O ano passado foi o segundo melhor desde a pandemia. Este setor concentrou 30% do investimento imobiliário total.
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Cátia Colaço
Cátia Colaço (Colaborador do idealista news)

O investimento no retalho em Portugal atingiu, em 2025, os 840 milhões de euros transacionados, cerca de 30% do investimento imobiliário total. Fatores como o crescimento do PIB superior à média europeia, o consumo interno saudável e a expansão do setor turístico foram fundamentais para impulsionar o investimento no retalho.

O ano de 2025 chegou mesmo a ser, segundo dados da JLL, o segundo melhor exercício após a pandemia do Covid-19 e o mais ativo em número de transações da série histórica, com 38 operações concluídas. 

Em comunicado, a consultora imobiliária indica que os centros comerciais foram os que captaram mais investimento (567 milhões de euros), concentrando 81% do volume desembolsado. A uma larga distância surgem os estabelecimentos comerciais de rua, que transacionaram 123 milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 21% face a 2024. Por fim, aparecem os parques comerciais, a concentrar 11 milhões de euros, que corresponde a uma descida de 92%, uma vez que o ano de 2024 foi um ano recorde no segmento, conseguindo captar um investimento de 144 milhões de euros.

Os investidores portugueses representaram apenas 30% do volume transacionado e em termos de perfil foram os investidores Core e Core+ (que procuram ativos consolidados, de qualidade e retornos consistentes) que lideraram, concentrando 64% das transações. O dinheiro Value Add representou 18% do volume de transações, enquanto o capital oportunista foi responsável por apenas 3% das operações realizadas.

Portugal reforça a sua posição como um mercado maduro e atraente para o investimento no retalho. Em 2025, foram transacionados 840 milhões de euros, liderados por centros comerciais e High Street, com um perfil de investimento dominado por capital Core e Core+, refletindo estabilidade, resiliência e grande confiança dos investidores nacionais e internacionais. O mercado português de retalho é muito atrativo para o capital internacional, esperando-se um crescimento importante do interesse por centros comerciais e especialmente por parques comerciais”, sublinha Augusto Lobo, Head of Capital Markets da JLL Portugal, citado na nota.

Augusto Lobo
Augusto Lobo, Head of Capital Markets da JLL Portugal JLL

Lisboa: baixa disponibilidade reforça procura em ruas prime 

No ano passado a disponibilidade de lojas nas principais artérias comerciais da capital portuguesa manteve-se em níveis muito baixos, com a Rua Augusta a registar uma taxa de disponibilidade de 6,5% e a Rua Garrett a manter um nível de ocupação total.

“Lisboa consolida-se como um dos mercados High Street mais dinâmicos e competitivos do sul da Europa. Com disponibilidades praticamente inexistentes em localizações prime como a Rua Garrett, a cidade tornou-se um destino prioritário para operadores e marcas internacionais, especialmente em eixos de elevada afluência turística. Esta escassez de oferta nas principais zonas está a pressionar os valores das rendas e a criar um cenário de grande concorrência pelos poucos espaços que chegam ao mercado”, explica Sofia Tavares, Head of Leasing Advisory da JLL Portugal.

Apetite dos investidores impulsiona rendas prime

Depois de uma compressão de 50 pontos base interanuais, as rendibilidades prime em lojas de rua em Portugal situaram-se nos 4,25%, o que reflete um renovado apetite dos investidores e a consolidação de localizações comerciais estratégicas na estratégia dos principais retalhistas e operadores globais.

A rentabilidade prime nos centros comerciais mantém-se estabilizada nos 6,15%, sem variação anual, mas os parques comerciais tiveram uma redução de 25 pontos base face a 2024, situando-se nos 6,50%.

Portugal amplia parque de equipamentos comerciais

O stock total de equipamentos comerciais vai crescer 72.750 metros quadrados (m2). Cerca de 60.000 m2 correspondem à abertura de novos empreendimentos, enquanto os outros 12.750 m2 dizem respeito a ampliações de ativos existentes. 

Os parques comerciais vão concentrar 70% das novas aberturas, mas espera-se ainda, para este ano, a inauguração de um novo centro comercial na zona Centro do país, que se encontra atualmente em construção e terá uma área de cerca de 18.000 m2.

O mercado nacional de equipamentos comerciais atinge um total de 3,95 milhões de m2, em 172 ativos, equivalendo a um ratio de 369 m2 por cada 1.000 habitantes. Os centros comerciais somam 120 ativos (84% do stock), com uma densidade de 310 m2 por cada 1.000 habitantes, enquanto os parques comerciais somam 52 ativos (16% do stock), com uma densidade de 61 m2 por cada 1.000 habitantes.

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