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"A pandemia não teve e não deverá ter impacto nos preços da habitação nova"

Aniceto Viegas fala da aposta da Avenue no projeto do Bonjardim, da importância do mercado do Porto e dos efeitos da pandemia no imobiliário.

Aniceto Viegas, diretor-geral da Avenue / César Passinhas
Aniceto Viegas, diretor-geral da Avenue / César Passinhas
Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

O diretor-geral Avenue, Aniceto Viegas, explica em entrevista ao idealista/news as razões que justificam os atrasos no avanço do Bonjardim, um projeto considerado emblemático para a Baixa do Porto e que fica localizado a poucos metros da Avenida dos Aliados e junto do Mercado do Bolhão.

A mudança da Porto Vivo SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana, para a esfera da Câmara Municipal do Porto, é um dos motivos apontados para os atrasos iniciais, apesar das duas entidades terem manifestado grande preocupação em assegurar o prazo de desenvolvimento do empreendimento, segundo conta.

O responsável da promotora imobiliária de luxo fala ainda do impacto da pandemia no desenvolvimento deste projeto de uso misto - residencial, comércio e hotelaria - bem como no mercado imobiliário, em termos de preços e tempos de comercialização das casas. "Mesmo com a situação que vivemos, acreditamos muito no potencial do Porto e percebemos que haja alguma impaciência", declara Aniceto Viegas, referindo-se ao Bonjardim.

Avenue
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O projeto para o quarteirão da Praça D. João I apresenta atrasos de mais de três anos, o que tem levado a críticas várias. Que razões estiveram na origem destes atrasos?

O projeto foi batizado de Bonjardim pela Avenue. Adquirimos o projeto em agosto 2019, ou seja, há cerca de um ano e meio.

Tanto a Porto Vivo SRU e a Câmara Municipal do Porto tiveram sempre uma grande preocupação em assegurar o prazo de desenvolvimento mais rápido possível. No entanto, só foi possível adquirir o ativo com o prévio consentimento da Porto Vivo, o que coincidiu com a transferência das competências jurídicas do Estado para as câmaras municipais e a respetiva cessão da participação do Estado para as autarquias, gerando alguns atrasos iniciais.

Atualmente, temos o projeto deferido pela DRCN (Direção Regional de Cultura do Norte) e aguardamos a aprovação da CMP que deverá ser comunicada nos próximos dias.

Em que fase se encontra o licenciamento do projeto?

Concebemos os projetos e submetemos os respetivos licenciamentos. Atualmente, temos o projeto deferido pela DRCN (Direção Regional de Cultura do Norte) e aguardamos a aprovação da CMP, que deverá ser comunicada nos próximos dias.

Entretanto, e de forma a ganharmos tempo, desenvolvemos os primeiros trabalhos de reforço da contenção periférica existente entre abril 2020 e janeiro 2021.

Em janeiro de 2021 foi aprovada a licença para prosseguir com a contenção periférica, que estava em falta e os restantes trabalhos de reforços estruturais. Os trabalhos abaixo do solo, que são sempre muito morosos e menos visíveis do exterior, deverão ficar concluídos nos próximos 10 meses.

Qual o impacto que a pandemia teve no avanço do empreendimento para o quarteirão da Casa Forte?

Embora a construção civil tenha tido poucas restrições, há sempre um impacto relevante em alguns fornecimentos. A equipa projetista está também mais condicionada, pelo facto de ter colaboradores em teletrabalho.

Adicionalmente, as entidades licenciadoras tiveram um período de adaptação inicial que gerou algum atraso. Embora a Câmara do Porto seja um bom exemplo a nível nacional e tem funcionado muito bem nos últimos meses.

O nosso mercado alvo são os clientes nacionais e internacionais. É bastante interessante ver que o Porto é um destino cada vez mais consolidado para os estrangeiros viverem ou investirem em Portugal.

Quais são as características do futuro empreendimento imobiliário? Mantém a forte componente residencial?

A habitação é o principal uso e mais de 50% dos fogos são tipologias T2, T3 e T4, ou seja, direcionadas para as famílias. O nosso mercado alvo são os clientes nacionais e internacionais. É bastante interessante ver que o Porto é um destino cada vez mais consolidado para os estrangeiros viverem ou investirem em Portugal.

Em termos de promoção e construção como vai decorrer o desenvolvimento?

Embora tenha havido alguns críticos nos últimos meses, é preciso não esquecer que este projeto esteve vários anos para ser desenvolvido e é uma forte aposta da Avenue e do parceiro hoteleiro no Porto. Mesmo com a situação que vivemos, acreditamos muito no potencial do Porto e percebemos que haja alguma impaciência.

O trabalho desenvolvido no último ano e meio, foi um trabalho de desenho do produto, de forma a responder à procura atual, preparação da empreitada futura e execução de todos os trabalhos que podiam ser desenvolvidos abaixo do solo.

Este trabalho é sempre o mais ingrato, é moroso e é pouco visível do exterior, mas é fundamental para garantir um desenvolvimento dos trabalhos acima do solo, que são também os mais visíveis.

Vão avançar todos os componentes em simultâneo?

O projeto vai ser desenvolvido numa só fase. A Avenue desenvolverá o estacionamento, o comércio e a habitação. A componente hoteleira, para um hotel de 4 estrelas, será desenvolvida e gerida por um parceiro hoteleiro experiente.

Em termos de arquitetura quais são as principais aspetos que se destacam?

A arquitetura foi buscar vários códigos da cidade do Porto, com referência à cor rubi do Mercado Ferreira Borges e aos azulejos. O projeto tem uma forte componente habitacional para as famílias, com comércio no rés de chão, virado para as ruas circundantes (Rua Sá da Bandeira, Rua do Bonjardim, Travessa do Bonjardim e Rua Formosa).

Um dos pontos mais carismáticos do projeto é a praça central com cerca de 2.200 m2 e que conta com um jardim. Do ponto de vista ambiental, o projeto conseguiu integrar as melhores práticas ambientais, em termos energéticos.

O projeto vai ser desenvolvido numa só fase. A Avenue desenvolverá o estacionamento, o comércio e a habitação. A componente hoteleira, para um hotel de 4 estrelas, será desenvolvida e gerida por um parceiro hoteleiro experiente.

Qual o investimento previsto e a previsão de conclusão?

O investimento previsto é de 57 milhões de euros, para a nossa parte, e deverá ficar concluído durante o próximo ano.

Qual a sua expetativa sobre a recuperação do mercado e o impacto no projeto?

A pandemia não teve e não deverá ter impacto nos preços da habitação nova. Terá porventura um impacto nos ritmos de comercialização, que serão mais lentos nos próximos meses. Deverá também afetar o preço dos fogos usados, que estavam a ser vendidos a valores muito próximos dos fogos novos.

Acreditamos que haverá algum impacto até ao terceiro trimestre 2021 e acreditamos que o quarto trimestre deverá ser já de franca recuperação.

A pandemia deverá afetar o preço dos fogos usados, que estavam a ser vendidos a valores muito próximos dos fogos novos.

Que medidas considera que devem ser tomadas num futuro próximo para recuperar o setor?

Devemos preservar o que foram os nossos incentivos (RNH e Golden Visa), lutar pela estabilidade fiscal e legislativa. Por outro lado, deveria ser considerada uma revisão da taxa de IVA na habitação nova para 6%, de forma a reduzir o preço de venda para os compradores finais e tornar o investimento mais atrativo.