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Fim à vista nos juros negativos? Suécia dá primeiro passo e sobe taxa diretora para 0%

Riksbank é o primeiro dos 5 bancos centrais com algum tipo de juro negativos a subir as taxas para terreno positivo.

Photo by Jonathan Brinkhorst on Unsplash
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Autor: Redação

O banco central da Suécia, o Riksbank – é também o mais velho banco central do mundo –, subiu a taxa de juro diretora de -0,25% para 0%, sendo o primeiro dos cinco bancos centrais que aplicavam algum tipo de taxas negativas a fazê-lo. No país, os juros atingiram o nível mais baixo em fevereiro de 2016, com uma descida para -0,5%. Em dezembro de 2018, o Riksbank efetuou a primeira subida para -0,25% e agora, um ano depois, voltou a subir para 0%.

A nova taxa entra em vigor a 8 de janeiro de 2020 e os banqueiros centrais em Estocolmo esperam que se mantenha em zero “nos próximos anos”, pelo menos até 2022, altura em que as projeções publicadas esta quinta-feira (18 de dezembro de 2019) apontam para uma primeira subida em terreno positivo, para 0,1%, escreve o Expresso.

O Riksbank já tinha avançado com esta possibilidade, tendo agora decidido terminar com uma estratégia que durava desde fevereiro de 2015, quando fixou a taxa diretora em -0,1%. De referir, no entanto, que o banco mantém uma taxa negativa sobre os depósitos dos bancos, que, contudo, foi agora desagravada: passou de de -0,35% para -0,1%

Segundo a publicação, o Riksbank mantém, apesar da subida para 0% na taxa diretora, uma política monetária globalmente “expansionista”: continua a ter um programa de compra anual de dívida pública na ordem de 45 mil milhões de coroas (4,3 mil milhões de euros), pelo menos até dezembro de 2020.

Um caso “experimental”

Já o Jornal de Negócios refere que os juros negativos têm sido usados pelos bancos centrais como um incentivo aos bancos para emprestarem dinheiro, visto que são “penalizados” se o guardarem nos cofres. A subida dos juros na Suécia para o patamar zero retirará alguma pressão à indústria financeira, escreve a publicação, salientando que a Suécia passa a ser a primeira economia avançada que praticou juros negativos a sair dessa situação, servindo de caso “experimental” para os restantes bancos centrais nessa situação, como é o caso do Banco Central Europeu (BCE), do Banco da Suíça (SNB), do Banco da Dinamarca e do Banco do Japão. 

Citado pela Bloomberg, João Almeida, economista da Morgan Stanley, disse que a medida pode ser vista como “contra-intuitiva”, dado que a economia sueca também foi afetada negativamente pela queda da produção industrial a nível mundial. “Contudo, de um ponto de vista cíclico, a Suécia é uma economia com um hiato do produto [PIB] positivo e a inflação não está longe do objetivo”, explicou.

Entretanto, e segundo a equipa de estudos do banco espanhol Bankinter, quem pediu dinheiro emprestado ao banco para comprar casa com créditos associados à Euribor com taxas variáveis tem motivos para sorrir, já que estas devem continuar em terreno negativo até 2022, isto no melhor dos cenários. As estimativas do banco, mesmo as mais negativas, apontam para que a Euribor a 12 meses se mantenha abaixo de 0% nos próximos dois anos.