Parque urbano em Setúbal: autarquia tem assegurada posse dos terrenos

Dúvida surgiu depois do Montepio ter vendido parte dos terrenos. Câmara garante que ali não pode ser edificada qualquer outra construção.
Setúbal
Foto de Alexandre Contador no Unsplash

O Montepio colocou à venda um terço dos terrenos do Parque Urbano da Várzea, onde a Câmara de Setúbal está a investir seis milhões para construir o maior parque urbano da cidade, numa área de 19 hectares. Nos terrenos, já foi instalada uma bacia de retenção, plantadas árvores, construídas estradas e uma rotunda. Entretanto, e depois de levantadas dúvidas sobre a posse dos terrenos, a autarquia já veio garantir que “tem totalmente assegurada, por via de acordos realizados nos termos da lei” a posse dos mesmos, não existindo a possibilidade de edificar ali qualquer outra construção.

A notícia da venda dos terrenos que integram o Parque Urbano da Várzea, por parte do Montepio, foi avançada pelo jornal ECO no passado dia 23 de agosto de 2023. A publicação revelava, então, que os terrenos em causa – tendo sido colocados à venda pelo banco através de leilão eletrónico, pelo valor base de 1.160.25 euros - estavam hipotecados pelo banco desde 2005, um ano depois de terem sido comprados pela antiga proprietária, a empresa Aprigius, declarada insolvente em 2022.

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Entretanto, a Câmara de Setúbal emitiu um comunicado oficial sobre o tema, esclarecendo que a autarquia “tem totalmente assegurada, por via de acordos realizados nos termos da lei, a posse dos referidos terrenos em resultado de autorizações dos respetivos proprietários”.

Terrenos destinam-se exclusivamente ao Parque Urbano da Várzea

“Na parte destas terras que integram o Parque Urbano da Várzea não existe, de acordo com o PDM em vigor e com o novo PDM (que segundo informação de membros do Governo, deverá ser ratificado em breve em Conselho de Ministros), a possibilidade de edificar ali qualquer construção. Se no PDM em vigor já não era permitida a construção de edifícios de habitação, o novo PDM determina, por seu lado, que aqueles terrenos se destinam exclusivamente ao Parque Urbano da Várzea e seus equipamentos e às bacias de retenção de águas pluviais que ali foram construídas pela autarquia para minimizar os riscos de cheia na cidade”, lê-se no comunicado.

A Câmara de Setúbal acrescenta que "não existe qualquer risco" de os terrenos em causa poderem ser utilizados para outra finalidade que não o Parque Urbano da Várzea, uma vez que a autarquia “adotou todos os procedimentos legais exigíveis para garantir a posse daquelas terras, o que, aliás, foi reconhecido pelas entidades do Estado que aprovaram as candidaturas municipais a fundos comunitários, candidaturas que não seriam aprovadas caso não tivesse sido devidamente comprovada a posse dos terrenos pela autarquia”.

“Com o propósito da construção do Parque Urbano da Várzea e das respetivas bacias de retenção, a Câmara Municipal de Setúbal iniciou negociações com os proprietários das parcelas de terreno que integram a área de intervenção do Parque Urbano, seguindo escrupulosamente o Código das Expropriações, que obriga quem quer expropriar, neste caso a Câmara Municipal de Setúbal, a negociar a aquisição dos bens por via do direito privado. Na sequência das negociações que foram então realizadas, os proprietários em causa entraram em acordo com Câmara Municipal e foram estabelecidos acordos oficiais em agosto de 2016”, acrescenta a nota de esclarecimento.

Segundo estes acordos, os proprietários autorizaram a Câmara Municipal de Setúbal a ocupar e a tomar posse desses terrenos para a construção das bacias de retenção e demais investimentos associados à concretização do Parque Urbano.

*Notícia atualizada às 12h37 de 30 de agosto de 2023 com a nota de esclarecimento da Câmara de Setúbal sobre a posse dos terrenos no Parque Urbano da Várzea.

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