,  Marcelo referiu que “todas as greves impõem sacrifícios, maiores ou menores” e sublinhou que “o problema está na ponderação”.