Mais de 50% do lixo português continua a ter como destino o aterro

Relatório What a Waste, mantém-se entre os países europeus mais dependentes de aterros, muito acima da média regional de 37% para a Europa e Ásia Central.
Lixo
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Portugal continua no grupo dos países europeus mais dependentes de aterros sanitários, enviando para este destino mais de metade do lixo que produz. De acordo com a terceira edição do relatório What a Waste, do Banco Mundial, 57% dos resíduos urbanos portugueses ainda acabam em aterro – um valor muito acima da média de 37% registada para a região da Europa e Ásia Central. O documento, que usa dados nacionais de 2022 fornecidos pela Agência Portuguesa do Ambiente, coloca o país ao lado de Malta, Roménia, Grécia, Chipre, Bulgária, Letónia, Hungria e Croácia, todos com mais de 50% de deposição em aterro.

Segundo o Público, o contraste com os líderes europeus é marcado: oito Estados‑membros da União Europeia já têm taxas de deposição em aterro iguais ou inferiores a 5%, com destaque para Áustria, Dinamarca, Bélgica, Países Baixos e Suécia, e o bloco está no caminho para atingir a meta de 10% até 2035. Portugal, apesar de dispor de recolha formal quase universal e integrar o grupo de países de rendimento elevado – que são também os maiores produtores de resíduos per capita – mantém uma taxa de reciclagem de resíduos urbanos de apenas 32%, menos de metade da ambição europeia de 55% até 2025. O relatório lembra que cidades como Liubliana, São Francisco ou Kamikatsu conseguem já desviar entre 68% e 80% dos resíduos de aterro, mostrando que é possível outro modelo.

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Mais de 50% do lixo português continua a ter como destino o aterro
Fonte: What a Waste

Os dados mais recentes tornam o cenário ainda mais exigente. O jornal sublinha que, em 2022, Portugal gerou 5,27 milhões de toneladas de resíduos urbanos, valor que subiu para 5,55 milhões em 2024. As projeções do Banco Mundial apontam para 5,84 milhões de toneladas em 2050, um aumento de 10% em três décadas, mesmo com a população a descer dos atuais 10,4 para cerca de 9,8 milhões de habitantes. 

Em paralelo, a produção de lixo por pessoa estabilizou num patamar elevado – 519 kg por habitante em 2024, quase um quilo e meio por dia – e a taxa de deposição em aterro aumentou para 59% em 2023, segundo o Relatório do Estado do Ambiente 2025 e o Relatório Anual de Resíduos Urbanos 2024. O próprio Orçamento do Estado para 2026 já reconhece o risco de esgotamento da capacidade dos aterros e aponta o Plano de Ação TERRA como resposta estrutural a um problema que se agrava.

Há, no entanto, sinais positivos em fluxos específicos e na agenda do desperdício. A mesma fonte destaca que, em 2022, Portugal superou as metas europeias de reciclagem de embalagens de papel e cartão, plástico, metal e madeira, ficando aquém apenas no vidro (56,9% face a uma meta de 60%). Mas o país enfrenta um outro lado do problema: o desperdício alimentar. Dados do INE citados na notícia do Público, indicam que cada português deita fora em média 182,7 quilos de comida por ano, o que totalizou 1,9 milhões de toneladas de alimentos desperdiçados em 2023, dois terços dos quais nas famílias. 

Comércio e distribuição, restauração, produção primária e indústria repartem o restante, numa cadeia que, somada à gestão deficiente de resíduos, ajuda a explicar por que razão Portugal continua, para já, a ser um país que manda demasiado lixo para o aterro.

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