Mercado logístico: proprietários deverão ganhar força até 2029

Cerca de 39% dos mercados deverão apresentar condições favoráveis aos proprietários em 2026, mais 13% do que em 2026.
Logística
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O mercado logístico global vai passar por uma mudança no equilíbrio de poder. Até 2029, prevê-se que a proporção de mercados com condições favoráveis aos ocupantes caia de 52% para 33%. Já os mercados com condições favoráveis aos proprietários devem passar de 26% em 2026 para 39% em 2029.

De acordo com o relatório Waypoint 2026, da Cushman & Wakefield (C&W), que analisou 135 mercados logísticos, as empresas estão a redesenhar as suas redes logísticas no sentido de reduzir a exposição a riscos geopolíticos, comerciais e climáticos e procuram, cada vez mais, ativos de maior qualidade e com uma localização estratégica. No que se refere à rendas, estas estão já 36% acima das verificadas em 2020 e 54% dos mercados preveem que as rendas continuem a aumentar nos próximos três anos.

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“A próxima fase do ciclo logístico será definida pela preparação e antecipação. As empresas que integrem resiliência nas suas estratégias imobiliárias, através de um uso mais inteligente da tecnologia, da automação e de ativos energeticamente sustentáveis, estarão muito melhor posicionadas para gerir disrupções e assegurar crescimento a longo prazo”, avança, em comunicado, Sally Bruer, da Cushman & Wakefield, autora do estudo.

Regiões apresentam diferenças significativas

Mais de metade dos mercados (cerca de 54%) na região EMEA – Europa, Médio Oriente e África – são, neste momento, favoráveis aos ocupantes. No entanto, à medida que a disponibilidade estabiliza ou diminui e os pipelines de desenvolvimento permanecem limitados, até 2029 essa proporção deverá cair para 39%, nomeadamente nos mercados do Reino Unido, Alemanha e Países Baixos. 

  • Na Europa Ocidental e do Norte, como Reino Unido, Suécia, Bélgica e Países Baixos, a redução da sua taxa de disponibilidade vem reforçar a necessidade de decisões antecipadas para assegurar espaços de alta qualidade. Ainda nesta região, especialmente em países como Alemanha, Itália, Países Baixos e Reino Unido, os custos de energia continuam a ser fator diferenciador, com os elevados preços da eletricidade a direcionar os ocupantes nestes países para edifícios energeticamente eficientes e com acesso a energias renováveis.
  • Já na Europa Central e de Leste, os mercados da Polónia, República Checa e Hungria continuam a apresentar condições mais diversificadas, ainda que a melhoria da absorção deva ir reduzindo a disponibilidade.

Portugal entre os mercados com maior subida de rendas

LOGÍSTICA EM PORTUGAL
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O nosso país junta-se ao Reino Unido, França, Irlanda, Bélgica e Suécia na liderança do crescimento das rendas, dada a limitada disponibilidade de espaço e a condicionada oferta futura em projetos especulativos e em desenvolvimentos ‘build-to-suit’.

“Portugal integra um grupo restrito de mercados europeus onde as rendas mais cresceram nos últimos 12 meses, refletindo um claro desequilíbrio entre procura e oferta, particularmente no segmento de ativos de maior qualidade. Esta tendência está também associada a uma mudança nas preferências dos ocupantes, que privilegiam cada vez mais espaços modernos, eficientes e bem localizados”, explica Sérgio Nunes, Head of Industrial, Logistics & Land da Cushman & Wakefield em Portugal.

Segundo o responsável, o setor atravessa, ao mesmo tempo, “uma transformação estrutural, com a procura a concentrar-se em armazéns de grande escala e altamente automatizados”. “Apesar de alguns projetos em desenvolvimento, o pipeline permanece limitado face à procura, pelo que a escassez de oferta deverá manter-se em 2026, continuando a exercer pressão adicional sobre as rendas”, conclui.

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