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Um dos homens mais ricos de França está a investir milhões em Portugal

Este edifício da Rua Castilho, em Lisboa, foi comprado à Estamo por 12,5 milhões de euros. / Expresso
Este edifício da Rua Castilho, em Lisboa, foi comprado à Estamo por 12,5 milhões de euros. / Expresso
Autor: Redação

Chama-se Claude Berda e é um dos homens mais ricos de França, sendo considerado um dos grandes investidores imobiliários da Suíça, país onde viveu muitos anos. Berda, que em Portugal é representado por José Cardoso Botelho, criou a empresa Vanguard Properties e está a apostar forte no mercado imobiliário português: vai investir 300 milhões de euros em quatro imóveis em Lisboa, um empreendimento no Algarve e outro na Comporta.

Inicialmente, o investimento está direcionado para o segmento residencial de luxo, mas o objetivo passa por, em breve, diversificar a atividade para mercados também muito rentáveis, como as residências de estudantes e centros de coworking.

“A primeira aquisição que fizemos foi em dezembro de 2015, um terreno na Graça, com uma vista aberta sobre Lisboa, que pertencia à EPUL e onde será construído um edifício de raiz. Mas uma boa parte dos imóveis que temos já em carteira em Lisboa são edifícios que vamos reabilitar e colocar no mercado para o segmento mais alto”, disse José Botelho, diretor executivo da Vanguard Properties, em declarações ao Expresso.

A maior parte dos imóveis que empresa comprou foram adquiridos à Estamo, empresa do grupo Parpública, que gere o património imobiliário do Estado, e ao Banif. É o caso do edifício da Rua Castilho, onde em tempos funcionaram os serviços administrativos do Ministério da Agricultura, comprado à Estamo por 12,5 milhões de euros.

Já nas aquisições feitas ao Banif incluem-se um prédio localizado nas Amoreiras, junto ao Hotel D. Pedro (12 milhões de euros), o palacete da Rua do Quelhas, na Lapa, onde durante anos esteve instalado o Museu da Rádio, e um empreendimento turístico em Porches, no Algarve, que ficou com a construção interrompida em 2012 e cujas obras serão retomadas pelo promotor de origem francesa este ano, escreve a publicação.

O responsável da Vanguard Properties em Portugal diz que o “objetivo da empresa é avançar também para obras já a partir de junho com os projetos das Amoreiras e da Castilho”, para que “no final de 2018 estejam os três primeiros projetos terminados”.

100 milhões de capitais próprios

A empresa entrou em Portugal com 100 milhões de euros de capitais próprios para investir na aquisição de imóveis, seis dos quais já adquiridos e mais sete em fase de aquisição. Para o desenvolvimento dos projetos, o grupo vai financiar-se junto da banca nacional no montante aproximado de 200 milhões de euros, adiantou José Botelho, acrescentando que já foram estabelecidos acordos de financiamento com Montepio e BPI.

Neste momento, a Vanguard Properties está já a definir as etapas seguintes, que passam por encetar parcerias com outros investidores privados e estrangeiros com capital para investir e que procuram oportunidades no mercado imobiliário nacional.

Não nos interessam parcerias com fundos de investimento, pois privilegiamos a rapidez na tomada de decisões, algo que não é tão fácil de conseguir com a estrutura dos fundos. Mas há cada vez mais ‘family offices’ a olhar para Portugal, à procura de parceiros locais que conheçam bem o mercado e com quem possam rentabilizar o seu capital”, explicou José Botelho, salientando que a empresa está a estudar duas propostas: uma de um norueguês e outra de um americano “com grande experiência no mercado das residências universitárias e centros de coworking, áreas onde a Vanguard Properties pretende apostar no futuro”.