Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

"Interesse dos investidores estrangeiros no mercado português continua bem vivo"

Garantia dada por Paulo Sarmento, Partner e Diretor de Capital Markets da consultora Cushman & Wakefield.

"Interesse dos investidores estrangeiros no mercado português continua bem vivo"
Paulo Sarmento, Partner e Diretor de Capital Markets da Cushman & Wakefield / Cushman & Wakefield
Autor: Redação

“O interesse dos investidores estrangeiros no mercado português continua bem vivo”. A afirmação é de Paulo Sarmento, Partner e Diretor de Capital Markets da Cushman & Wakefield (C&W), que considera, em comunicado, que “os principais ‘players’ do mercado reconhecem a boa resposta que o país teve face à pandemia”. “(…) No entanto este apetite dos investidores está mais polarizado, com uma forte preferência por ativos em localizações ‘prime’, com contratos bons e inquilinos sólidos”, refere.

Segundo Paulo Sarmento, “no que diz respeito a ativos mais periféricos, ou com um perfil de rendimento menos estabilizado, torna-se muito difícil compatibilizar as expectativas de preço de compradores e vendedores”. 

Na nota enviada às redações, a C&W revela, por exemplo, que a pandemia da Covid-19 está a deixar marcas na atividade de investimento imobiliário comercial em Portugal em 2021, tendo-se verificado uma quebra homóloga no primeiro semestre na ordem dos 69% – um número, de resto, em linha com o divulgado pela CBRE.

“Entre janeiro e junho foram transacionados 556 milhões de euros em ativos imobiliários de rendimento em território nacional, valor muito inferior aos 1.812 milhões de euros transacionados no primeiro semestre de 2020. De salientar, no entanto, que o primeiro semestre do ano passado foi o melhor desde sempre em Portugal, muito derivado por duas grandes transações que influenciaram fortemente os números”, lê-se no documento. 

A consultora estima, porém, que se assistirá a um bom segundo semestre, apontando para um volume total de investimento imobiliário comercial na ordem dos 2.150 milhões de euros em transações, menos 23% que em 2020 – seria, ainda assim, o quarto melhor resultado de sempre do mercado nacional.

Logística e residencial de rendimento a crescer

Por segmentos, é nos escritórios que há mais investidores a apostar, com um volume de capital de 43% do total. Seguem-se os setores alternativos (32% do total investido) e o retalho (15%), que obteve a segunda mais baixa alocação de capital da última década. 

De acordo com Paulo Sarmento, “o interesse dos investidores internacionais está cada vez mais focado nas áreas de logística e de residencial de rendimento”. “Infelizmente não temos em Portugal muitos ativos nestas categorias, o que explica o baixo volume de investimento até à data. Por exemplo em Espanha, onde estas categorias estão amplamente representadas, o volume de investimento do primeiro semestre já foi semelhante ao do forte ano de 2019”, comenta o responsável.

Portfólio de hotelaria pode mudar de mãos este ano

A consultora adianta ainda que os negócios de grande dimensão também estarão em destaque na segunda metade do ano. “De entre as várias operações atualmente em negociação, destaque para um portfólio de hotelaria cuja aquisição se espera até ao final de 2021. Os ativos hoteleiros, que ao longo da crise pandémica registaram um impacto negativo não só na operação diária mas também em termos de atratividade para investimento, poderão ser a grande surpresa em 2021. Cumprindo-se todas as operações atualmente em curso, o mercado de hospitality será a classe com maior alocação de capital em 2021, na ordem dos 35%. Importa ainda assim reforçar o risco desta previsão, tendo em conta a sua enorme dependência de uma única operação envolta num grau elevado de complexidade”, conclui a C&W. 

Para 2022, aponta Paulo Sarmento, é possível “identificar cerca de 800 milhões de euros de negócios com elevada probabilidade de fecho”. “Tendo em conta esta nova realidade do mercado, em que os negócios ‘off market’ se tornaram cada vez mais frequentes, é muito provável que em 2022 voltemos aos volumes de investimento próximos dos 3.000 milhões de euros”, antevê.