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Guia para estudantes: como e quando preparar o orçamento para a universidade

Photo by Lonely Planet on Unsplash
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Autor: Redação

A entrada na universidade é uma das etapas mais importantes na vida de um estudante. Embora seja um dos passos mais marcantes, é também um dos mais caros, uma vez que acarreta um conjunto de despesas extra no orçamento familiar. Fazer face a estes encargos implica uma grande ginástica para a maioria das famílias portuguesas, principalmente se os filhos precisarem ir estudar para fora da zona de residência. A palavra de ordem é esta:  planeamento. Com um bom planeamento é possível ajustar os objetivos ao orçamento familiar. Nem mais, nem menos.

No artigo de hoje da rubrica saúde financeira, assegurada pelo Doutor Finanças, apresentamos um conjuto de estratégias que pretendem ajudar as famílias na gestão do orçamento para a universidade, garantindo que, no fim do percurso, tanto estudantes como orçamentos passam com uma boa média.

Como fazer a preparação financeira das famílias?

  • Planeamento Financeiro

O planeamento é a palavra-chave. O ideal seria que, desde cedo, numa fase inicial da vida dos filhos, as famílias começassem por fazer uma poupança destinada à sua educação. Não sendo este o caso, é sempre possível, embora com mais dificuldade, conseguir métodos para enfrentar as despesas do ensino superior. O ideal será começar por programar e planear o montante para cada ano letivo ou até mesmo para todo o curso. É preciso adicionar o  custo da inscrição e das propinas (que varia da universidade pública para a privada), as despesas de transporte, alimentação e alojamento (caso se aplique).

Será fundamental fazer as contas das despesas fixas mensais e perceber detalhadamente o que se ganha e o que se gasta ao longo do ano para saber ao pormenor quanto será possível despender sem comprometer o orçamento.

Há também aplicações e ferramentas que podem dar uma ajuda na hora de fazer contas, permitindo partilhar os dados entre a família e ir adicionando outros gastos e metas.   

Este planeamento financeiro vai permitir traçar um plano de poupança que pode ser aplicado, por exemplo, para o ano seguinte ou para algum imprevisto que possa surgir no decorrer dos semestres.

  • Revisão de outras despesas

Através de um planeamento financeiro é possível verificar quais são as despesas, mas também perceber onde é possível poupar, e utilizar esse dinheiro restante para ajudar a pagar as despesas relacionadas com a educação.

Rever outras despesas passa por analisar aquele serviço extra de telecomunicação que não está a ser utilizado, a mensalidade do ginásio que emagrece apenas a carteira, os almoços fora durante a semana ou a  potência energética. Tudo isto (e muito mais) podem ser uma grande oportunidade de poupança.

Caso existam despesas acumuladas com cartões de crédito ou outras linhas de crédito, esta também é uma boa altura para considerar a consolidação de créditos. Para além  de se passar a pagar tudo numa única mensalidade, é possível ver as despesas serem reduzidas até 60%. Esta pode ser a folga financeira necessária  para fazer face às despesas universitárias que se avizinham.

Quais os custos associados à ida para a universidade?

Os custos associados ao ensino superior não terminam na inscrição, nem nas propinas. Pelo contrário, é apenas aí que começam. Entre propinas, material escolar, alojamento, alimentação, transporte e outros custos (saúde e transporte), cada estudante pode gastar, em média, perto de 7.000 euros. Claro que tudo vai depender de dois fatores de grande peso: se a universidade é pública ou privada e se vai ser necessário viver noutra cidade. É aconselhável fazer atempadamente um levantamento das despesas, comparar os custos dentro das várias opções existentes e analisar a melhor opção para estudantes e família.

Como se podem suportar/reduzir estes gastos?

Estudar custa não só à cabeça, como também à carteira. No entanto, os filhos podem fazer toda a diferença ao adotar práticas de poupança e alternativas mais baratas. Para tal, basta seguir estas dicas simples, práticas e eficazes:

  • Bolsas de estudo/ Bolsas de mérito

As bolsas de estudo, que são prestações de dinheiro concedidas a um estudante por parte de uma entidade pública ou privada, são incentivos muito importantes para as famílias que não conseguem suportar tais custos e que pretendem garantir a continuação dos estudos dos filhos. Através do portal da DGES é possível tirar todas as tuas dúvidas e fazer a candidatura do estudante.

Existem também as bolsas de mérito, que são igualmente prestações de dinheiro concedidas a um estudante, mas, desta vez, por ter terminado com um aproveitamento escolar excecional, independentemente dos seus rendimentos. Esta bolsa é válida tanto para o ensino público como o privado.

  • Partilhar casa ou optar por residências universitárias

Uma ótima opção é arrendar um quarto ou optar por partilhar casa com colegas de curso ou amigos. Desta maneira vai estar a ser fomentado o conceito de partilha e responsabilidade. Esta é uma boa forma de dividir os gastos da casa, tais como: renda, água, gás e luz.

Ainda assim, a opção mais económica pode ser a residência universitária. Para além de ficar mais perto da universidade e o estudante poupar em transportes, poderá ainda beneficiar de uma série de serviços com preços mais apelativos e que já estão incluídos no pagamento mensal. Esta pode ser uma boa estratégia para quem não dispõe de um rendimento ou poupanças suficientes para arrendar um quarto ou uma casa.

  • Planear as refeições em casa

Incentivar os filhos a aprender a cozinhar e a fazer refeições em casa é fundamental.  Caso não seja possível fazer o almoço em casa devido ao horário escolar, os estudantes poderão almoçar na cantina da universidade, uma vez que é mais barata do que comer nos bares da escola ou num restaurante fora do recinto.

Para aqueles que vão estar deslocados uma boa opção é, nas idas a casa, trazer refeições feitas ou outros bens básicos. Esta é uma opção prática para o dia a dia do estudante e mais económica para a carteira dos pais. Porque se fizermos contas, isto é o que um estudante poderá gastar por mês, tendo em conta vários cenários:

  • Refeição na cantina da universidade – 2,40€
  • Refeição nos bares da universidade – 6,00€
  • Refeição fora da universidade – 10,00€

A isto somam-se os pequenos-almoços, dentro ou fora da universidade, os cafés e os lanches. Na verdade, um jovem universitário pode gastar, apenas em alimentação, aproximadamente 100 euros por semana caso não adote práticas de poupança. Claro que todos estes valores são apenas aproximados e podem variar de zona para zona e das necessidades de cada um.

  • Economizar na compra de material

Uma dica bastante útil é, antes de comprar qualquer material escolar, tentar saber junto dos alunos mais velhos o que é realmente necessário. Após ser feito o levantamento com o material que faz falta, o passo seguinte é  verificar o material que já existe em casa e aproveitar aquele que estiver em boas condições.

Outra dica é não comprar todo o material de uma só vez. Caso seja possível, será ideal repartir pelos vários semestres à medida que vai sendo necessário. Ao longo destes intervalos de tempo será benéfico comparar preços e aproveitar as promoções.

  • Comprar apenas os livros obrigatórios

Ao contrário do que se passa no ensino secundário, os livros no ensino superior são na maior parte das vezes recomendados  sem caráter de compra obrigatória. Uma das opções é verificar se os livros recomendados estão disponíveis na biblioteca ou se existe algum aluno de outros anos mais avançados que os possam emprestar. Após fazer este levantamento, será apenas necessário compraraqueles que são estritamente obrigatórios.

  • No estudar é que está o ganho

Tal como diz o ditado popular “no poupar é que está o ganho” e, neste caso, também se pode aplicar o estudar. Porque quantas menos forem as cadeiras que fiquem por fazer, mais o orçamento financeiro vai ganhar. Isto porque deixar cadeiras para trás implica um esforço financeiro redobrado, pois vai ser necessário voltar a pagar para frequentar as mesmas aulas e repetir os exames.

  • Poupar nos transportes

Os transportes são outra despesa que deve ser considerada na vida de um universitário, principalmente se este é deslocado, dado que tem que acrescentar as despesas das viagens a casa. No entanto, relembramos que os estudantes têm tarifas descontos especiais nos meios de transporte como autocarros e comboios.

Os estudantes também têm benefícios nos passes,  consoante o escalão social em que se encontram.

Por outro lado, também existem websites onde se podem organizar boleias com estudantes que fazem os mesmos percursos. Inclusive, em alguns sites, os condutores têm uma classificação por parte dos utilizadores que já usufruíram deste tipo de transporte partilhado, com informações seguras que ajudam outros potenciais utilizadores a decidirem na hora de escolher. Pode sair mesmo mais barato viajar desta maneira do que pelo tradicional autocarro ou comboio.

Complementar com um part-time

Uma grande ajuda para muitas famílias portuguesas é a possibilidade de os filhos conseguirem conciliar os estudos com um trabalho a part-time. Este dinheiro extra poderá ser aproveitado para partilhar as despesas mensais, para fazer uma poupança ou até mesmo para investir nos momentos de lazer.

Crédito universitário é uma opção?

Já existem opções no mercado que permitem prosseguir com os estudos sem que o crédito contratado pese muito no orçamento familiar, tais como os créditos para cursos universitários ou para outras formações. Embora seja uma modalidade de crédito ao consumo, estes distinguem-se dos créditos tradicionais dado que possuem taxas de juro mais baixas, que beneficiam de comissões mais leves e, em alguns casos, existe ainda possibilidade de isenção nas comissões mensais e de custos iniciais.

Estes géneros de créditos são financiados e atribuídos pelas entidades bancárias ou entidades de crédito, embora nem todos os bancos em Portugal possuam esta modalidade. Contudo, como qualquer crédito pessoal, deve ser feito de forma consciente e prudente, para evitar o risco de dívida.