O mercado imobiliário comercial na Europa teve uma evolução consistente durante o ano de 2025. Com uma maior dinâmica da procura ocupacional e um crescente interesse por ativos de alta qualidade, as rendas prime aumentaram e os yields prime registaram uma compressão transversal nos principais setores.
Esta é a conclusão do mais recente relatório DNA of Real Estate da Cushman & Wakefield, como explica, comunicado, Nigel Almond, Senior Director, Global Property Research & Intelligence na consultora imobiliária internacional: “O fortalecimento da procura ocupacional e a renovada confiança dos investidores estão a impulsionar simultaneamente o aumento das rendas e a compressão dos yields, com quase 80% dos mercados de escritórios, ruas prime e logística que monitorizamos na Europa a registarem aumentos de valor em 2025. Isto dá continuidade ao momento positivo observado na segunda metade de 2024, com os valores dos escritórios europeus agora 10,9% acima do ponto mais baixo registado há dois anos, seguidos de perto pelo retalho de rua (+10,7%) e pela logística (+9%)”.
Os dados de 2025 confirmam também que Portugal "se mantém entre os mercados mais resilientes, acompanhando o resto da Europa com subidas das rendas prime e compressões de yields nos três setores. Tudo isto evidencia uma procura muito forte por ativos de elevada qualidade e bem localizados num contexto de oferta limitada que acreditamos vai continuar em 2026”, tal como afirma, citado em comunicado, Paulo Sarmento, Diretor Geral da Cushman & Wakefield Portugal.
Escritórios: mais de 70% dos mercados em crescimento
A importância do fator localização, com especial incidência nas zonas centrais, e a crescente procura por ativos de qualidade elevada levaram ao aumento das rendas prime de escritórios na Europa em 4,6% durante o ano passado, embora ligeiramente abaixo dos 4,9% de 2024.
Entre os mercados analisados, mais de 70% tiveram crescimentos. Lisboa cresceu +5,3%, superando Barcelona (+5,0%), mas atrás de mercados como os de Milão (+9,6%), Varsóvia (+9,1%), Reino Unido (+8,6%) e França (+8,2%), este último impulsionado pelo forte desempenho de cidades como Paris e Lyon.
Ao mesmo tempo, as yields prime fixaram-se nos 5,37%, comprimindo 9 pontos base no último ano. Quase metade dos mercados registaram movimentos em baixa, com o sul europeu, o Benelux, o Reino Unido e a Europa Central e de Leste a apresentaram compressões de dois dígitos. O setor de escritórios foi o que registou a maior compressão acumulada: 16 pontos base desde o pico de 5,53%, já com seis trimestres consecutivos a descer.
Retalho de rua: segmento regista expansão generalizada
No retalho de rua europeu, mais de 60% dos mercados analisados obtiveram crescimentos, com um aumento médio das rendas prime a situar-se nos 4,4%, muito acima dos 3,6% de 2024, sustentado pela sólida procura, pelo sentimento positivo dos retalhistas e pela oferta limitada.
Entre as artérias comerciais de referência com maiores aumentos destacam-se a Calea Victoriei, em Bucareste (+33%), a New Bond Street, em Londres (+14,6%), a Spuistraat (+17,6%), em Haia, e a Lijnbaan (+13,6%), em Roterdão.
Também no retalho de rua houve uma compressão das yields prime, de 11 pontos base, descendo para 4,76%. Foi neste setor que a compressão foi maior, ficando 15 pontos base abaixo do pico de 4,91% do primeiro trimestre de 2024. Os mercados do sul europeu e da Europa Central e de Leste tiveram as maiores compressões, de 29 pontos base para 3,81%, e de 20 pontos base, para 5,91%, respetivamente. Ao mesmo tempo, o Reino Unido e a Irlanda tiveram compressões de 17 pontos base, chegando a 4,83%.
Logística: setor traduz maior confiança dos investidores
No ano passado, as rendas logísticas cresceram 3,6% (+0,2 do que em 2024), com crescimentos em mais de 70% dos mercados, algo para o qual contribuíram a forte procura ocupacional, a escassez de oferta e a entrada no mercado de novas instalações com especificações mais avançadas.
As maiores subidas registaram-se em Bruxelas (+17,6%) e Paris (+12,0%), seguindo-se os mercados regionais britânicos de Leeds (+10,5%) e, logo de seguida, Lisboa e Birmingham (ambos com +8,7%).
Já os yields prime do setor registaram uma compressão de 7 pontos base, para 5,20%, situando-se 13 pontos base abaixo dos 5,33% do segundo trimestre de 2024. No ano passado, o sul da Europa foi o que registou a maior compressão (-23pb), seguindo-se os países nórdicos (-17pb) e o Benelux (-13pb). O mercado português, assim como o espanhol e o italiano (Lisboa, Madrid, Barcelona, Roma e Milão), tiveram compressões entre 20 e 25 pontos base, enquanto os mercados nórdicos de Copenhaga, Helsínquia, Oslo e Estocolmo desceram entre 10 e 30 pontos base, traduzindo uma melhoria generalizada do sentimento e uma maior confiança dos investidores neste setor.
Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo.
Segue o idealista/news no canal de Whatsapp
Whatsapp idealista/news Portugal
Para poder comentar deves entrar na tua conta