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Pandemia pôs mais de um milhão de portugueses a trabalhar em casa

De acordo com o INE, no segundo trimestre de 2020, o número de teletrabalhadores em Portugal cresceu 23,1% para mais de um milhão de pessoas.

Photo by Annie Spratt on Unsplash
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Autor: Redação

A pandemia fez disparar o trabalho remoto. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), no segundo trimestre de 2020, o número de teletrabalhadores em Portugal cresceu 23,1% para mais de um milhão de pessoas. O gabinete de estatísticas apurou ainda que, em casa ou fora de casa, os portugueses trabalharam quase o mesmo número de horas.

De acordo com o relatório, entre abril e junho, a população empregada que indicou ter exercido a sua profissão sempre ou quase sempre em casa na semana de referência ou nas três semanas anteriores foi estimada em 1 094,4 mil pessoas, o que representou 23,1% do total da população empregada. Destas, 998,5 mil pessoas (91,2%) indicaram que a razão principal para ter trabalhado em casa se deveu à pandemia da Covid-19.

“Comparando as horas trabalhadas na semana de referência, não há grande diferença entre trabalhar em casa ou fora de casa. Efetivamente, quem não esteve ausente e trabalhou fora de casa trabalhou em média 36 horas nessa semana e quem não esteve ausente e trabalhou a partir de casa trabalhou 35 horas”, lê-se no documento.

Observou-se ainda que 1 038,0 mil pessoas utilizaram tecnologias de informação e comunicação para poderem exercer a sua profissão em casa, o que representou 21,9% do total da população empregada e 94,8% das que trabalharam sempre ou quase sempre em casa no período de referência.

Já 643,8 mil pessoas empregadas não trabalharam nem no emprego principal nem em casa ou em outro local durante o período de referência, das quais 76,3% (491,5 mil) devido à Covid-19.

Os resultados hoje divulgados fazem parte do módulo sobre "Trabalho a partir de casa" do Inquérito ao Emprego. A população-alvo deste módulo é composta pela população empregada, estimada em 4,731 milhões de pessoas, segundo o INE.

População inativa aumentou para mais de 3,8 milhões 

Ainda segundo o INE, "a taxa de desemprego foi de 5,6%, valor inferior em 1,1 pontos percentuais ao do trimestre anterior (6,7%) e em 0,7 pontos percentuais ao do trimestre homólogo de 2019 (6,3%)".

Já a população inativa (com 15 e mais anos) fixou-se em 3.886,7 mil pessoas no segundo trimestre, mais 5,7% face ao trimestre anterior e 7,5% em relação ao mesmo período de 2019. "Nunca antes, na série de dados iniciada em 2011, se havia registado variações trimestrais e homólogas tão elevadas”, lê-se no documento. 

A taxa de inatividade das mulheres (48,2%) excedeu a dos homens (38,5%), ambas aumentando nas variações trimestral e homóloga. O INE justifica com o “aumento da população inativa que, embora disponível, não procurou trabalho, estimada em 312,1 mil pessoas”, um aumento de 87,6% em relação ao trimestre anterior (145,7 mil pessoas) e de 85,6% relativamente ao período homólogo (143,9 mil pessoas).

Este aumento da população inativa deve-se, em parte, por 41,8% dos desempregados no primeiro trimestre terem transitado para a situação de inatividade no segundo trimestre.