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Millennials sofrem de ‘workaholism’ – e situação terá agravado com a Covid-19

Dependência do trabalho afetava, no ano passado, 66% dos millennials. Uma tendência que se terá agravado com a pandemia.

Victoria Heath on Unsplash
Victoria Heath on Unsplash
Autor: Redação

Antes da pandemia da Covid-19 a geração millennial já sofria de ‘workaholism’, ou seja, estava demasiado dependente do trabalho. Disso mesmo deu conta uma pesquisa publicada em 2019 na revista Forbes, que concluiu que a situação afetava 66% dos millennials. Uma tendência que se terá agravado com a chegada do novo coronavírus, conclui agora a Adecco, líder mundial em soluções de recursos humanos.

Segundo a empresa, há pormenores que causam preocupação. “32% trabalha mesmo quando está sentado na casa de banho; 63% mesmo quando está doente; 70% está sempre ativo mesmo nos fins de semana. E de acordo com uma sondagem publicada no Washington Examiner, 39% dos nativos digitais estariam dispostos a trabalhar mesmo quando estivessem de férias”, refere a Adecco, em comunicado, salientando que “a separação entre a vida privada e o trabalho já não existe, com este último a assumir agora a primeira”.

“E o principal culpado desta híper produtividade é a tecnologia, claro, que nos permite trabalhar onde e quando quisermos (...). E com os smartphones, temos constantemente uma secretária à mão, correndo o risco inevitável de nunca se desligar e de viver num ciclo contínuo em que o trabalho está sempre presente. O número de horas de trabalho torna-se mais longo, separa-se e cobre todas as áreas da vida privada”, lê-se no documento.

Para a Adecco, há outros fatores que geram dependência do trabalho, como a exigência dos gestores, o desejo excessivo de ter sucesso, o medo de não ter uma carreira e o medo de não ser tão bom como os outros. 

“As preocupações generalizadas entre uma geração, os millennials, mostram uma grande preocupação com o futuro, em comparação com os baby boomers”, conclui a empresa.

O que é o ‘workaholism’?

É um termo usado em 1971 pelo psicólogo Wayne Oates no livro “Confessions of a Workaholic: Os Fatos sobre o Vício do Trabalho”. O termo refere-se à compulsão ou à necessidade incontrolável de trabalhar incessantemente. Um vício que pode causar sintomas como ansiedade, insónia, depressão e aumento de peso. 

A Adecco adianta, de resto, que a geração dos millennials é também conhecida como a ‘geração burnout’, com as horas ilimitadas de trabalho a afetar as relações sociais com amigos, parentes, esposas e maridos e com taxas de divórcio muito elevadas. Este é, de acordo com a empresa, “um problema a ser identificado e a ser devidamente acompanhado”.