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Dono da Zara reforça investimento na energia - depois de apostar no imobiliário

Só em Portugal, a holding da família Ortega possui uma carteira de imóveis avaliada em 250 milhões.

Dono da Zara aposta na REN
Gtres
Autor: Redação

O dono da Zara, Amancio Ortega, decidiu voltar a diversificar o seu leque de investimentos e apostou na portuguesa REN – Redes Energéticas Nacionais, com a compra de 12% do seu capital à Mazzon (Oman Oil). Esta operação foi levada a cabo pela holding da família Ortega, a Pontegadea, que detém um património imobiliário avaliado em mais de 14.000 milhões de euros.

Para a empresa esta foi uma decisão tomada “de acordo com a lógica de investimento da Pontegadea no que toca ao setor, tipo de empresa e de mercado”, revelam em comunicado enviado à imprensa. Recorde-se que no setor da energia, a Pontegadea detém 5% da Enagás (rede de distribuição de gás em Espanha) e 5% da Red Eléctrica (a empresa que gere a rede alta tensão elétrica em Espanha).

Com esta operação, Pontegadea – que é dona de 59% da Inditex, grupo que detém a Zara entre outras marcas - tornou-se na segunda maior acionista da REN com 12% do seu capital que comprou à Oman Oil, logo a seguir à chinesa State Grid (25%). Ainda assim, a empresa não deverá ter um representante no conselho de administração da REN, decisão que está “em linha com a nossa prática em empresas semelhantes”, tal como disse fonte oficial da empresa citada pelo Público.

Esta operação foi comunicada pela REN à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) na passada sexta-feira, dia 30 de julho de 2021. À data, o preço por ação estava nos 2,35 euros, pelo que a posição de Ortega deverá ter valido cerca de 188 milhões de euros, escreve o mesmo jornal.

Note-se que além destas, há outras empresas privadas com capital na REN: a Lazard Asset Management (7%), a Fidelidade - Companhia de Seguros (5,3%), a Red Eléctrica Internacional (5%) e a Great-West Lifeco (3,7%).

REN
Wikimedia commons

Inditex elimina 27 empresas

O grupo Inditex está hoje a passar por um processo de reorganização das suas sociedades, que já é considerado o maior da sua história. Em resultado, a gigante espanhola do têxtil eliminou 27 empresas do grupo em diversos países, consolidando o número de sociedades em 350, todas com participações do grupo superiores a 50%, escreve o espanhol Cinco Días.

O objetivo? "Simplificar as sociedades" para "conseguir maior agilidade societária", refere o grupo citado pelo mesmo meio. Este processo permitiu à Inditex concentrar o negócio, antes dividido, numa só filial (como acontreceu na Croácia, Bósnia e Japão), ou encerrar atividade num país/ região, como aconteceu em Macau. 

Também em Portugal, recorde-se, o grupo Inditex deu início ao processo de fusão das nove empresas em maio de 2021. E, em resultado, o grupo espanhol vai operar no país apenas com Zara Portugal. Esta é uma estratégia que vai permitirar eliminar custos operacionais e “aumentar o poder e a presença” em território nacional, tal como noticiou o idealista/news.

Lojas Zara
Flickr/Creative commons

Imobiliário: a principal aposta

A gigante holding do dono da Zara possui outros tipos de investimentos estando, sobretudo, inserida no mundo imobiliário. A sua carteira de ativos está avaliada em mais de 14.000 milhões de euros.

Trata-se de um portfólio especialmente composto por “escritórios, superfícies comerciais de topo (retalho) e, em menor medida, hotéis”, segundo descreve em comunicado citado pela imprensa. E distribuem-se um pouco por todo o mundo e em grandes cidades como: Londres, Madrid, Nova Iorque, Chicago, Paris, Lisboa, Seul e Seattle.

Em Portugal, empresa tem um escritório local dedicado à gestão de ativos imobiliários, onde realizou o seu primeiro investimento em 2002, um ano após a sua constituição. Atualmente, a holding da família Ortega tem uma carteira de ativos imobiliários em território nacional avaliada em mais de 250 milhões de euros.

“Portugal foi o primeiro país na expansão internacional tanto da Inditex (1998) como da Pontegadea (2002). É um mercado de investimento natural para a Pontegadea devido à proximidade geográfica, ao conhecimento e experiência prévios e à estabilidade, segurança e perspetivas que oferece”, referiu a holding na mesma nota.

* Notícia atualizada às 9h45 de dia 3 de agosto de 2021 com informação sobre a reorganização do grupo Inditex