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Dolce Vita Miraflores continua à venda – recusada proposta de 2,5 milhões de euros

Valor base de venda é 6,8 milhões de euros, tendo a proposta da Atena Equity Partners sido considerada baixa.

Site do Dolce Vita Miraflores
Site do Dolce Vita Miraflores
Autor: Redação

A pandemia da Covid-19 está a dificultar ainda mais o processo de venda do Dolce Vita Miraflores, localizado em Oeiras, nos arredores de Lisboa, que pertencia ao falido grupo espanhol Charmartín e no qual o banco galego Abanca surge como credor hipotecário, numa insolvência em que tem créditos reconhecidos da ordem dos 35,5 milhões de euros. A última proposta pelo ativo, de 2,5 milhões de euros, foi recusada.

A notícia é avançada pelo Jornal de Negócios, adiantando que, depois de falhada a primeira tentativa de venda deste centro comercial, em setembro de 2019, a massa falida voltou à carga no início deste ano, tendo fixado o prazo de 30 de março para a apresentação de ofertas. Mas depois, devido ao estado de emergência, prolongou o prazo para 30 de abril e, posteriormente, para 15 de junho.

O valor base de venda é 6,8 milhões de euros, igualando o montante – acima do mínimo de 5,4 milhões então sinalizado – por que tinha sido adjudicado, aquando do primeiro leilão, a uma sociedade de capitais angolanos, refere a publicação, lembrando que o comprador em causa acabou por não conseguir firmar o financiamento da operação junto do Eurobic, tendo perdido o “sinal” de 5% (cerca de 340.000 euros) que tinha pago.

Agora, na segunda tentativa de venda do ativo, o valor mínimo foi fixado precisamente nos 6,8 milhões de euros, mas na sequência da pandemia apenas chegou uma oferta, no valor de 2,5 milhões de euros, muito abaixo do pretendido. O interessado foi a Atena Equity Partners, a mesma capital de risco que é dona da rede de clínicas dentárias Malo Clinic, de empresas como a Simi (engenharia), a ASBW (metalurgia), a Prado Cartolinas da Lousã e a Wemold (moldes), e de metade do grupo editorial Leya.

“A oferta da Atena era baixa, pelo que foi rejeitada pelo credor hipotecário”, disse fonte conhecedora do processo, citada pela publicação. “[Entretanto] está a ser realizada uma nova avaliação do ativo, com o ‘shopping’ a continuar a ser promovido junto de outras entidades que, ainda que não tenham feito qualquer oferta, manifestaram interesse na sua aquisição”, acrescentou.

Em março de 2018, quando foi declarado insolvente, o Dolce Vita Miraflores tinha 33 lojas ocupadas e 21 devolutas, um cenário que será agora mais desolador, devido à crise pandémica. Trata-se de um centro comercial com uma área bruta locável de quase 6.000 metros quadrados (m2) e um parque de estacionamento com 300 lugares que foi inaugurado em 2002, tendo sido o primeiro em Portugal da cadeia Dolce Vita, numa promoção inicial do grupo Amorim. 

Entretanto, com a falência da Chamartín, que tinha comprado o negócio imobiliário da Amorim em 2006, o grupo foi desmembrado, tendo os seus ativos ido parar sobretudo a mãos internacionais, escreve o Negócios.