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“Ligações políticas”, a forma de ter sucesso nos negócios em Portugal? Empresários dizem que sim

Inquérito divulgado pela Comissão Europeia revela que Portugal é o país europeu onde os empresários mais apontam este facto.

Photo by Cytonn Photography on Unsplash
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Autor: Redação

Política e negócios parecem ser duas caras de uma mesma moeda em Portugal. Segundo os empresários a operar no mercado nacional, ter ligações políticas é a única forma de prosperar um negócio no país. Aliás, Portugal é o estado-membro da União Europeia com uma maior proporção de empresários (65%) a considerar que esta é única forma de ter sucesso nos negócios, segundo um inquérito divulgado pela Comissão Europeia esta segunda-feira, dia 09 de dezembro de 2019.

Este valor combinado é o mais alto da UE, à frente da Roménia (63%) e de Itália (61%), enquanto no extremo oposto da lista apenas 11% dos dinamarqueses consideram que o mesmo sucede no seu país (e apenas 2% concordam em absoluto com essa ideia).

O “Eurobarómetro” sobre a atitude das empresas relativamente à corrupção, citado pela Lusa, revela ainda que os empresários portugueses são os europeus que mais admitem que as ligações muito próximas entre negócios e política no país levam à corrupção (93%) e onde mais inquiridos (92%, a par da Grécia) defendem que o favoritismo e a corrupção prejudicam a concorrência empresarial.

Corrupção é o terceiro maior problema para empresários na hora de fazer negócios em Portugal

Num inquérito levado a cabo junto de empresas dos mais diversos setores, nos 28 Estados-membros, com mais de um trabalhador – sendo os inquiridos necessariamente alguém com poder de decisão -, em quase todos os países, mais de metade dos inquiridos concorda que “ligações demasiado próximas entre os negócios e a política” leva à corrupção, mas Portugal volta a surgir no topo da lista, já que esta ideia é corroborada por 93% dos entrevistados – 59% concordam totalmente e 34% tendem a concordar -, à frente de Bulgária (92%) e Grécia (90%).

Quando questionados sobre se consideram que o favoritismo e a corrupção prejudicam a concorrência entre empresas no seu país, os portugueses voltam a encabeçar a lista, com 92% a concordarem que tal é o caso, e 72% a responderem de forma inequívoca, concordando “totalmente”, um valor que é mais que o dobro da média europeia (35%), e acima da Bulgária (63%), Grécia e Espanha (61%).

Ainda assim, tal como escreve a agência de notícias, a corrupção é apontada pelos empresários portugueses apenas como o terceiro maior problema quando se faz negócios em Portugal, surgindo em primeiro lugar da lista a carga de impostos e em segundo a falta de meios ou procedimentos para recuperar dívidas de outrem.

Em Portugal, o inquérito, conduzido pela Marktest, decorreu entre 30 de setembro e 11 de outubro, tendo sido entrevistadas 300 pessoas com responsabilidades em empresas.