O Banco de Portugal (BdP) foi contactado por, pelo menos, cinco bancos internacionais potencialmente interessados em investir no BES. O brasileiro Bradesco e o espanhol Santander estão entre as instituições que têm mantido contactos com o supervisor do sistema financeiro nacional. O BdP está empenhado em promover uma solução que permita reforçar os rácios de solvabilidade do BES para que o banco evite recorrer à linha de capitalização do Estado.
Segundo várias fontes financeiras citadas pelo Diário Económico, estes bancos terão sondado o supervisor quanto à possibilidade de comprarem participações no banco com a benção das autoridades portuguesas, numa altura em que o Banco de Portugal assumiu as rédeas na transição em curso no BES. Estes contactos exploratórios explicam as declarações do governador do BdP, Carlos Costa, na semana passada, sobre o potencial interesse de investidores no BES.
"O que está a acontecer é uma espécie de leilão: o Banco de Portugal deixou claro ao mercado que quer novos investidores no BES e vários bancos estão a olhar com atenção para o dossier", disse ao Diário Económico um responsável de um banco de investimento em Londres.
Não foi possível apurar se houve contactos entre estes potenciais interessados e a gestão do BES, que desde a semana passada passou a ser liderada por Vítor Bento.
O jornal espanhol "El Economista" avançou na sexta-feira que o Banco de Portugal terá contactado o Santander para o "convidar" a estudar um investimento no BES. O jornal espanhol refere que também o BPI e o BCP "poderão" ter sido contactados pelo supervisor. Algumas fontes avançaram ao Económico que o BBVA também poderá estar na corrida.
Questionadas pelo Diário Económico, fontes oficiais do BdP, Santander, BBVA e Bradesco não quiseram fazer comentários.
A entrada de novos investidores no capital do banco será crucial para reforçar os rácios de solvabilidade sem necessidade de recorrer à linha de capitalização do Estado. Tal como o Diário Económico noticiou, a nova administração do BES está a trabalhar nesta solução. Além de bancos estrangeiros, estarão a avaliar investimentos no BES fundos internacionais como o Apollo e o KKR, que foram convidados a analisar o dossier ainda pela administração liderada por Ricardo Salgado.
Na sexta-feira, no Parlamento, Carlos Costa avançou que se trata de vários "bancos de investimento e fundos europeus". Referiu, porém, que a eventual entrada destes investidores no terceiro maior banco português apenas terá lugar após a clarificação da situação do BES e da sua exposição às empresas do Grupo Espírito Santo (GES), que estão no limiar da insolvência.
"É muito provável que haja uma solução privada para reforçar o capital", disse Carlos Costa perante os deputados, frisando que é "evidente" que isso só poderá acontecer quando "se eliminarem as incertezas" e que, por essa razão, o Banco de Portugal pediu a realização de duas auditorias independentes ao Grupo BES.
Supervisor pediu ao BES plano de capitalização
O governador assegurou que os elementos disponíveis indicam que o BES está devidamente capitalizado e que a sua exposição ao GES e os problemas no BES Angola não deverão comprometer os rácios mínimos de capital. Porém, Carlos Costa acrescentou que isto não é suficiente para acabar com a incerteza em relação ao banco e que, por essa razão, solicitou à nova gestão do BES um plano de recapitalização.
Na sexta-feira à noite, a ESI fez o pedido de gestão controlada. Isto permitir-lhe-á avançar com o plano de reestruturação sob protecção da Justiça, plano este que será aprovado pelos accionistas da ESI numa assembleia-geral marcada para 29 de Julho.
O BES é um dos principais credores da ESI, que tem sede no Luxemburgo e é a holding de topo do Grupo Espírito Santo, detendo 100% da Rio Forte e 49% na Espirito Santo Financial Group, de forma indirecta.
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