Os funcionários públicos ganham, em média, mais 684 euros por mês que os trabalhadores do setor privado. Esta é uma das conclusões a retirar de um boletim do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgado esta terça-feira (23 de maio de 2023), relativo às remunerações auferidas em 2021 – são contabilizados todos os rendimentos e não apenas o salário base do emprego principal.
“Em 2021, a remuneração bruta mensal média por trabalhador era mais elevada no setor das Administrações Públicas (AP) que no setor privado (2.019 euros vs. 1.335 euros; mais 51,2% [684 euros])”, lê-se no boletim.
Segundo o INE, “este resultado reflete (…),entre outros fatores, diferenças no tipo de trabalho realizado e qualificações dos trabalhadores que os integram”. É possível concluir, por exemplo que os trabalhadores do setor das AP têm, em média, níveis de escolaridade mais elevados:
- 55,2% dos trabalhadores neste setor tinham ensino superior (22,7% no setor privado);
- 26,6% tinham completado o ensino secundário ou pós-secundário (32,4% no setor privado);
- 18,3% tinham um nível de escolaridade correspondente, no máximo, ao 3º ciclo do ensino básico (44,9% no setor privado).
Os dados divulgados pelo INE, relativos a 2021, mostram ainda que apesar da remuneração bruta média mensal ser superior no Estado, tanto no público como no privado, a maior parte dos trabalhadores ganhava entre 850 euros e 900 euros.
“Contudo, o setor das AP distingue-se do setor privado na dispersão salarial. No setor privado, os salários estão concentrados em torno da moda e da mediana, situando-se a mediana salarial, em 2021, nos 996 euros. No sector das AP, verifica-se igualmente alguma concentração de trabalhadores em torno da moda (entre os 850 a 900 euros), mas a mediana correspondia a 1.778 euros, verificando-se, ainda, uma concentração de trabalhadores entre a mediana e os 2.450 euros. Neste sentido, também a amplitude interquartil (AIQ) é mais baixa no setor privado (672 euros) que no setor público (1.511 euros), variando entre 800 (percentil 25; P257) e 1.472 euros (percentil 75; P758) no setor privado, e entre 1.028 e 2 539 euros no sector das AP”, conclui o gabinete nacional de estatísticas.
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